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Nota de Repúdio – contra montagens mostrando aviões atacando pessoas

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Sindag protesta contra montagens na internet e peças gráficas mostrando aviões atacando pessoas, prédios e prato de comida  

O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) vem a público manifestar seu repúdio contra as montagens feitas com fotos de aviões agrícolas retiradas de operações seguras e dentro dos parâmetros técnicos e aplicadas em ilustrações com as aeronaves atacando casas, escolas, pessoas e até pratos de comida.  O mesmo com manipulações onde recortes de aviões operações de combate a incêndios florestais são aplicadas sobre imagens sobre escolas, dando a entender que a água jogada em grande quantidade é uma “chuva de veneno”. E ainda ilustrações a partir de desenhos mostrando aplicações aéreas ocorrendo sobre trabalhadores dentro das lavouras – o que é o inverso da realidade, já que o avião justamente substitui os trabalhadores em terra nas aplicações que, aliás, ocorrem em fases onde não há nenhum outro tipo de trabalho em solo. Materiais esses distribuídos pela internet ou mesmo em peças gráficas tendo como tema de fundo a questão sobre o uso de agrotóxicos.

Entendemos que em muitos casos tal escolha se dá pela falta de conhecimento de quem produz tais materiais e no calor da urgência de se conscientizar a autoridades, o setor agrícola e toda a sociedade sobre a importância de se discutir a produção de alimentos com segurança para o meio ambiente e para as pessoas. Infelizmente, no entanto, em alguns casos verificamos também a má-fé do uso de tais materiais em propagandas de fundo político ou ideológico, onde o objetivo é angariar votos ou dar visibilidade a discussões onde, na verdade, não se busca o debate.

Para todos os casos, é imperativo chamar a atenção sobre o quão danoso é manter tão importante tema na superficialidade de apenas se eleger uma ferramenta (e justamente a mais segura), ainda que subjetivamente, como símbolo negativo da agricultura do País. O que, na prática, desvia completamente o foco da construção de uma agricultura segura e sustável, necessária à sociedade. E faz de tais montagens um desserviço à segurança no campo.

Lembramos que, apesar dos mesmos produtos (químicos ou biológicos) usados por aviões serem aplicados por todos os meios terrestres, e com os mesmos riscos, a aviação agrícola é a única ferramenta para o trato de lavouras com legislação própria e, por isso mesmo, altamente fiscalizada. Isso desde 1969 e com constantes atualizações (e diversas ampliações) no seu regramento.

Entre as exigências legais, estão a especialização de praticamente todo o pessoal envolvido nas operações – do piloto altamente treinado ao engenheiro agrônomo e o técnico agrícola com especialização em operações aéreas (os três com presença obrigatória nas operações). Ao contrário, por exemplo, dos dados do Censo Agropecuário divulgados em outubro pelo IBGE, que apontam que 15,6% dos produtores que declararam utilizar agrotóxicos não sabiam ler e escrever e, destes, 89% declararam não ter recebido qualquer tipo de orientação técnica. Já entre os alfabetizados que utilizam agrotóxicos, 69,6% possuíam no máximo o ensino fundamental e, entre eles, apenas 30,6% declararam ter recebido orientação técnica a respeito da aplicação do produto.

Cenário que, definitivamente, não está presente no meio aeroagrícola.

A tecnologia embarcada nas aeronaves permite o controle pelas autoridades de todas as fases das operações, produtos, condições meteorológicas e outros dados, em relatórios enviados mensalmente ao Ministério da Agricultura, inclusive com o mapa do DGPS indicando cada faixa aplicada e até os sobrevoos do avião nas operações de translado (onde passou para chegar à lavoura). Ou seja, no caso da aviação, nenhum erro passa em branco.

Além disso, os próprios relatórios do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Anvisa, mostram em sua série histórica que os alimentos oriundos de lavouras em sua maioria atendidas pela aviação agrícola são justamente os com índice perto de zero ou zero de contaminação. Caso, por exemplo, do arroz e da banana. Segurança atestada também pela Nota Técnica emitida em junho deste ano pela Embrapa, estacando a segurança da aviação agrícola no trato de lavouras e reforçando a necessidade de um debate livre de preconceitos para se estabelecer no País uma política de segurança alimentar e energética. Nota essa concebida a partir dos resultados de três anos da maior pesquisa de campo até hoje feita no País sobre tecnologias de aplicação, ocorrida a partir de 2013, em parceria com o Sindag.

Além disso, o próprio sindicato aeroagrícola vem mantendo uma agenda permanente de aproximação com autoridades, políticos, entidades reguladoras e com a própria sociedade, repassando informações e buscando subsídios para aprimorar o setor.

Um esforço para, em última instância, mostrar que o maior veneno é a falta de informação.