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Aplicadores e apicultores: o caminho da racionalidade

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O Sindag e uma comitiva de representantes de empresas aeroagrícolas defenderam ontem o setor na audiência pública ocorrida da Câmara de Vereadores de Catanduva/SP, onde foram discutidos a pulverização aérea de defensivos e a mortandade de abelhas no Estado de São Paulo. O encontro foi organizado pelo deputado estadual Padre Afonso Lobato (PV), que é autor do Projeto de Lei nº 405/2016, que pretende proibir a pulverização aérea no território paulista. Segundo o assessor jurídico do sindicato aeroagrícola Ricardo Vollbrecht, que representou a entidade no encontro, o resultado, ao que tudo indica, foi pela via da racionalidade.

“Deixamos claro que os problemas envolvendo os defensivos são oriundos principalmente das más práticas, que podem ocorrer tanto no aéreo quanto no terrestre, e da falta de comunicação entre apicultores e produtores”, ressalta Vollbrecht. “O próprio deputado se mostrou receptivo ao diálogo. Basicamente, ficou acertado que todas as partes devem discutir agora um mecanismo que possa estabelecer uma comunicação que permita proteger os apiários quando houver o trato de lavouras próximas”, completou.

O primeiro encontro nesse sentido está marcado para o dia 13 de junho, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

BOAS PRÁTICAS

A audiência dessa segunda-feira teve representação também do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) e da Associação Paulista de Criadores de Abelhas Melíferas e Europeias (Apacame), além da Embrapa e outras entidades. O próprio autor do projeto de proibição adotou o discurso conciliatório em suas propostas – ele é autor também do PL 406/2016, que visa a barrar o uso de produtos neonocotinoides.

“Percebemos um impasse, pois se de um lado há comprovação do extermínio de abelhas (…), por outro há a defesa de que sendo bem regulada, fiscalizada e feita da forma correta, a pulverização não causaria danos.  Sem radicalismo vou continuar ouvindo todos os pontos de vista para encontrar o melhor caminho”, comentou o parlamentar em sua rede social, logo após a audiência de ontem.

A defesa das boas práticas foi também o tom da fala da representante do Sindiveg. “O que pudemos identificar é que 100% dos casos (de problemas) são devidos ao uso incorreto de defensivos e muito pouco deles são efetivamente ligados à pulverização aérea”, comentou a vice-presidente executiva, Sílvia de Toledo Fagnani. E o representante do Sindag também reforçou a alta regulamentação e tecnologia presentes no setor aeroagrícola. “A proposta de proibição é descabida porque a aviação agrícola tem a capacidade de trabalhar protegendo o meio ambiente”, arrematou.