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Argentina: fábrica de aviões agrícolas paralisada desde abril por possível erro de tradução

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   Uma possível falha de tradução, por parte de autoridades alfandegárias argentinas, na documentação de importação de um motor Lycoming, mantém há oito meses parada a linha de montagem da fabricante de aviões agrícolas Latino Americana de Aviación S/A (Laviasa), na província de Mendonza. Segundo o diretor da Laviasa, Manuel Prieto, o agente que reteve o motor entendeu que a peça é usada. A situação segue sem solução desde abril, apesar de, conforme Prieto, já terem sido apresentados novos documentos tanto da empresa Lycoming Engines quando da Federal Aviation Administration (FAA) e da própria Administración Nacional de Aviación Civil (Anac da Argentina) provando que o motor Lycoming modelo IO-540-D4A5, número de série L-37028-48E é novo.

   Em reportagem publicada no último domingo no jornal argentino Diario Uno (veja AQUI), o diretor explica que a pendenga já coloca a empresa em risco de fechamento. “Desde 26 de abril estamos produzindo apenas peças de reposição e nada mais porque nos falta aquele motor, que é essencial para a montagem. Já recebemos 60 motores da mesma fábrica e nunca houve nenhum problema”, desabafou Prieto. Segundo ele, a Alfândega chegou a propor que a empresa fizesse um depósito em juízo de cinco vezes o valor do motor (avaliado em U$S 10 mil), para liberá-lo enquanto a questão segue se arrastando.

   Diante do impasse, a Laviasa enviou uma nota ao chefe da Alfândega de Mendoza, Lucas Moyano e Sierra, mas não teve resposta. Diante disso, decidiu apelar ao presidente do país, Mauricio Macri, em documento enviado na última terça-feira (dia 11) à Casa Rosada (sede do governo federal). Ainda sem resposta, Prieto lembrou que a empresa corre o risco de sofrer uma demanda judicial de quem fez encomendas dos aparelhos, vendidos a cerca de US$ 300 mil cada.

MODELO BASEADO NO PIPER PAWNEE

   O avião à espera do motor é um Puelche III, a versão mais recente do único pulverizador fabricado na Argentina e um dos dois modelos agrícolas feitos na América Latina (o outro é o brasileiro Ipanema, da Embraer). O Puelche é, na verdade, a versão argentina do PA-25 Pawnee, na norte-americana Piper. Os direitos sobre o projeto dos Estados Unidos (recordista mundial de vendas) foram adquiridos em 1998 pela Laviasa, que fez algumas melhorias na capacidade de combustível, do hopper e na pontas das asas – além de ter criado uma versão biplace, para treinamento.

   O Puelche já foi exportado para países como Brasil, Bolívia e Venezuela e a empresa tem uma estratégia ousada de entrar inclusive nos Estados Unidos – justamente para substituir os cerca de 700 Pawnees ainda em operação por lá para atender áreas menores. Para isso, a Laviasa já conseguiu certificar o Puelche junto à FAA.

   Além disso, no ano passado a Federação Argentina de Câmaras Agroaéreas (Fearca) assinou com a Laviasa uma carta de intenções para a compra de 10 aviões. O que seria feito com planos de financiamento específicos para empresas associadas à Fearca. Segundo a Federação, a ideia é incentivar a substituição cerca de 400 aviões comuns adaptados para o trabalho aeroagrícola em operação no país.

O Puelche é a versão melhorada do PA-25 Pawnee, cujo projeto a Laviasa comprou da Piper em 1998