Imprensa

Argentina: juiz rejeita ação contra pulverização aérea em vinhedos

/ /

Na Argentina, o juiz Carlos Dalla Torre rejeitou na última semana uma ação que pedia a suspensão da pulverização aérea contra traça da uva (Lobesia botrana) na região vinícola do Vale do Uco, na província de Mendoza. A ação havia sido ajuizada pela ONG Oikos contra o governo da província, o Instituto de Sanidade e Qualidade Agropecuária de Mendoza (Iscamen) e o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa), alegando que não havia certeza sobre a eficácia das aplicações e que o tratamento poderia prejudicar a saúde e o meio ambiente.

O Vale do Uko é uma região produtora de vinhos finos e os próprios órgãos governamentais estão empenhados em combater a praga que ameaça toda a cultura vitivinícola de Mendoza. O governo local declarou ao juiz que a suspensão das pulverizações aéreas “traria consequências ambientais, sociais e econômicas imensas para a província”. Além disso, também explicou que os produtos usados “são classificado como tarja toxicológica verde, isto é, normalmente não representa um perigo”.

A Oikos ainda alegou que a operação estava sendo feita sem a Declaração de Impacto Ambiental, detalhe com o qual o magistrado chegou a concordar. Porém, o juiz Dalla Torre declarou que a falta do documento não era argumento suficiente para impedir as operações aéreas. Em sua sentença, ele considerou que “as ações ou aplicações aéreas em desenvolvimento com os produtos utilizados (dipel e coragen) e com as medidas de segurança descritas, atendem às condições de segurança e eficácia suficientes, sem riscos para o meio ambiente”.

PRAGA

No Brasil, a traça da uva ainda é considerada uma praga ausente. Segundo a Embrapa, a espécie é a principal praga da videira na Bacia do Mediterrâneo. Em 2008 ela foi detectada no Chile – região norte do Atacama, em 2009 a praga chegou ao Napa Valley, na Califórnia (EUA), e em 2010 foi detectada na província de Mendoza, na Argentina. Todas importantes regiões produtoras de vinho finos. Devido à sua proximidade do Brasil, a Embrapa Uva e Vinho (em Bento Gonçalves/RS) chegou a emitir um Comunicado Técnico com informações sobre a praga e como evitar sua entrada no País.

As lagartas da traça se alimentam dos cachos de uva e com isso também abrem caminho para o ataque de outros patógenos, como o fungo Botrytis cinerea – que provoca podridão das uvas maduras.

Clique AQUI para ver a reportagem do jornal argentino El Sol com a sentença do juiz