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Argentina: operações contra traça comprovaram segurança para abelhas

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   Resultados positivos em aplicações aéreas contra traça da uva (Lobesia botrana) sem afetar abelhas – mesmo com testes de pulverizações sobre as colmeias, foram o tema da entrevista, na última semana, do agrônomo Esteban Frola para a Radio Argentina AM 570. Especialista e consultor em tecnologias de aplicação aérea e terrestre, Frola falou na terça-feira (27) ao programa Setor Agropecuário, da emissora de Buenos Aires.

Ouça AQUI a entrevista (clique na barra no início do texto em espanhol)

   O foco na segurança das aplicações aéreas veio a partir de discussões sobre o tema em diversos municípios argentinos. Para ilustrar a segurança do setor, Frola destacou a experiência ocorrida no final do ano passado, nas operações lançadas por órgãos governamentais para salvar as regiões produtoras de vinhos finos do ataque da praga. Ele lembrou que, pouco antes do início das pulverizações, houve um debate com apicultores sobre o que aconteceria com as abelhas.

APLICAÇÕES SOBRE COLMEIAS

   Entre discussões sobre possibilidade de transportar as caixas e outras soluções, o grupo (inclusive os apicultores) concordou em fazer um teste de aplicação sobre caixas com colmeias. “Foi aplicada uma primeira dose de inseticida (120 Coragen, mais adjuvantes, em 6 litros/hectare). Depois de inspecionadas as caixas, fizemos uma nova aplicação, com dose igual. Semanas depois, constatou-se que as colmeias estavam intactas”, contou Frola.

   Segundo ele, durante os testes foram colocados papeis hidrossensíveis sobre as caixas, para se ter certeza de que elas realmente foram atingidas pelo inseticida. E foi feita uma nova aplicação em um momento em que se constatou que as abelhas estavam todas dentro das colmeias – já que a primeira passada foi em horário em que os insetos haviam saído em busca de pólen.

   “O inseticida para a lobesia precisaria de uma dose muitíssimo mais alta para fazer mal às abelhas. Com isso, convencemos os apicultores da segurança das operações.” No entanto, o agrônomo destacou que é preciso sempre estar atento às boas práticas, já que para cada produto há dosagens e riscos específicos.

Mesmo com a segurança comprovada, as operações contra a traça da uva em 2017 chegaram a ser foram alvo de uma ação movida por uma ONG que questionava a segurança do produto. O processo foi rejeitado pela Justiça, justamente porque as medidas de segurança tomadas durante as operações foram consideradas satisfatórias.

    Este ano, as operações para salvar vinhedos ocorreram em outubro, na província de San Juan, no oeste argentino.