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Argentina: Província de Salta vai investir equivalente a R$ 1,3 milhão contra gafanhotos

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O governo da província de Salta, na Argentina, anunciou o investimento de 7 milhões de pesos argentinos (equivalente a pouco mais de R$ 1,3 milhão) em ações para o combate a gafanhotos. O recurso deve ser usado para custeio de pulverizações aéreas e terrestres, compra de equipamentos e produtos, treinamento de agricultores, contratação de profissionais técnicos e outras despesas.  A notícia foi publicada domingo (dia 17), no jornal El Tribuno de Salta.

O investimento vai ocorrer em três parcelas, conforme um acordo firmado no último dia 13, entre o Ministério (equivalente a secretaria estadual no Brasil) da Produção, Trabalho e Desenvolvimento Sustentável de Salta e a Federação das Entidades Rurais da província (Federsal). Os ataques de gafanhotos na província começaram no início do ano e  se intensificaram desde então.

EMERGÊNCIA E PÂNICO

Por conta do tamanho do problema com os gafanhotos, em julho o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar argentino (Senasa), declarou a emergência fitossanitária até 31 de agosto de 2019 (Resolução nº 438-E / 2017). O que facilitaria a adoção de medidas de prevenção, controle e monitoramento da praga.

Em setembro, produtores da cidade de La Viña, a cerca de 100 quilômetros de Salta (capital da província) relataram uma nuvem de gafanhotos que escureceu o céu por cerca de 40 minutos, gerando pânico entre os agricultores. Entre os municípios mais afetados pelo problema, estão Valle de Lerma, Orán, Tartagal, Anta, Metán e Rosario de la Frontera.

Os gafanhotos também causaram prejuízos na província de Jujuy Chaco, Santiago del Estero e Tucumã. Em outubro, autoridades da Argentina, Paraguai e Bolívia firmaram um acordo para combater os insetos, já que as nuvens estavam se movimentando na área de sua tríplice fronteira. A Argentina já havia sofrido entre 2015 e 2016 o maior ataque de gafanhotos dos últimos 50 anos, quando o problema começou em Santiago del Estero e se espalhou para as vizinhas Tucumán e Catamarca. 

Bem antes disso, em fevereiro, a Bolívia chegou a pedir ajuda internacional para combater uma praga de gafanhotos que desde o final de janeiro havia dizimado 1,2 mil hectares de lavouras na região de Santa Cruz, a maior produtora de alimentos do país. Na época, a Argentina enviou cinco técnicos do Senasa e do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) ao país vizinho, para apoiar as ações contra os insetos.

A espécie que ataca na região é a Schistocerca cancellata, que atinge entre 5,5 e 6,5 centímetros de comprimento. As fêmeas podem colocar cerca de 180 ocos a cada 10 dias, que são enterrados no solo. Os gafanhotos se alimentam principalmente de folhas e atacam desde hortigranjeiros até a pastagem, passando pela soja, milho, girasol, alfalfa, cevada e videiras, enfim, praticamente todos tipos de culturas. 

Acordo foi firmado entre o Secretário de Assuntos Agrários do Ministério da Produção, Matías Uriburu Austerlitz e Javier Elizalde, da Federsal, junto com o gerente da Associação de Produtores de Grãos do Norte argentino (Prograno), Lisandro De los Ríos.