Claud Ivan Goellner

As intoxicações com produtos fitossanitários no Brasil: uma análise crítica dos dados do Serviço de Vigilância.

As intoxicações com produtos fitossanitários no Brasil: uma análise crítica dos dados do Serviço de Vigilância.

Claud Goellner*

 

Uma das principais questões relacionadas e discutidas com relação ao uso crescente de produtos fitossanitários é o problema das intoxicações. Neste artigo iremos analisar o tema dentro de um conjunto de informações baseadas nas Estatísticas do Sistema Nacional de Informações Toxico-farmacológicas (SINITOX). O SINITOX foi constituído pelo Ministério da Saúde em 1980 e vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ),sendo atualmente composto por 32 Centros. Ele compreende um sistema abrangente de informações em toxicologia e farmacologia, de alcance nacional, que fornece informações precisas sobre agentes tóxicos presentes em nosso meio. A partir de 1985, o sistema começou a divulgar anualmente as informações das intoxicações registradas nos Centros de Assistência Toxicológica existentes no País.

Fizemos a tabulação dos dados estatísticos e uma análise do histórico das intoxicações registradas para os cinco principais agentes tóxicos no período de 1985-2013, com exceção dos anos de 1994-1998, por não termos conseguidos os dados oficiais. Os medicamentos foram os que apresentaram o maior volume de intoxicações com um total no período 441.291 casos, perfazendo um percentual de 28,33%, seguidos pelos animais peçonhentos com 342.317 casos e um percentual de 22,0%. O grupo denominado “outros” compreende o conjunto de intoxicações representadas por plantas, raticidas, produtos veterinários, animais não peçonhentos, metais, intoxicações alimentares, cosméticos, inseticidas de uso doméstico e agentes não identificados com um percentual total de 27,3%. Os produtos fitossanitários totalizaram no período um total de 99.731 casos compreendendo 6,4% do total de intoxicações registradas no País para este período, tendo um volume de intoxicações menor que os produtos industriais e domissanitários, respectivamente, com 101.093 e 147.632 casos, perfazendo um percentual de 6,5% e 9,5%.

 

A média anual de intoxicações foi de 18.387 casos para os medicamentos; 14.263 casos para animais peçonhentos; 6.134 casos para domissanitários; 4.212 casos para produtos industriais e de 4.155 casos para produtos fitossanitários. No caso destes últimos, se analisarmos o período de 2000-2013, em que houve significativo aumento no volume destes produtos utilizados pela agricultura, vemos que o volume de casos de intoxicação caiu de 5.127 casos em 2000 para 4.656 casos em 2012. Em 2013 o número caiu para 1.907 casos em função de muitos Centros não terem reportado sua casuística

Figura 1: Volume total de intoxicações com os cinco principais agentes tóxicos registrados pelo SINITOX no período de 1985-2013 no Brasil, com exceção do período de 1994-1998, por falta de dados oficiais (Goellner,2018).

 

 

*Professor Titular Aposentado de Toxicologia, Ecotoxicologia e Toxicologia de Alimentos em cursos de Agronomia, Engenharia Ambiental, Farmácia, Engenharia de Alimentos e Medicina Veterinária em várias Instituições de Ensino Superior no Rio Grande do Sul. Atualmente consultor na área.