Colunas

Assistencialismos e Segurança no combate à fome

No Brasil de hoje e no mundo bilhões passam fome. Segundo a FAO e ONU, ao redor de 2,5 bilhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar e nutricional, e isso não representa que faltem alimentos, mas sim que ou as pessoas não sabem se alimentar corretamente ou não tem acesso aos alimentos, seja por pobreza ou por ações de governos ou gigantes privados do setor.

Assistencialismos em geral por aquí, tais como bolsa família, bolsa escola, vale gás e etc. até poderiam surtir efeito, desde que corretamente geridos, mas vemos desvios de toda sorte nos programas de acesso e distribuição e repasse de rendas e alimentos no país.

​Nas colocações de diversos autores que lemos, é colocada a situação gravíssima e de risco a que são expostas as populações brasileiras e mundiais de comunidades pobres e ditas “normais” a riscos de insegurança alimentar, historicamente e até os dias de hoje. Desde o neolítico, há cerca de 10 mil anos atrás quando se começou a agricultura no Nilo, Tigre e Eufrates, e apesar das revoluções agrícolas do último século, que multiplicaram exponencialmente a produção e a produtividade de alimentos, vivemos em uma sociedade que enxerga a produção de alimentos como um “agronegócio”. Depreende-se, também, que hoje, apesar dos modernos processos de produção de alimentos, a população ainda vê muitos alimentos como uma “caixa-preta” e, apesar de em muitos casos o alimento chegar a mesa, isso não representa a segurança alimentar das pessoas, tanto por excessos (obesidade) como pela carência nutricional de ingestão por falta de orientação adequada (doenças causadas por falta de nutrientes corretos).

A FAO, órgão da ONU – Organização das Nações Unidas, para agricultura e alimentação mundial, diz que o mundo hoje tem capacidade de alimentar 12 bilhões de seres humanos, mas mesmo assim, tanto nos países pobres e em desenvolvimento vemos a miséria, a fome e a subnutrição acontecerem diante de nossos olhos, e o mundo percebe-se impotente para fazer chegar a quantidade nutricional necessária a segurança alimentar dessas pessoas desses países. Na produção e transporte, esses países perdem a maior parte de suas riquezas alimentícias. Por outro lado, sabe-se que nos países desenvolvidos são vistas as maiores quantidades de desperdícios em alimentos no seu consumo, e a contra senso, são onde há mais obesos e doenças decorrentes do uso inadequado de nutrientes.

Dentre as teorias existentes sobre a fome, sabe-se que é problema estrutural e conjuntural, podendo-se ter autosuficiência na produção de alimentos, mas pela má-distribuição de renda, estes não podem ser obtidos de forma constante pelas populações, principalmente dos países menos desenvolvidos (vide o Nordeste brasileiro, P. ex.).

Após as revoluções verdes, praticamente todos os países produzem em quantidade razoável alimentos (exceto poucos), mas vemos que em países como a India, que trabalhou constantemente para aumentar a produção usando modernas tecnologias, ainda tem graves problemas e seu povo vive em insegurança alkimentar hoje.

No enfoque liberal, poderíamos dar acesso a segurança alimentar a todas as populações do planeta, usando controles de preços, logísticas, políticas públicas de assistência social e permitindo acesso a todos a qualidade e quantidade nutricional diária (ao redor de 2.500 Kcal). Numa abordagem em economia política, vemos que os países usam principalmente os comodities e sua produção de alimento essencialmente como moeda, dificultando o acesso aos alimentos ao não regular preço e reter estoques por disputar mercados.

A food safety Também decorre de todos os processos, desde a plantação, a produção, o transporte, a estocagem, a regulação de mercados e preços até a chegada do alimento a mesa de quem tem condição de adquirir e também de quem não consegue. Aí entra o assistencialismo e as políticas públicas. Os riscos e aceitações dos níveis de segurança alimentar devem ser baixos para as populações e todos devem ter o direito de acesso a segurança alimentar e nutricional adequada e constante.

A fome, a desnutrição e a conseqüente insegurança alimentar mundiais nos dias de hoje, sem dúvida são um problema social e que deve ser analisado de forma multidisciplinar. É de ordem econômica, política, educacional, logística e também de outras cátedras e, para sua diminuição a nível mundial, tem que ser analisada e reformulada pelos governos de forma global e conjunta pelos países, notadamente os mais ricos e que detém as grandes produções de alimentos, para que estes sim cheguem e de forma acessível e constante a todas as populações, para assim ser minimizada ao máximo a insegurança alimentar que se vive em boa parte do globo.

Pelo exposto, depreende-se que a insegurança alimentar e nutricional das populações mundiais hoje, ocorre, principalmente por total falta de acesso e implementação de boas políticas públicas necessárias a dar nutrição digna as populações. Assim sendo, temos que aprimorar as políticas mundiais de estado governo com urgência, a fim de assistir no que toca aos modernos preceitos mundiais da ONU, FAO e organismos nacionais e internacionais que dizem que o acesso a correta segurança alimentar é um DIREITO fundamental de todos, não só dos menos favorecidos, principalmente no acesso a segurança alimentar e nutricional constante, a saúde, educação, trabalho e etc., enfim uma vida digna e de evolução social e econômica permanente, para que tenhamos realmente um mundo de direitos humanos respeitados.