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Autoridades de saúde dos EUA defendem pulverização aérea contra mosquitos e governo de Miami-Dade estende as operações do bairro Wynwood para Miami Beach

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  1. No meio da controvérsia em torno do uso de aviões no combate a mosquitos nos Estados Unidos, autoridades de saúde saíram em defesa da pulverização aérea na Flórida. A discussão ganhou corpo depois que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) iniciou operações com avião no bairro Wynwood, ao norte do Centro de Miami. A ação ocorreu em agosto, após a confirmação 29 casos autóctones de zika. Foi o primeiro local nos EUA em que os doentes não haviam contraído o vírus em outros países, o que acendeu sinal vermelho para as autoridades sanitárias.

    O uso do inseticida naled chegou a reduzir em 90% a população de mosquitos adultos, segundo o diretor nacional do CDC, infectologista e especialista em Saúde Pública, Tom Frieden. As pulverizações abrangeram aplicações em ultrabaixo volume a 30 metros de altura durante todo o mês. Devido à rápida reinfestação dos locais avaliados, as operações com aviões passaram a incluir também o larvicida bti, o que, segundo Frieden, representou “um duplo golpe” na população de Aedes aegypti. O bairro foi declarado livre de zika em 19 de setembro, depois de 45 dias sem nenhum caso novo da doença.

    Ainda em setembro as autoridades decidiram estender as operações para South Beach, depois de constatado um pico na população de mosquitos, que também teve um caso de zika. Nesse ponto, a decisão representou um revés no conceito anterior, de não seria adequado realizar pulverizações aéreas em zona de arranha-céus.

    A estratégia então foi pulverizar a 90 metros de altura sobre o mar, na Baía Biscayne. Com isso deixando que o vento levasse o produto para o meio dos prédios. “É a coisa certa e mais segura a se fazer”, comentou o prefeito de Miami-Dade, Carlos Gimenez, em reportagem do jornal Miami Herald no início de setembro. O mesmo jornal havia mencionado em agosto que a chamada blitz aérea contra o mosquito no bairro Wynwood teve um sucesso recorde.

    PESQUISAS
    Alguns especialistas ouvidos pelo Miami Herald na refutam a pulverização aérea como estratégia contra o Aedes aegypti argumentando que há pouca pesquisa sobre a técnica e que a espécie escapa da pulverização porque vive dentro de casa. Apesar disso, o diretor do CDC de Miami-Dade cita um trabalho realizado em Nova Orleans, onde um especialista chamado Brendan Carter também conseguiu 90% de sucesso na eliminação do mosquito da zika e da dengue em áreas abertas e abrigadas.

    Para o porta-voz da Associação de Controle de Mosquito dos EUA e entomologista aposentado da Marinha norte-americana EUA Joseph Conlon, trata-se de um ceticismo ultrapassado. “Esse tem sido o dogma ao longo dos anos, mas as técnicas têm melhorado imensamente”, comentou. “Os aviões que pulverizam naled sobre Wynwood produzem uma névoa capaz de flutuando em casas através de portas de tela e aberturas. Além disso, o Aedes aegypti de Miami é mais propensos a ser encontrado na parte externa”, completou.

    O CDC também relacionou dois estudos que mostram o controle eficaz de Aedes aegypti com malation durante surtos de dengue: Um publicado no Jornal da Associação Médica da Tailândia por pesquisadores na Indonésia, em 1977, e outro publicado no Jornal da Associação de Controle de Mosquito norte-americana, sobre um estudo em Nova Orleans, em 1987.

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