Imprensa

Disponibilidade de avgas e auxílio na formação de pilotos em pauta na Secretaria de Aviação Civil

/ /

A solução da crise de gasolina de aviação (avgas) no Brasil e a possibilidade do governo federal retomar o Programa Bolsa-Piloto foram os destaques na reunião entre o Sindag e o Sindicato Interestadual das Escolas de Ensino da Aviação Civil (Sineac) com o secretário Nacional de Aviação Civil do Ministério da Infraestrutura, Ronei Saggioro Glanzmann, na quarta-feira (21). O encontro ocorreu na sede do órgão, em Brasília e foi articulado pelo senador Luis Carlos heinze (PP/RS). O Sindag foi representado pelo assessor parlamentar Pietro Rubin e o Sineac pelo presidente do Aeroclube de Eldorado do Sul, Wilson Schmidt.

Sobre a pauta comum entre os dois sindicatos, Glanzmann procurou tranquilizar o setor quanto à questão da avgas, garantindo que a Petrobras tem um plano organizado de importação e distribuição de combustível de aviação para que não se repita o desabastecimento que preocupou o mercado entre o final do ano passado e o início de 2019 e novamente entre os últimos meses de junho e julho. Deixando escolas sem pode voar e o setor aeroagrícola à beira de não conseguir proteger as lavouras – especialmente no Sul, onde está a maior parte das aeronaves agrícolas movidas a avgas.

Conforme o secretário de Aviação Civil, a repercussão da crise da avgas acabou envolvendo diretamente os ministros da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em conversas com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. Por parte do Sindag, a preocupação com o tema é acentuada pelo fato de o final de agosto marcar o início das operações de safra principalmente no Rio Grande do Sul, onde está segunda maior frota aeroagrícola do País (com 427 aviões), a maior parte dela a avgas. Além disso, o tema foi discutido em um fórum com distribuidores no Congresso da Aviação Agrícola, encerrado no início do mês, em Sertãozinho/SP, para o qual a Petrobras não enviou representante.

PILOTOS

No caso dos cursos e pilotagem Sindag e Sineac pediram a Glanzmann apoio para incremento na formação de profissionais. As duas entidades discutem também com a Anac e outros órgãos federais melhorias nos cursos de pilotos. O sindicato aeroagrícola está de olho na possível crescente demanda por profissionais em seus quadros, na carona do incremento previsto na safra de grãos, de 240 milhões para 300 milhões de toneladas até 2028. Por parte do Sindag, a intensidade do trabalho aeroagrícola exige uma boa formação desde as etapas básicas do aprendizado, nos cursos de piloto privado e comercial – depois disso, para entrar em uma escola de piloto agrícola, o candidato tem que ter licença de piloto comercial e ainda somar 370 horas de voo.  

A sugestão imediata à Secretaria de Aviação Civil foi a retomada do programa Bolsa-Piloto, que pagava horas de voo em cursos de piloto privado e comercial, com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). A última edição do programa ocorreu entre 2015 e 2016.  Glanzmann destacou que a Secretaria está realizando um estudo sobre gargalos na formação de pilotos, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que deve ser concluído até o ano que vem. Mas pediu aos técnicos da pasta que avaliem a possibilidade de implementar ainda este ano um novo programa para formação de pilotos, utilizando os recursos do FNAC.

Glanzmann (ao fundo), junto com técnicos da SAC, conversaram com Rubin, Schmidt e Heinze (da dir para esq)