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Eficiência: Brasil consome menos agroquímicos do que Japão, França, Itália e vários outros países

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As informações sobre o Brasil é o maior consumidor de agroquímico do mundo a partir unicamente do valor absoluto da quantidade de produtos utilizados é desconectada da realidade. Principalmente quando o tema é segurança na produção de alimentos no País. Ao se avaliar a quantidade de produto utilizada por hectare ou por tonelada de produto agrícola produzido, o consumo brasileiro de defensivos fica abaixo do volume utilizado em boa parte da Europa (Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha e Polônia) e de países como Japão, Corei do Sul, Canadá e Estados Unidos. Essa é a conclusão de um estudo apresentado na última semana, no fórum Diálogo: Desafio 2050 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade Estadual Paulista em Botucatu (Unesp).

O evento ocorreu quinta-feira (dia 30), em São Paulo e foi promovido pela Agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (Fao), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) e Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). A apresentação da Unesp ficou a cargo do professor Caio Carbonari, um dos autores da pesquisa, e demonstrou, entre os dados curiosos, o fato de que o Japão, campeão mundial de longevidade da população, usa oito vezes mais agroquímicos que o Brasil.

A palestra de Carbonari foi no painel Mitos e Fatos e, segundo ele, a discussão em torno dos agroquímicos precisa, antes de tudo, ser trabalhada com dados e informações científicas. “A agricultura brasileira só conseguiu ter o avanço que teve com tecnologia, inovação e o uso de diversos insumos, entre eles os defensivos.” Para o professor, uma discussão mais efetiva implica em “olhar os indicativos de risco dos produtos e avaliar o risco do que nós estamos fazendo com esses produtos”.

Clique AQUI para acessar a apresentação de Carbonari

APROFUNDAR O DEBATE

O dado vai ao encontro do que o próprio Sindag tem manifestado em encontros, audiências públicas e entrevistas sobre uso de agroquímicos e segurança da aviação agrícola. Nesse sentido, o foco tem sido buscar aproximação com a sociedade para eliminar os mitos de uma análise simplista dos fatos e realmente aprofundar o debate frisando as boas práticas no campo. Inclusive em parceria com a indústria química.

A pesquisa da Unesp complementa um estudo parecido publicado no ano passado pela Unicamp. Na ocasião, a eficiência brasileira foi comprovada no trabalho do professor Luiz Lonardoni Foloni. Segundo ele, em quilos por hectare, o Brasil consome sete vezes menos defensivos do que a Holanda, seis vezes menos que o Japão, metade do que usa a França e menos do que é aplicado na Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. Isso apesar do Brasil chegar a três safras por ano e produzir sob um clima quente e úmido, que favorece a proliferação de insetos e doenças nas lavouras.

DEMANDA E SUSTENTABILIDADE

Entre as nove apresentações do fórum Desafio 2050, o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, informou que os mais recentes estudos da ONU indicam que a população mundial deverá atingir a marca de 9,8 bilhões pessoas em 2050, estabilizando-se apenas em 2100, quando deverá atingir 11,2 bilhões. “Dessa forma, o volume total de alimentos a ser produzido no mundo deverá crescer em 70%, alcançando a marca de 2,6 bilhões de toneladas de grãos. Desse total, 8% deverá ser fornecido pelo Brasil”, explicou Bojanic.

Na temática da produtividade ambientalmente sustentável, o presidente da Cooperativa Agrícola de Maringá/PR (Cocamar), Luiz Lourenço, apresentou exemplos de sistemas produtivos que recuperam áreas degradadas com integração lavoura/pecuária. “Há exemplos de pecuaristas no interior do Paraná que conseguiram ampliar em até três vezes a produtividade do gado de corte apenas com práticas de recuperação de áreas degradadas”. Segundo ele, a estimativa é de que o Brasil possua cerca de 50 milhões de hectares de áreas que podem ser recuperadas para o plantio.

O encerramento do evento ficou a cargo do presidente da Embrapa, Maurício Lopes, com a palestra Caminhos para Chegar em 2030 e em 2050. Pare ele, o Brasil precisa utilizar iniciativas como o Código Florestal ou o programa de Agricultura de Baixo Carbono como uma verdadeira marca de país sustentável. “Temos de mostrar ao mundo que tivemos a coragem de adotar uma política na qual os produtores agrícolas destinam 20% de suas áreas para preservação ambiental. Nenhum outro país do mundo tem isso para oferecer. Essa deveria ser uma marca a ser trabalhada pelo Brasil no exterior”, concluiu Lopes.