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Entidades acusam inconsistências em relatório sobre contaminação de água

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Levantamento divulgado na última semana pela Agência Pública, Repórter Brasil e organização Public Eye foi repercutido na íntegra por boa parte da imprensa no País e contrapontos acusam problemas tanto na fonte primária quanto na interpretação dos dados

    A Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) reagiu nessa segunda-feira (22), com uma nota sobre a notícia divulgada na última semana (e repercutida quase na íntegra por boa parte da imprensa brasileira) pela Agência Pública, Repórter Brasil e organização Public Eye, sobre a presença de resíduos de agrotóxicos detectados entre 2014 e 2017 na água em municípios brasileiros. No texto, a Andef chama a atenção para o fato de que as informações foram publicadas com base na utilização de informações e pesquisas absolutamente desconhecidas por autoridades nacionais e internacionais. Mais do que isso, de foram alarmistas.

    A matéria trata de forma cientificamente distorcida a questão do resíduo de agroquímicos na água dos municípios brasileiros, já que apenas 0,3% das análises realizadas estão acima dos valores máximos estabelecidos pelas autoridades brasileiras. O texto importa parâmetros europeus e faz uma análise fora do contexto da realidade brasileira, um país tropical e com mais de 65% do seu território coberto por vegetação nativa. Além disso, a associação lembra que os ingredientes ativos constantes na matéria original também são usados por outros setores, como por exemplo produtos veterinários, controle de pragas urbanas, saúde pública e outros.

SERGIPE E PARANÁ 

    Reação parecida teve, também nessa segunda, a Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe. O Estado foi apontado pela notícia distribuída pelas três agências como estando na 9ª posição no ranking de presença de agrotóxicos na água consumida pela população. Dados que o gerente de Vigilância em Saúde Ambiental da pasta, Alexsandro Xavier Bueno, acusa de serem inconsistentes. “Na avaliação dos resultados da pesquisa, podemos afirmar que cerca de 96% dos registros de presença de agrotóxicos apontados para o estado de Sergipe foram equívocos e que o município de Itabaiana, por exemplo, não registrou a presença de nenhum pesticida na água, como consta na reportagem”, destaca o gerente.

    A matéria também provocou críticas de empresas de abastecimento em diversas partes do País. Responsáveis pelo controle diário da qualidade da água fornecida para as populações tanto de cidades quanto em localidades rurais, muitas reclamaram da forma leviana como foram usados dados do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), do Ministério da Saúde – fonte principal dos dados.

    A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), por exemplo, divulgou notícia ainda na última semana apontando que os dados divulgados estão incompletos. “No momento de registrar os resultados de suas análises, não há no cadastro do Sisagua a opção de informar a não detecção do princípio ativo do composto. O Sistema de Informação aceita apenas o registro como ‘no limite’ em vez de ‘ausente’. Desta forma, fica registrada a presença de agrotóxico na água, mesmo que não tenha sido detectada, distorcendo a informação”, informou a companhia.

    Nesse sentido, a própria Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), e a Associação das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) do Paraná estão cobrando explicações do Ministério da Saúde sobre os dados divulgados.