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Entidades cobram coerência e vereadores rejeitam proibição da aviação agrícola

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   Por 10 votos a 6, uma ausência e depois de muita explanação sobre consequências econômicas, sociais e mesmo ambientais de um projeto baseado em mitos, a Câmara de Vereadores de Araraquara, no interior paulista, rejeitou, na noite de ontem (dia 12) a proposta de proibir a aviação agrícola no município. A votação do Projeto de Lei nº 218/2017, do vereador Edio Lopes (PT), ocupou quase três horas da 68ª sessão ordinária do Legislativo, que foi aberta às 18 horas com casa cheia. No entanto, a discussão já havia se iniciado duas horas antes, com uma reunião no Plenarinho da casa, entre vereadores e representantes de diversas entidades do setor produtivo, que mais uma vez pontuaram as inconsistências da medida – como já havia ocorrido em vários encontros anteriores.

Veja AQUI o vídeo completo da sessão

   Manifestaram-se contrários à proposta de proibição, além do Sindag, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a Associação dos Fornecedores de Cana de Araraquara (Canasol), o Sindicato Rural de Araraquara, a Federação da Agricultura de São Paulo (Faesp), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SP) e até a Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores do Estado de São Paulo (Faamesp). “Mesmo o mais radical dos ambientalistas não iniciaria o seu trabalho eliminando justamente a melhor ferramenta de aplicação, aquela que usa o produto de maneira mais precisa e eficiente“, resumiu o secretário do sindicato aeroagrícola, Bruno Vasconcelos, sobre a incoerência da proposta de proibição.

   “O debate público deste tipo de projeto tem sido edificante. Temos sistematicamente sido bem sucedidos porque a técnica e o conhecimento estão do nosso lado”, completou, Vasconcelos, no encontro com os vereadores. O próprio presidente da Faamesp, Alcindo Alves, também se manifestou (por escrito), ressaltando que a proibição das operações aeroagrícolas não impediria casos de mortandade de abelhas no Estado, como defendido na justificativa da proposta. Segundo Alves, a solução para isso depende, na verdade da convivência pacífica e da articulação entre produtores rurais e criadores de abelhas.

TRIBUNA

   Já na tribuna, durante a sessão, a assessora Jurídica e de Sustentabilidade da Unica, Renata Camargo, ressaltou outros contrassensos do projeto, como a alegação de que 70% do produto aplicado por avião se perde. “Isso não é razoável ou racional. Trata-se de uma mentira”, destacou, depois de ponderar sobre qual produtor ou empresário conseguiria operar com uma perda tão alta de um produto que é caro. Ela ainda frisou: “Proibir a pulverização aérea é proibir a cana-de-açúcar em São Paulo”.

   Na mesma linha, o gerente geral do Fundecitrus, Antônio Juliano Ayres, destacou que “não há agricultura saudável e viável sem a aviação agrícola”. Ele reforçou a fala de todos os representantes de entidades agrícolas presentes na sessão, sobre a irracionalidade de se propor a proibição alegando que incompatibilidade da convencional (com o uso de químicos) com a apicultura e a agricultura orgânica: “O que se está propondo é uma insanidade. ” Ayres havia falado também na reunião antes da sessão e ponderou que o próprio Fundecitrus pesquisa práticas orgânicas. Ele destacou ainda a preocupação manifestada pelo próprio secretário de Agricultura de São Paulo, Franscico Jardim, devido a importância do setor aeroagrícola para o Estado.

   Também defenderam o setor aeroagrícola o coordenador do Senar/SP em Araraquara, João Henrique de Souza Freitas, e a vice-presidente da Canasol, Tatiana Caiano Teixeira Campos Leite – que falou ainda em nome do Sindicato Rural. Diversos empresários e pilotos agrícolas também foram à Câmara acompanhar in loco a sessão

   Nas falas dos vereadores, os parlamentares que votaram contra a proibição ressaltaram a importância da agricultura para o município e a necessidade de se aprofundar o debate sobre o tema. Já o autor da proposta defendeu seu projeto e questionou os argumentos do setor produtivo. “Não acho justo que os agricultores locais sejam prejudicados devido às grandes empresas, mas a democracia consiste nisso, no debate, que acredito ter sido bastante construtivo”, concluiu.  

Bruno Vasconcelos falou pelo Sindag aos vereadores, antes da sessão Foto: Jaqueline Ribas/Fundecitrus

Antônio Juliano Ayres expôs a preocupação do Fundecitrus Foto: Marcelo Amaral/Sindag

João Henrique de Souza Freitas falou pelo Senar/SP                  Foto: Marcelo Amaral/Sindag

Empresários aeroagrícolas e representantes da produção lotaram a Câmara durante a sessão – Foto: Marcelo Amaral/Sindag

Antonio Juliano Ayres (gerente geral do Fundecitrus) falou sobre a preocupação sobre o tema manifestada pelo secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Franscico Jardim – Imagem: Marcelo Amaral/Sindag

O coordenador do Senar/SP em Araraquara, João Henrique de Souza Freitas, também destacou o contrassenso do projeto- Imagem: Marcelo Amaral/Sindag