Imprensa

Entidades do agro, governo e autoridades lançam manifesto pró-aviação agrícola no Ceará

/ /

Entidades e autoridades ligadas ao Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense (Agropacto) lançaram nessa terça-feira (dia 3) um Documento Público de apoio à manutenção da pulverização aérea no Estado. Foi no final do 1º Workshop sobre aviação agrícola no Ceará, que ocorreu na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (FAEC), em Fortaleza. O evento foi promovido pela FAEC, em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pesca e Aquicultura do Estado (Seapa), junto com o Sindag, o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), a Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adagri) e o Serviço de Inspeção e Sanidade Vegetal da Superintendência Federal de Agricultura do Ceará (SFA/CE), além do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

A abertura foi feita pelo presidente da FAEC, Flavio Saboya e o evento teve como objetivo desmistificar a aviação agrícola e levar informações e esclarecer dúvidas sobre o setor – sua importância, legislação, tecnologia envolvida, história e, principalmente, segurança – ao público. Estiveram presentes ainda o secretário estadual de Agricultura, Euvaldo Bringel, e o coordenador de Agricultura Irrigada da Seapa (que coordenou o Workshop) Erildo Pontes, além do deputado estadual Sérgio Aguiar (PDT) – presidente da Comissão de Constituição Justiça e Redação da Assembleia Legislativa cearense, que também assinou o documento do encontro – e o assessor do deputado Carlos Matos (PSDB).

MANIFESTO

O Documento Público (leia-o na íntegra AQUI) será enviado ao governo do Estado, Assembleia Legislativa, Conselho Estadual do Meio Ambiente e outros órgãos e entidades do Estado. No texto, as autoridades e entidades signatárias destacam a importância, segurança e legislação regulatória da aviação agrícola. Reforçando, por exemplo a alta formação exigida do pessoal envolvido nas operações, bem como o pátio de descontaminação, o uso do DGPS e os relatórios enviados mensalmente ao Ministério da Agricultura.

A carta relaciona ainda todos os órgãos encarregados de fiscalizar os operadores e a proatividade do setor, em iniciativas como o programa Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS). Além disso, entre várias outras informações, cita a importância da aviação para a segurança da lavoura de banana, que no Ceará é responsável por quase 24 ml empregos diretos e nas pulverizações aéreas chega a usar apenas meio litro de fungicida por hectare.

Também marcaram presença Workshop representantes da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), dos Bancos do Brasil (BB) e do Nordeste do Brasil (BNB), presidente de sindicatos rurais, produtores, agrônomos e técnicos do setor primário. O Agropacto abrange representantes de entidades do setor produtivo, câmaras agrícolas, sindicatos rurais, bancos de fomento e órgãos governamentais. Além do Sindag, que desde março é membro permanente do grupo.

Secretário da Agricultura Euvaldo Bringel lembrou que a aviação agrícola é tema de um debate acirrado no Estado, principalmente pela tentativa de proibição por parte do Projeto de Lei 18/2015, do deputado Renato Roseno (PSOL). “Muitas vezes as pessoas são contra o uso de defensivos, mas não tem conhecimento da realidade”, comentou, reforçando a necessidade de diálogo com a sociedade.

INFORMAÇÃO X MITOS

Empolgado com o clima no Workshop, o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, elogiou a iniciativa do Agropacto, envolvendo membros de tantos setores do agronegócio. “Inclusive com as entidades que fiscalizam o setor. O que dá a racionalidade e profundidade que o tema exige, para informarmos corretamente à sociedade e, ao mesmo tempo, aperfeiçoarmos o que for preciso.”

Colle foi um dos palestrantes da manhã, falando sobre o tema Aspectos técnicos da aviação agrícola no Brasil. Ele fez um apanhado sobre a história e atualidade do setor aeroagrícola no País, abordando projetos do Sindag, o papel do setor aeroagrícola na segurança alimentar do País e até em ações de combate a incêndios em reservas naturais em diversos Estados.

A vice-presidente executiva do Sindiveg, Silvia de Toledo Fagnani, também elogiou o evento.  “Conseguimos discutir abertamente e com profundidade o tema com todos os presentes, eliminando vários mitos acerca do uso de defensivos e sobre a pulverização aérea”, ressaltou. Para Sílvia, ficou mais uma vez claro a falta de informação que existe na sociedade sobre o tema e a necessidade de se realizar mais debates como o dessa terça.

O representante do setor aeroagrícola no SNA, Giani Bozetto, teve a mesma impressão. “Foi bastante produtivo. Acredito que consolidamos uma visão correta da importância da aviação agrícola, ao menos em todo o público ligado ao agronegócio”, completou, destacando que o debate foi importante também para se estabelecer uma estratégia para que as informações cheguem a toda a sociedade.

O SNA levou a Fortaleza também o engenheiro agrônomo e consultor Marcelo Drescher, que palestrou no Workshop sobre o tema A pulverização aérea no Brasil e no Ceará – destacando vantagens como o baixo volume de produtos, precisão nas aplicações e a economia de água no uso do avião para a tarefa.

O empresário Fábio Régis de Albuquerque, diretor da Sítios Barreiras – que lida com fruticultura no Ceará e outros Estados, destacou a importância do Documento Público elaborado no final do Workshop. Ele ressaltou que o setor aeroagrícola é fundamental para a fruticultura no Estado. “Teríamos resultados muito ruins com uma eventual proibição. Além do mais, quem trabalha no setor primário sabe que o quanto é injusta a maneira como a aviação agrícola vem sendo atacada”.