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Entidades tentam restabelecer a aviação agrícola na Rússia

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   Ações para salvar o setor aeroagrícola do país, que atualmente é dominada por aplicadores piratas usando ultraleves sobre as lavouras, é o foco da 1ª Conferência Russa sobre o Desenvolvimento da Aviação Agrícola, que nessa quarta-feira (24), em Moscou. O encontro ocorre dentro da 11ª Exposição Internacional da Indústria de Helicópteros – HeliRussia 2018, que começa no mesmo dia e vai até sábado. Além de especialistas da indústria da aviação e da agricultura, o debate deve contar com representantes dos Ministérios da Agricultura, dos Transportes e da Defesa da Rússia, Agência Federal de Transporte Aéreo e outras autoridades.

   “De alguma forma, foi esquecido que a aviação agrícola em todo o mundo era e é o meio mais poderoso de intensificar a produção agrícola.” A frase do portal de notícias russo Agro 2b dá bem o tom da preocupação que ronda o tema. Para se ter uma ideia de onde chegou a situação, atualmente nenhuma escola de pilotagem na terra da próxima Copa do Mundo oferece curso de piloto agrícola. Enquanto isso, a última geração de pilotos que tiveram formação própria para atuação em lavouras está prestes a deixar o mercado – e levar consigo sua experiência. Além disso, os próprios estudantes de Agronomia têm no máximo um conhecimento teórico sobre o setor.

   A ideia da direção da HeliRussia e do Fundo para o Desenvolvimento Agrícola é abrir o evento com a conferência aeroagrícola justamente para aproveitar também a presença de representantes das principais fabricantes mundiais de helicópteros e suas tecnologias. A feira terá a presença de empresas da Bielorrússia, Bélgica, China, República Tcheca, Finlândia, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Irã, Itália, Líbia, Lituânia, Malta, Polónia, África do Sul e Estados Unidos, além da prata da casa.

HISTÓRICO

   O próprio Fundo Agrícola já vem tentando há anos restabelecer o setor aeroagrícola russo. Tanto que em 2016 chegou a anunciar a criação da Associação de Aviação Agrícola do país. Justamente para desenvolver o setor e achar caminhos para substituir a frota dos velhos e obsoletos Antonov AN-2. Não por acaso, no ano passado as empresas A.G. Romashin e MVEN apresentaram o projeto do T-500, o primeiro avião agrícola projetado na Rússia moderna. Foi durante a MAKS 2017 Airshow, em Moscou. Feito de materiais compostos, com 12,4 metros de envergadura, velocidade de cruzeiro de 160 km/h e hopper de 500 litros, o avião ainda aguarda sua homologação.

   A história da aviação agrícola da Rússia se confunde com a trajetória do setor na antiga União Soviética. O início foi em 26 de junho de 1925, quando o piloto russo Alexander Tikhonovich Berbeka (veterano da primeira guerra mundial e da guerra civil russa) utilizou um biplano Konek-Gorbunok para combater gafanhotos na região da Carcóvia, Ucrânia. Já em 1982 (passados 57 anos e em plena Guerra Fria) um documento do Serviço de Informações sobre Transmissões Externas (FBIS, na sigla em inglês) informava que a aviação agrícola era responsável por 40% de toda a aplicação de fertilizantes nas lavouras da União Soviética, bem como mais da metade da aplicação de defensivos nos países do bloco. O que, em cinco anos, representou cerca de milhões de hectares tratados, a partir de 800 pistas e helipontos.

Nota: o FBIS era ligado à Central de Inteligência dos EUA (CIA), com a missão de coletar e analisar informações a partir do monitoramento de transmissões internacionais (de governos, instituições e imprensa).

Projeto de 1947, o Antonov AN-2 ainda é o avião mais utilizado na aviação agrícola legalizada na Rússia