Claud Ivan Goellner

O uso da aplicação aérea no controle de mosquitos vetores em saúde pública e suas vantagens.

Claud Goellner*

 

Há duas espécies principais de mosquitos do gênero Aedes capazes de transmitir, além da dengue, outras arboviroses como chikungunya, zika e febre amarela: Aedes aegypti e Aedes albopictus. A sua ampla dispersão é favorecida nos ambientes urbanos, preferencialmente no intra e no peridomicílio humano. A presença dos criadouros em ambiente de convívio com o homem favorece a rápida proliferação da espécie, por dois aspectos: condições ideais para reprodução e fontes de alimentação. O Ae. aegypti está presente em todas as unidades da Federação,  e distribuído em, aproximadamente, 4.523 municípios.

 

A dengue continua sendo um importante problema de saúde pública no Brasil, com a emergência de novos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti e o maior potencial de evolução para óbito.  Já existem 2300 casos de óbitos confirmados e  em 2018, até agosto foram confirmados  mais 100 óbitos e havia 168 ainda por confirmar. A ampla distribuição dos vetores da doença no Brasil e o intenso deslocamento das pessoas tornam o país vulnerável à disseminação do vírus CHIKV, fato este comprovado em 2014, quando a febre de chikungunya estabeleceu transmissão autóctone no Brasil e rapidamente expandiu suas áreas de ocorrência nos anos seguintes, com um incremento de cerca de dez vezes em suas taxas de incidência e com a clara expansão territorial da doença, incialmente concentrada na Região Nordeste, e posteriormente presente em 25 das 27 unidades federadas com circulação autóctone. Em 2018, até foram registrados 72.117 casos prováveis de febre de chikungunya no país,

 

O Brasil teve aproximadamente 196.976 casos de zika em 2016, com as maiores taxas de incidência nas regiões Centro-Oeste e Nordeste. A sazonalidade de zika é semelhante à sazonalidade de dengue, com predomínio no primeiro semestre do ano. A circulação simultânea de dengue, zika e chikungunya aumenta a importância de medidas integradas e mais efetivas de controle do inseto vetor, pois são as mesmas para o vírus zika, dengue e chikungunya transmitidas pelos mosquitos do gênero Aedes, compondo o grupo de arboviroses urbanas de maior importância para a saúde pública do País. Além disto, o inesperado aumento no coeficiente de prevalência de nascidos vivos com microcefalia, principalmente na Região Nordeste do País, a partir de outubro de 2015 foi atribuído à provável exposição intrauterina ao zika vírus, com elevado percentual de óbitos tendo sido confirmados como resultantes desta exposição.

 

Diante dos desafios de controle do vetor e de um quadro grave e preocupante em relação às arboviroses delineado pela expansão destes vírus em todo o mundo, torna-se imprescindível a adoção de estratégias específicas, com maiores investimentos em métodos adequados, que forneçam sustentabilidade às ações estabelecidas pelas redes de vigilância, além de ensejarem uma maior efetividade nos programas de controle vetorial. Assim, em face do atual cenário de surtos e epidemias de zika, chikungunya e dengue, novas tecnologias e métodos de controle devem ser experimentados e a pulverização aérea, já utilizada em outros países, é uma das situações onde preconceitos e resistências pouco fundamentadas devem ser quebrados.

 

 

*Professor Titular Aposentado de Toxicologia, Ecotoxicologia e Toxicologia de Alimentos em cursos de Agronomia, Engenharia Ambiental, Farmácia, Engenharia de Alimentos e Medicina Veterinária em várias Instituições de Ensino Superior no Rio Grande do Sul. Atualmente consultor na área.