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Pesquisa sobre deriva comprova segurança da aviação agrícola

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A segurança da aviação agrícola foi comprovada em uma pesquisa de campo realizada neste mês em Rio Verde/GO e cujo resultado foi apresentado na última semana. O estudo comparou o risco de deriva (quando o produto aplicado se desloca da faixa aplicada) para pulverizações feitas por avião, por equipamento terrestre (autopropelido) e por equipamento costal (com bombeamento manual pelo operador). A ação foi promovida pelo Sindicato Rural de Rio Verde, em parceria com a Universidade de Rio Verde, Instituto Federal Campus Rio Verde, Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola e Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) e com apoio do Centro Tecnológico da Comigo (CTC).

O trabalho deixou claro que o fenômeno da deriva é causado muito mais pela não observância das condições atmosféricas do que pelo método de pulverização empregado (se terrestres ou aéreo). Na prática, com parâmetros climáticos abaixo dos níveis de segurança, mesmo a pulverização costal teve uma deriva avaliada de 30 metros – nesse caso, um resultado não conclusivo, já que esse foi o limite da faixa de papeis hidrossensíveis para o teste e, provavelmente, o produto se deslocou para além disso.

Quanto à aplicação aérea, a deriva máxima conseguida – ao propositadamente se forçar uma operação fora das normas de segurança de temperatura, umidade e velocidade do vento – foi de 180 metros. Ou seja, ainda assim abaixo das faixas de segurança previstas na legislação, que é de 250 metros de mananciais de água, moradias isoladas e agrupamentos de animais e de 500 metros de povoações, cidades, vilas, bairros e mananciais de captação de água para abastecimento humano.

Outro ponto importante do estudo no caso da aviação agrícola foi a constatação de que, apesar do deslocamento do produto aplicado ter chegado a 180 metros (na operação propositadamente insegura), a presença de gotas a partir dos 25 metros foi abaixo do necessário para o produto ser eficaz. E depois dos 50 metros a concentração de gotas foi ínfima.

Segundo dados da Anac, o Brasil possui uma frota de cerca de 2 mil aviões agrícolas e, conforme o IBGE, o País tem 973.438 pulverizadores costais e 458.055 pulverizadores terrestres (Censo Agropecuário de 2006).

BOAS PRÁTICAS

A apresentação dos dados ocorreu na quinta-feira (23) no Centro Tecnológico da Comigo (CTC), em Rio Verde. Foi com a com a palestra Segurança e Boas Práticas em Aplicações, do engenheiro agrônomo e consultor do SNA Marcelo Drescher. Os resultados foram bastante esperados pelo setor, inclusive pela credibilidade das entidades envolvidas. “Trata-se de um material importante não só para atestar a segurança da aviação agrícola, mas para trabalharmos junto aos operadores para que continuem garantindo essa segurança para a sociedade. Além de ajudar a derrubarmos mitos que ainda existem não só sobre o setor aeroagrícola, mas sobre todo o agronegócio”, avalia o presidente do Sindag, Júlio Augusto Kämpf.

Os testes de deriva foram realizados no dia 6 de novembro, em uma área de produção de grãos no CTC da cooperativa Comigo, em Rio Verde. O Sindag foi representado pelo diretor Tiago Textor e, para os ensaios, foram utilizados coletores horizontais e verticais (papéis hidrossensíveis) posicionados fora da faixa de aplicação.

Clique AQUI para ver o resultado da pesquisa, no Boletim Técnico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano