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A produtividade do agronegócio brasileiro: a “ponta do iceberg” de um setor bem sucedido

A produtividade é um conceito econômico fundamental
para medir o desempenho de uma empresa, economia ou setor,
uma vez que permite aferir quão eficientemente são
utilizados os insumos para produzir os bens e serviços.
A forma mais simples e mais comum de medir a
produtividade agrícola é por meio da razão entre a produção
agrícola e a área plantada, também chamado de rendimento
médio. Nesse caso, é mais eficiente a agricultura que
produz uma quantidade maior de gêneros agrícolas a partir
de uma mesma quantidade de terra plantada.


Ao analisar detidamente a evolução das produtividades
médias da soja, algodão, milho e arroz no Brasil desde
1974, observa-se que o rendimento médio das culturas
apresentou tendência consistente de alta desde então.
Interessante notar que nesse mesmo período, a economia
brasileira foi exposta a um sem número de desafios internos
e externos, entre eles, o Brasil foi exposto a dois choques
do petróleo (1974 e 1978), a economia brasileira passou por

cinco planos econômicos e a economia brasileira apresentou
períodos de hiperinflação.
Conquanto as variáveis macroeconômicas tenham oscilado
fortemente na economia brasileira, o setor agropecuário,
quando comparado com o setor industrial e de serviço, foi o
que apresentou a maior taxa de crescimento acumulada do PIB
entre 1988 e 2017, sendo, segundo dados do IBGE, 379% para
o setor agropecuário, 161% para o setor industrial e 334%
para o setor de serviços.
Qual seria então o motivo para o crescimento
sustentável da produtividade média dessas culturas? A
resposta a essa pergunta não é trivial e nem única, mas uma
coisa é certa, o desenvolvimento tecnológico e
institucional do setor associado com as características
climáticas brasileiras contribuiu fortemente para esse
desempenho.
Do ponto de vista tecnológico, pode-se citar, por
exemplo, (i) o árduo trabalho desenvolvido pela Embrapa em
termos de pesquisa, (ii) o desenvolvimento de variedades
transgênicas altamente adaptadas as condições
edafoclimátias do Brasil e (iii) o ingresso de agroquímicos
na agricultura brasileira.
No que se refere ao desenvolvimento institucional,
vale mencionar a entrada em vigor da lei no 7802/89 (lei de
regulamentação de agrotóxicos) e da lei no 11.105/05 (lei
de biossegurança). A primeira normatizou o uso de
agroquímicos no território nacional e a segunda estabeleceu
normas de segurança e mecanismos de fiscalização de
atividades que envolviam organismos geneticamente
modificados (OGM) e seus derivados.
Portanto, a despeito de todas as dificuldades
econômicas e políticas enfrentadas pelo Brasil nos últimos
40 anos, pode-se dizer que setor agropecuário, ao investir
continuamente em tecnologias e ao instituir legislações
específicas, tornou-se o setor mais produtivo do PIB
brasileiro e a produtividade das principais culturas
agrícolas representa, apenas, a “ponta do iceberg” de um
setor bem sucedido.