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Projetos contra a aviação são alvo de críticas de jornalistas por falta de lógica das propostas

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Projeto em Santa Catarina elevaria a quantidade de produto aplicada na produção de banana, com maior risco de exposição para trabalhadores e provocando perdas, exatamente como no Ceará

Dois colunistas de jornais, um do Nordeste e outro do Sul, bateram esta semana em iniciativas com foco na limitação da aviação agrícola em seus Estados. Ambos criticando, falta de profundidade de parlamentares que não consideraram a consequência de seus atos para a economia e a própria segurança ambiental.

O primeiro deles foi o jornalista Egídio Serpa, na edição de ontem do Diário do Nordeste, de Fortaleza. Com 60 anos de carreira e passagem por jornais como folha de São Paulo e Jornal do Brasil, além das principais empresas jornalísticas do Ceará, Serpa mais uma vez destacou o quanto a iniciativa de proibir a aviação agrícola no Estado (aprovada na votação a roldão de diversos projetos em dezembro, na saída dos deputados para o recesso de Natal) acabou gerando consequências contrária ao se prometia. A começar pelo volume quase sete vezes maior de calda de defensivos, aplicada por pulverizadores à pé na cultura da banana:

“Na Costa Rica, um dos maiores produtores mundiais de banana, faz-se uma pulverização aérea por semana nas áreas de produção. Ao redor dos bananais costarriquenhos, há grandes florestas, que são preservadas. A banana da Costa Rica é consumida nos EUA, Canadá e Europa. Aqui no Ceará, quando a pulverização aérea era permitida, faziam-se, sobre os bananais do Cariri e da Chapada do Apodi, no máximo duas pulverizações por ano. Por ano!! Gastavam-se 30 litros de calda de defensivo agrícola por hectare e usavam-se um piloto e dois ajudantes. Hoje, sem a pulverização aérea, usam-se 200 litros e 20 pessoas por hectare na aplicação manual do defensivo. Inacreditável.” Clique AQUI para conferir a publicação original.

SANTA CATARINA

O segundo foi o jornalista catarinense Raul Sartori, diretor do jornal O Trentino, de Nova Trento. Em sua coluna dessa quinta-feira (22), replicada em vários outros jornais, ele faz uma crítica à maneira como os deputados catarinenses tentaram fazer a mesma coisa com a produção de bananas em seu Estado.

“Na maior tranquilidade, e sem consultar os maiores interessados ou prejudicados, a maioria dos deputados estaduais estava se encaminhando para aprovar projeto de lei proibindo a pulverização aérea de lavouras em SC. Mas ficaram espantados com a presença de tantos bananicultores (3.400 famílias dependem da atividade no Estado) nas galerias do Palácio Barriga Verde, que foi retirado de pauta.  É um exemplo da espantosa a capacidade de nossos políticos legislarem dentro de gabinetes.” Clique AQUI para ler a coluna

No caso, o projeto retirado de pauta na última semana por pressão de famílias de produtores tinha também um parecer indicando consequências parecidas com o que ocorreu no Ceará: queda produção, aumento na quantidade de calda e várias pessoas tendo que lidar diretamente com o produto. Resultado: nessa terça (20), a proposta arquivada, com 100% de votos pela sua rejeição na Comissão de Constituição e Justiça da casa.