Colunas

Repense sobre o AGRO Brasileiro

O uso de defensivos agrícolas e de biotecnologia tem sido alvo de questionamentos, equívocos
interpretativos e de processos difamatórios feitos por grande parte dos meios comunicação.
Na contramão do marketing negativo, os alimentos geneticamente modificados e a evolução
de técnicas agrícolas são aliados nos processos de segurança alimentar, aumento da produção
e atendimento da demanda.
A melhoria da eficiência nos sistemas produtivos brasileiros sobressaem em muito à média
mundial. No que tange o aproveitamento das terras e recursos naturais, nos últimos 15 anos o
complexo produtivo brasileiro de grãos, cereais e leguminosas teve aumento em área de 41%,
e a produção cresceu 223%. Mais do que isso, a agricultura brasileira tem uso de apenas 8% do
território nacional – 61% permanece constituído de vegetação nativa. Ainda, o grande trunfo
do futuro produtivo nacional é a existência de 160 milhões de hectares de pastagens
implantadas, naturais ou degradadas que tem potencial de produção de grãos – sem derrubar
uma única árvore.
Entre os grandes países agrícolas, o Brasil apresenta um dos menores investimentos com
defensivos por tonelada produzida e por área plantada. Aqui são utilizados US$ 7,36/tonelada
de produção, na França US$ 22,14, Argentina US$ 12,44, EUA US$ 9,41 e Japão US$ 72,87.
Nosso trunfo é a tecnologia e o conhecimento
Em todos os critérios e seguindo qualquer referência, a quantidade de ingredientes ativos de
defensivos agrícolas utilizados por hectare no Brasil é inferior à média Norte Americana,
Argentina, Japonesa, Francesa e da UE como um todo, bem como a quantidade de dólares de
defensivos por tonelada de produção. Há grandes variáveis que influenciam nessa média,
como a cultura e o método de cultivo. Em suma, utilizamos 1/3 dos defensivos agrícolas por
hectare que a França, país que tem a maior bandeira contra o uso de biotecnologias e
agricultura convencional – questiona-se o intuito da discriminação das commodities brasileiras.
O uso de biotecnologias e sistemas produtivos mais eficientes fazem com que o produtor
brasileiro se destaque. Também deve ser levado em consideração as características do clima
tropical, onde são comuns pontes verdes entre um cultivo e outro. No aspecto produtivo é
uma vantagem inerente do clima brasileiro, mas se tratando de insetos e fitopatógenos, o
clima permite mais ciclos, estes ininterruptos das pragas e fungos – que pode ser
exemplificado no complexo de lagartas que atacam a cultura da soja, onde o inverno Norte
Americano a neve limita a multiplicação e a sobrevivência das lagartas. Assim, as
características do clima no Brasil justificam o uso de biotecnologias para supressão e controle
de insetos-praga nos cultivos – notadamente as tecnologias Bt (Bacillus thuringiensis)
responsáveis pelo controle e supressão de uma amplo espectro de lagartas.
O melhoramento genético permitiu incrementos em produtividade, maior sanidade, segurança
na produção, desenvolvimento urbano em regiões isoladas do Brasil, mas acima de tudo o

menor uso de defensivos, economia considerável de combustíveis fósseis – que eram
demandados nos cultivos convencionais nos processos de preparo e aplicação de herbicidas.
Dentre as melhoras nas técnicas no uso da terra, um dos marcos foi o Plantio Direto – fazendo
com que processos erosivos fossem mitigados, e diminuindo consideravelmente o uso de
herbicidas de solo.
E na economia?
Em meio à perspectiva macroeconômica desfavorável, em que o mercado prevê crescimentos
pífios no PIB Brasileiro, conforme levantamento do último relatório Focus do Banco Central.
Hoje o agro no Brasil representa 30% do PIB nacional, e correspondeu a mais de 50% das
exportações. Outra observação é a da melhora do IDH e PIB nas cidades do interior dos
estados, em comparação às regiões metropolitanas, pela maior dependência da agricultura e
em virtude da melhora na renda dos produtores.
Deve ser exaltada a vocação produtiva brasileira, sendo o maior exportador mundial de açúcar,
café, suco de laranja, soja em grãos, carne bovina e frango. Deve ser considerado que mesmo
em meio aos gargalos na logísticas, armazenagem e de incentivos na forma de subsídios, a
produção consegue chegar no mercado mundial sendo competitiva. No montante anual, os
países desenvolvidos do hemisfério norte aplicam mais de US$ 350 bilhões na forma de
subsídios, evidenciando baixa eficiência e o protecionismo. O orçamento da União Europeia no
PAC agrícola injeta 60 bilhões de euros ao ano – correspondendo a 14% da renda do produtor
em subsídios naquele continente. Aprovada em fevereiro de 2016, uma nova lei norte-
americana prevê gastos entre US$ 12,8 e US$ 19,8 bilhões anuais até 2018, com programas
direcionados a produtos específicos e à garantia de preço e renda aos produtores locais.
Mesmo frente à esse nível de concorrência, a nossa produção bate recordes de exportação
ano a ano.
O que esperar?
Dentre os desafios do agro brasileiro, um dos entraves é a falta divulgação dos tópicos
positivos – que deveriam ser amplamente comunicados. O uso da terra mais eficiente, as
grandes extensões de área com aptidão agrícola, a necessidade e potencial de prover
alimentos para o mundo. Com a crescente demanda, estima-se que em 2050 o mundo terá 9
bilhões de pessoas, e a oferta de alimentos deverá crescer em torno de 70% – desta, boa parte
provida pelos produtores brasileiros. Nesse passo a participação e o desenvolvimento do agro
brasileiro é amplamente discutido em fóruns agrícolas, sempre estando atentos ao papel que o
Brasil desempenhará no cenário futuro mundial. Também é fundamental serem iniciadas
discussões técnicas, que devem ir além da limitação ideológica com relação ao uso sustentável
de biotecnologias, que melhoram a eficiência produtiva e com menor impacto ambiental que
sistemas rotulados como ‘convencionais’. Temas de amplo debate deveriam ter maior
embasamento científico para discussões coerentes e produtivas.

*Referências: FAO, IBGE, CONAB, EUROSTAT, USDA, Banco Central Brasil