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Reportagem e artigos questionam as vantagens da produção orgânica sobre a convencional

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O cultivo de alimentos orgânicos necessita até 34% mais terras do que a agricultura convencional. O que, simplesmente substituindo as áreas hoje cultivadas de maneira convencional, faria a agricultura derrubar florestas (como a Amazônia) para conseguir atender a demanda de uma população mundial de 7 bilhões de pessoas. Além disso, a tecnologia envolvida no modelo que utiliza fertilizantes e outros insumos sintéticos (inclusive defensivos) possibilita a produção inclusive em áreas de deserto.
Resumidamente, esse é o ponto central de uma matéria publicada no sábado (dia 17), pelo jornal espanhol El País. A reportagem ouvir diversos cientistas e também repercute uma matéria publicada no dia 30 de novembro pela revista inglesa New Scientist, também questionando até que ponto os produtos orgânicos são mesmo ecologicamente corretos ou até mesmo seguros (veja AQUI).
A New Scientist, por sua vez, também cita um artigo no mesmo tom publicado em 2012 pela Nature – que é a revista científica mais citada no mundo (clique AQUI para ler).
Para o SINDAG, o tema traz novos elementos a uma discussão que ainda precisa ser bastante ampliada. Para o sindicato aeroagrícola, agriculturas convencional e orgânica se complementam: enquanto a primeira é que tem mais capacidade de investir em tecnologia, a segunda representa um grande laboratório de boas práticas na produção de alimentos.

DESVANTAGENS
“Está na moda aderir ao orgânico pelo atrativo da palavra, mas ninguém tem ideia de como é produzido”, explica na reportagem do El País o professor de Fisologia Vegetal Marco Antonio Oltra, da Universidade de Alicante. Sobre a demanda atendida pela agricultura convencional, ele ainda lembra a previsão da ONU, de que a população mundial deve crescer em mais 1 bilhão de pessoas até 2050.
Já o diretor do Instituto de Tecnologia Agroalimentar da Universidade de Girona (também na Espanha), Emilio Montesinos, com a agricultura convencional, tecnologicamente muito avançada, seria possível cultivar em regiões de estepe e até em desertos”.
Outro ponto levado em conta na reportagem é o de que a produção orgânica também gera maior emissão de dióxido de carbono na atmosfera. “Em um programa de produção orgânica de maçãs, por exemplo, o controle de uma doença muito frequente denominada sarna-da-maçã requer aplicações semanais ou mais frequentes, durante três meses, de produtos pouco eficazes como o bicarbonato de potássio, o enxofre e o caulim. No final desses cuidados, isto pode significar mais de doze tratamentos”, completa Montesinos. “Na agricultura convencional seriam usados fungicidas de sínteses muito mais eficazes e menos tratamentos, entre dois e cinco”.
Além disso, segundo o bioquímico e divulgador José Miguel Mulet, “o rótulo orgânico só diz que os que se utilizou é natural, mas não que seja melhor nem pior”, afirma.

Clique AQUI par ver a reportagem