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Revista da NAAA divulga estatísticas do setor aeroagrícola nos EUA

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Os Estados Unidos têm 1.560 empresas de aviação agrícola e 3.385 pilotos agrícolas, os aviões representam 84% da frota aeroagrícola e 16% são helicópteros, 81% da frota é de motores turboélice, o atendimento a lavouras cresceu 35% em sete anos, as operações contra mosquitos cresceram 26% e 7% dos operadores realizam operações noturnas, entre outros dados da pesquisa

    Um raio-X da aviação agrícola norte-americana é o destaque da edição de primavera da revista Agricultural Aviation, da Associação Nacional de Aviação Agrícola dos Estados Unidos (NAAA, na sigla em inglês), publicada na última semana (veja abaixo a versão eletrônica). A reportagem assinada pelo gerente de Comunicação da entidade, Jay Calleja, faz um resumo dos resultados concluídos agora de um censo no ano passado a partir de dados da safra de 2017. A base principal do trabalho foram entrevistas e questionários respondidos por 550 operadores aeroagrícolas e 350 pilotos, de 42 dos 50 Estados norte-americanos.

OPERADORES, PILOTOS E ÁREAS

   Segundo os levantamentos e estimativas, a aviação agrícola norte-americana trata hoje 38,85 milhões de hectares, contra 28,73 milhões que eram atendidos em 2012 – aumento de 35% em sete anos. Com isso também é possível dizer que o setor aeroagrícola dos EUA responde por 28% dos tratamentos feitos 137,6 milhões de lavouras existentes no país, segundo o seu Departamento de Agricultura (USDA). Pelo levantamento, o setor cresceu 16% em sete anos, contando hoje com 1.560 empresas de aviação agrícola e 3.385 pilotos agrícolas – dos quais 1.357 são também operadores e 2.028 são pilotos contratados.

Embora a pesquisa não mencione numero total da frota norte-americana, a estimativa da NAAA é de que haja cerca de 3,6 mil aeronaves agrícolas no país

IDADE E EXPERIÊNCIA

    A média de idade entre os operadores caiu de 55 para 53 anos e entre os pilotos ela caiu de 49,9 para 47,4 anos, sendo que 39% estão nas faixas até 40 anos – no comparativo com a pesquisa anterior, feita em 2012. Entre os entrevistados, a experiência dos operadores é de 12.4 mil horas de voo totais, das quais 10,2 mil horas em voo agrícola. Entre os pilotos contratados, a média é de 9,56 mil horas de voo totais e 7,45 mil horas em voo agrícola.

SALÁRIO

    Pela primeira vez desde 1998 (quando iniciou a série de levantamentos), a NAAA perguntou aos operadores quanto eles pagam de salário para um piloto com 1 mil horas de voo e dois anos de experiência no setor aeroagrícola. A média em salário anual foi de US$ 63,5 mil, mas com respostas que variaram de US$ 10 mil a US$ 200 mil.

    Em 2017, 71% dos pilotos contratados trabalharam em período integral e 29% meio expediente. Metade dos pilotos que trabalharam por tempo parcial receberam US$ 40 mil ou menos durante o ano. Enquanto metade dos pilotos que trabalharam tempo integral receberam US$ 100 mil ou mais durante o ano.

ASAS FIXAS, ROTATIVAS E TURBOS

    Os aviões representam 84% da frota aeroagrícola e 16% são helicópteros. O que significa um leve ganho de espaço das asas rotativas em relação à pesquisa de 2012, que tinha uma proporção de 87% para 13%. Além disso, o estudo confirma o crescimento constante das aeronaves com motores turboélices, que passou de 67% em 2012 para 81% na pesquisa de agora.

TECNOLOGIAS

    Entre as tecnologias embarcadas, a pesquisa constatou que 99,3% das aeronaves utilizam DGPS em suas operações. Uma das empresas pesquisadas admitiu que ainda utiliza bandeirinhas (auxiliares com bandeiras indicativas) em solo para assinalarem as faixas de aplicação e outro utiliza bandeiras fixas indicando o início e término de cada faixa nas lavouras.

    Além disso, 81% das aeronaves são equipadas com lançado de fumaça, para conferir a direção e velocidade do vento pouco antes da aplicação. A tecnologia embarcada predominante tem também fluxômetro de líquidos em 74% das aeronaves e de sólidos em 30% dos aparelhos.

    Outro dado interessante é que 4% dos operadores também incorporaram drones em suas frotas. Os aparelhos não-tripulados são usados para sensoriamento remoto ou geração de imagens e também para pulverizações.

    No caso das imagens, elas são utilizadas por 12% dos operadores, inclusive para aplicações com taxas variáveis – onde é essencial a presença do fluxômetro conectado ao DGPS.

OPERAÇÕES NOTURNAS

    Sete por cento dos operadores que responderam à pesquisa informaram que realizam operações noturnas, tratando em média 8 mil hectares depois do pôr-do-sol. Desses, 15% utilizam equipamento de visão noturna e entre os principais motivos da opção pela operação à noite estão a proteção a polinizadores, temperaturas menos elevadas e ventos mais fracos.

LAVOURAS E MOSQUITOS

   Sobre o número de hectares tratados por uma aeronave em um dia, os 550 operadores participantes da pesquisa apontaram uma média 470 hectares para milho, 464 para florestas, 462 para soja, 455 no algodão e 418 hectares no arroz. Entre os totais, a soja teve um aumento de 24% na área tratada, chegando a 8.442 hectares, a área de floresta tratada aumento 26%, chegando a 10.170 hectares, o arroz teve uma queda de 38%, atingindo 25.115 hectares, para citar alguns exemplos.

    Chamou a atenção ainda o aumento de 26% na área trabalhada em aplicações contra mosquitos (larvicidas e inseticidas) em áreas urbanas e rurais: foram 14,7 mil hectares em 2017, contra 11,7 mil hectares em 2012.

    Prestes a completar 100 anos – o país teve a primeira operação aeroagrícola do mundo em 1921, a aviação agrícola nos Estados Unidos tem uma perspectiva saudável a curto e médio prazos. Segundo a NAAA, os pilotos e operadores 137* estarão bem posicionados para aumentar sua participação na produção de alimentos e matérias-primas à medida em que continuarem ágeis para se adaptarem às tecnologias e novos desafios. Característica fundamental em meio a condições de cultivo cada vez mais complexas.

(*) A designação se refere à norma sobre o setor aeroagrícola no país (Part 137, da FAA), que tem o mesmo número no Brasil (RBAC 137)  e em países como Argentina, Nova Zelândia e Austrália.

Confira esses e muitos outros dados na edição eletrônica da revista, clicando abaixo: