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Rússia discute nova legislação aeroagrícola para incentivar o setor no país

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    O Conselho da Federação Russa (equivalente ao Senado no Brasil) anunciou para a próxima semana uma mesa-redonda com representantes do Executivo federal, dos Estados, comunidade científica, operadores aeroagrícolas, produtores rurais e outros membros, para discutir a legislação da aviação agrícola no país. O objetivo é remover inconsistências no regramento da atividade, para desenvolver o setor. Segundo o Fundo de Assistência ao Desenvolvimento Agrícola da Rússia, que provocou a reunião, a aviação é essencial para o plano de aumentar a produtividade agrícola do país em até 4,5% no próximo ano.

O encontro terá também membros da Duma (equivalente à Câmara dos Deputados brasileira) e a expectativa é de que o regramento mais claro, racional e consistente da atividade aeroagrícola facilite a vida de que trabalha com boas práticas e desencoraje a clandestinidade. Segundo o Ministério da Agricultura da Rússia, o país tem cerca de 240 aeronaves agrícolas registradas e pelo menos igual número de aparelhos clandestinos. No entanto, a própria legislação do país eslavo abre brechas, por exemplo, para que qualquer um que se forme piloto compre uma aeronave (inclusive ultraleves) e ofereça serviços diretamente a agricultores.

URGÊNCIA

A necessidade de planejar com as autoridades o desenvolvimento do setor ganhou corpo em maio do ano passado, na 1ª Conferência Russa sobre o Desenvolvimento da Aviação Agrícola – realizada dentro da Exposição Internacional da Indústria de Helicópteros (HeliRussia 2018). Na época, uma das preocupações ventiladas no evento foi de que atualmente nenhuma escola de pilotagem na Rússia oferece curso de piloto agrícola. Enquanto isso, a última geração de pilotos que tiveram formação própria para atuação em lavouras está prestes a deixar o mercado – e levar consigo sua experiência.

A pressa das autoridades russas em fazer o tema de casa sobre o setor aeroagrícola tem como pano de fundo o aumento em 50% das exportações de grãos do país em maio de 2018, no comparativo com 2017. Apesar de ainda comprar soja do Brasil, em 2016 a Rússia superou os Estados Unidos nas exportações de trigo e no ano passado passou a ser o maior exportador do cereal no mundo, depois de bater a Comunidade Europeia (vendendo inclusive para o Brasil). Nada mal, considerando que em 2010 os russos haviam perdido 50% de sua capacidade de produção nos 20 anos anteriores e a partir daí começaram a virar o jogo.

E agora a aviação agrícola é cogitada essencial para as próximas fases de conquistas no campo. Aliás, não por acaso, em 2017 as empresas A.G. Romashin e MVEN apresentaram o projeto do T-500, o primeiro avião agrícola projetado e certificado (em agosto de 2018) na Rússia moderna. Foi durante a MAKS 2017 Airshow, em Moscou. Um passo adiante para substituir os velhos e obsoletos Antonov NA-2, ainda o grosso da frota das empresas aeroagrícolas (legalizadas) no país.

O T-500 é o primeiro aviação agrícola projetado e certificado na Rússia moderna