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Série Semana Nacional da Aviação Agrícola – Equipamentos

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Entre as tecnologias mais avançadas do campo brasileiro para garantir precisão em dosagens e cobertura nas aplicações de sólidos e líquidos – sejam eles biológicos ou químicos, sem dúvida a maioria delas está embarcada nas aeronaves que todos os dias voam sobre as lavouras. O que garante não só a maior produtividade, mas ganho em segurança ambiental. Desde o sistema de posicionamento por satélite com sinal diferencial (DGPS), até bicos e atomizadores que geram exatamente o tamanho de gota necessário em cada operação em campo.  

No caso do DGPS, desde o seu advento, por exemplo, ninguém mais fica dentro da lavoura quando o avião está trabalhando – há mais de 20 anos o aparelho tirou de cena a figura do bandeirinha (funcionário que tinha a missão de sinalizar a linha de aplicação para os aviões) nas plantações. Para completar, de lá para cá o aparelho segue tendo avanços contínuos.

Tanto que atualmente o Sistema de Posicionamento Global Diferencial (este é o nome completo da criança) já alcançou o status de um cérebro auxiliar no avião, presente em 100% da frota aeroagrícola nacional.

Ou seja, o DGPS praticamente gerencia a aplicação, deixando o piloto livre para se concentrar no voo, seguindo as indicações de cada faixa (com uma precisão de centímetros) transmitidas para a barra de luzes visualizada na frente do cockpit. Outro avanço é que a tecnologia, antes totalmente estrangeira, não só já conta com equipamentos 100% nacionais, como esses já são exportados inclusive para Estados Unidos.

Em pouco mais de 20 anos, o DGPS se tornou o cérebro eletrônico para precisão, segurança e transparência das aplicações aéreas

O aparelho pode fazer a abertura e fechamento automático do sistema de pulverização, inclusive interrompendo o fluxo sobre eventuais áreas a serem evitadas nas lavouras (um pedaço de área verde, lago etc.). Isso além de alerta de obstáculos e, acoplado ao fluxômetro, permite a aplicação em taxas constantes (litros por hectare) mesmo com a variação de velocidade do avião.

Mais do que isso, já é possível também programar taxas de aplicação variadas em uma lavoura. Por exemplo, um pedaço com precisa de oito litros por hectare e outro a 10 litros por hectare, e assim por diante. Rumo ao próximo nível, já se tem avanços vão desde interface (via 3G) com o escritório até conexão com ferramentas de gestão empresarial – que processam consumo de combustível e outros custos da hora voada.

Para completar, a atual geração de DGPS garante também transparência para os órgãos de regulação do setor, comprovação da qualidade do serviço para os clientes e segurança jurídica para os operadores aeroagrícolas. Isso porque o aparelho registra em seu sistema uma série de dados sobre cada operação – cada linha de aplicação, o “balão” (curvas de retorno entre uma aplicação e outra), onde a aeronave passou com o sistema aberta, onde fechado, quantidade de produto aplicada, taxa de aplicação, tamanho e localização da área tratada, etc.

BARRAS, BICOS & CIA

Os sistemas de pulverização dos aviões contam com válvula by-pass que, quando fechado o sistema de pulverização, têm o fluxo revertido, provocando pressão negativa nas barras. Ou seja, mesmo que o sistema de vedação dos bicos ou atomizadores falhem, o fluxo nesse caso é de entrada e não de saída – ou seja, não há escape de produto quando o avião não está aplicando. Especificamente sobre os bicos e atomizadores, que ficam dispostos na barra de pulverização, trata-se de equipamentos encarregados de dar o tamanho adequado de gotas para cada tipo de missão, garantindo a precisão de cada faixa e evitando perdas de produto. Outro diferencial em tecnologias de pontas de pulverização é o sistema eletrostático, que aplica uma carga elétrica negativa nas gotas, fazendo com que elas sejam atraídas pela carga positiva nas plantas, aumentando a precisão.

Boa parte da tecnologia de ponta existente hoje na agricultura brasileira está presente no setor aeroagrícola

Inovações estão presentes também os diversos tipos de aplicadores de sólidos, instalados na parte inferior (na “barriga” dos aviões para aplicação de sementes ou de fertilizantes nas lavouras – quase sempre em voos mais altos do que os 3 a 4 metros de atura, que é o normal em aplicações de líquidos. O sistema de sólidos é instalado na saída da comporta de alijamento, que por sua vez é a abertura por onde os aviões agrícolas lançam água nas operações de combate a incêndios florestais.

Além disso, os próprios aviões recebem avanços em sistemas de refrigeração das cabines, reforços em estruturas de trem de pouso, melhores sistema de freios, motores mais potentes e confiáveis, sem falar em aeronaves movidas a etanol e outras melhorias. A própria ferramenta aérea, de um modo geral, representa uma tecnologia importante para a sustentabilidade ambiental da agricultura. À medida que evita o amassamento de plantas e compactação do solo, além de não ter o risco de levar patógenos de um ponto ao outro da lavoura. Sem falar que, pela sua velocidade, consegue aproveitar melhor as janelas de condições meteorológicas, terminando as aplicações antes de mudanças críticas na velocidade do vento, na temperatura ou na umidade do ar – fatores determinantes para a precisão tanto das aplicações terrestres quanto aéreas.