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Série Semana Nacional da Aviação Agrícola – Formação do pessoal

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Como em todos os outros países, a aviação agrícola no Brasil começou de maneira improvisada, adaptando aeronaves de guerra (como nos Estados Unidos, Austrália e Rússia) ou aviões civis (como no Brasil), elaborando-se ou adaptando equipamentos de pulverização ou semeadura para aplicações aéreas. Era uma época também em que tudo dependia do arrojo dos pioneiros dos ares e, em alguns casos, da troca de experiências com profissionais de outros países. No Brasil, além do piloto Clovis Candiota e do agrônomo Leôncio Fontelles (que fizeram o primeiro voo aeroagrícola no País), vieram também nomes como Joaquim Eugênio (Joaquim da Broca), Ada Rogato, Orlando Bombini, Deodoro Ribas e outros, que voaram adaptando aeronaves e técnicas até 1965, quando o setor aeroagrícola começou a ser regulamentado justamente pela formação de seu pessoal.

Há 53 anos, foi criada no Ministério da Agricultura a Divisão de Aviação Agrícola, na época coordenada pelo então tenente-coronel aviador Marialdo Rodrigues Moreira, cedido pelo Ministério da Aeronáutica. No ano seguinte, em 1967, ocorreu o primeiro Curso de Aviação Agrícola (cavag), instituído por lei dois anos antes para a formação e pilotos e que teve 10 alunos em sua primeira turma, dentro da antiga Fazenda Ipanema – uma estrutura de ensino e aprimoramento agrícola, mantida pelo governo até 1992 no atual município de Iperó, interior paulista. Ali também ocorreram os primeiros cursos de Executores em Aviação Agrícola (CEAA), especializando técnicos agrícolas para operações aéreas, e de Coordenadores em Aviação Agrícola (CCAA), qualificando os agrônomos para atuação no setor.

Para entrar no curso de piloto agrícola, candidato precisa antes ter licença de piloto comercial e somar 370 horas de voo

Nos três casos, os cursos até hoje são obrigatórios para atuação no setor e nenhuma empresa aeroagrícola pode funcionar sem a presença desses três tipos de profissionais com as respectivas especializações. A diferença é que hoje o aprendizado é ministrado por escolas da iniciativa privada, mediante autorização do Ministério da Agricultura. No caso dos técnicos e engenheiros agrônomos, o pré-requisito para as respectivas especializações é, obviamente, a formação em técnica ou acadêmica em estabelecimentos oficialmente reconhecidos.

No caso dos pilotos, cada candidato precisa ter a licença de piloto comercial e somar pelo menos 370 horas de voo para entrar em uma das seis escolas de formação de pilotos agrícolas hoje existentes no País – duas no Rio Grande do Sul ( em Carazinho e Cachoeira do Sul), uma no Paraná (Ponta Grossa) e três em São Paulo – em Ibitinga, Itápolis e Monte Mor (helicópteros).

Quase todo o pessoal envolvido nas operações aeroagrícolas é técnico e com especialização

Além disso, as empresas aeroagrícolas precisam ter um funcionário treinado para ser responsável pelo Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO) da empresa. Sem falar nas ações de melhorias contínua promovidas ou apoiadas pelo Sindag. Como a Academia de Líderes da Aviação Agrícola, criada pelo próprio sindicato para desenvolver lideranças de alta performance valorizando aspectos humanos e o papel social das empresas, ajudando ainda consolidar a boa reputação do setor. Ou o programa Certificação Aeroagrícola Sustentável (Cas), que tem como prioridade nas boas práticas aeroagrícolas e é o primeiro selo independente de qualidade ambiental do setor.

Ou seja, além e altamente regulamentado e com alta tecnologia embarcada, há mais de meio século a maioria do pessoal que trabalha nas empresas de aviação agrícola precisa ter algum tipo de especialização no setor.