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Série Semana Nacional da Aviação Agrícola – História

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Até a próxima segunda-feira (19), Dia Nacional da Aviação Agrícola, o Sindag publica uma série de matérias mostrando como se formou  uma das maiores e melhores aviações agrícolas do mundo, não só como uma homenagem a milhares de profissionais que por 72 anos têm ajudado a construir o setor todos os dias, mas também para dividir esse orgulho com toda a sociedade. 

O próximo dia 19 de agosto marca os 72 anos da aviação agrícola brasileira, hoje a segunda maior e uma das melhores do mundo. A data assinala a primeira operação aeroagrícola do País, em 1947, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, pela iniciativa do piloto Clóvis Candiota e do engenheiro agrônomo Leôncio Fontelles. A ação foi em resposta a uma praga de gafanhotos que estava dizimando as lavouras do município. Fontelles era na época o encarregado do Ministério da Agricultura na região e foi a quem os agricultores recorreram, desesperados com as perdas provocadas pelas nuvens de insetos.

Com o combate era inútil do chão, além do fato de que os gafanhotos atacavam repentinamente, o agrônomo conversou com Candiota e os dois improvisaram a instalação de uma espécie polvilhadeira (encomendada de um funileiro local por iniciativa de Fontelles a partir de desenhos de publicações sobre aviação agrícola) em um avião biplano Muniz M-9, do Aeroclube da cidade. Na tarde do dia 19 de agosto, veio o aviso de que insetos estavam na região onde hoje é o bairro Areal. Candiota decolou com Fontelles operando o sistema de pulverização e foi quando o jogo começou a virar em favor dos agricultores.

Clóvis Candiota, junto a um avião da empresa aeroagrícola que abriu mais tarde com Fontelles em Pelotas

Candiota e Fontelles abriram depois a primeira empresa de aviação agrícola do País, a Sanda – Serviço Aéreo de Defesa Agrícola, que operava com dois aviões CAP-4 Paulistinha. A ferramenta começou a ser aperfeiçoada e usada também em outras regiões. Inclusive por iniciativa oficial: já em 1948, a pioneira Ada Rogato se tornou a primeira mulher a pilotar em operação aeroagrícola no Brasil, contra a broca do café em São Paulo – e a serviço do Instituto Biológico de São Paulo.

A partir dos anos 60, a aviação agrícola começou a ser regulada, com a criação de cursos específicos para pilotos e pessoal de terra, além do reconhecimento e regramento da atividade (veja mais nos capítulos das próximas quinta e sexta-feira, dias 15 e 16). Em 1989, o Decreto Federal 97.669, de 19 de abril, assinado pelo então presidente José Sarney, estipulou a data da primeira operação aeroagrícola como Dia Nacional da Aviação Agrícola e o piloto Clóvis Candiota como patrono do setor.

Ada Rogato foi a primeira mulher no Brasil (e uma das primeiras no mundo) a pilotar em uma operação aeroagrícola, em 1948

MUNDO

A criação da aviação agrícola data de 1911, por iniciativa do engenheiro florestal alemão Alfred Zimmermann, que concebeu a ideia para a proteção florestas de pinheiros em seu país. Porém, a inovação só saiu do papel em 1921, nos Estados Unidos, a partir de pesquisas de campo em parceria com a então Aviação do Exército e o Departamento de Agricultura do País para proteção e floretas no estado de Ohio contra larvas de mariposas. O aparelho usado na época foi um biplano Curtiss JN-6H Jenny.

Em 1926 foi a vez da Argentina utilizar a ferramenta aérea pela primeira vez, contra gafanhotos, em Rafaela, na província de Santa Fé. Com um avião italiano SAML com motor Fiat 100 hp. Aliás, sobre gafanhotos, a praga motivou o surgimento da aviação agrícola nos anos 1940 também no Uruguai e Austrália e outros países. Ainda em tempos modernos, gafanhotos são foco de combate do setor aeroagrícola na América do Sul, em Israel e, no início dos anos 2000, motivou inclusive uma força-tarefa aeroagrícola das Nações Unidas na África.