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Série Semana Nacional da Aviação Agrícola – Mitos

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Se por um lado uma sociedade com visão crítica sobre seus processos de produção é importante para que os setores produtivos permaneçam atentos à melhoria contínua e segurança em suas rotinas, por outro, quando essa visão é pelo filtro do estereótipo, o que se coloca em xeque é justamente o desenvolvimento sustentável. E o exemplo dos mitos em torno da aviação agrícola é uma boa mostra disso.

A começar por uma triste ironia: apesar de mais segura, regulamentada e fiscalizada (justamente porque é única com legislação própria), a aviação é combatida devido ao uso de produtos químicos nas culturas. Como se ela fosse a causa e não simplesmente ferramenta. Ignorando-se até mesmo que os mesmos defensivos aplicados pelas 2.194 aeronaves agrícolas existentes no País (segundo a Anac) são usados também pelos 973.444 pulverizadores costais, 379.477 pulverizadores em tratores e 74.586 pulverizadores estacionários (conforme o IBGE) atuantes no campo brasileiro. E com os mesmos riscos.

Ou seja, em um cenário de caça às bruxas, a aviação é vítima de sua própria transparência.

Confira abaixo os principais mitos sobre o setor aeroagrícola:

MITO: As aplicações com aviação agrícola sofrem deriva.

A deriva (quando a nuvem do produto se desloca para fora da faixa de aplicação) pode ocorrer tanto na aplicação aérea quanto na terrestre, quando não são observadas as condições meteorológicas e a regulagem dos equipamentos. O que pode ser conferido na pesquisa de campo realizada em Goiás, em novembro de 2017. A ação foi promovida pelo Sindicato Rural de Rio Verde, em parceria com a Universidade de Rio Verde, Instituto Federal Campus Rio Verde e outras entidades. (clique AQUI para ver).

Aliás, aí também o avião leva vantagem pela sua velocidade e precisão: com o uso de DGPS (um tipo de GPS bem mais preciso e rápido que os equipamentos convencionais) e fluxômetro, o avião consegue uma precisão de centímetros em sua faixa de aplicação e na hora de abrir ou fechar o sistema de pulverização (que em alguns casos pode ser até automático), bem como na quantidade de produto aplicado.

E como é bem mais rápido que os meios terrestres (costuma-se dizer que uma hora de avião é igual a um dia de trator), consegue terminar a aplicação antes de eventuais mudanças climáticas que possam favorecer a deriva de produtos.

Segurança da aviação nas lavouras vem também de sua velocidade e precisão nas operações

IMPORTANTE: Uma prova do quão equivocada é a visão de que a deriva é algo inerente apenas ao avião são os dados da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), divulgados em uma publicação de 2013, no site da entidade (infelizmente isso é uma exceção, já que os órgãos de fiscalização não possuem dados abrangentes para comparar os dois métodos). No texto (link abaixo), o órgão menciona que entre 2009 e 2012 investigou 88 casos de deriva, dos quais 47 geraram processos, a maioria relativa a pulverizações terrestres. Confira clicando AQUI

MITO: Em torno de 70% a 99% (o percentual varia, mas é sempre exagerado) dos produtos aplicados por aviões são perdidos e vão para escolas, hospitais, cidades, praças e outros locais.

Com os altos custos de produção, é óbvio que nenhum agricultor aceitaria simplesmente jogar fora mais de dois terços do produto comprado para proteger sua lavoura. Se fosse verdade tanto produto indo fora, a aviação agrícola já não existiria (e não estaria completando 70 anos em 2017) pela simples lógica de mercado: os produtores não contratariam o serviço com uma perda dessas e as empresas aeroagrícolas já teriam fechado há muito tempo.

Considere que há produtos que custam mais de 400 reais o litro, conforme pode ser conferido no próprio site da CONAB, clicando AQUI.

Mais do que isso, a própria Embrapa divulgou em junho uma Nota Técnica atestando a segurança da aviação agrícola. O documento é resultado da maior pesquisa até hoje feita no Brasil sobre tecnologias de aplicação em lavouras, ocorrida entre 2013 e 2017, envolvendo seis centros de pesquisa da Embrapa e 10 universidades parceiras, resultado de uma parceria existente desde 2008 entre o órgão e o Sindag

MITO: A aviação é responsável por grande parte da contaminação de alimentos.

Os mesmos defensivos aplicados por avião são usados também em aplicações terrestres e a contaminação se dá basicamente pelo seu mau uso (há dosagens, métodos e momentos certos para cada aplicação). O próprio relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Anvisa, seguidamente citado contra a aviação, na verdade aponta como principais “vilões” justamente produtos que não são tratados por aviões: pimentão, cenoura, morango, pepino, alface, uva, mamão, tomate e outros.

Veja AQUI

Aliás, o último relatório do PARA, divulgado em 25 de novembro de 2016, referente a pesquisas feitas entre 2013 e 2015, com mais de 12 mil mostras de alimentos em 27 Estados, mostrou que as lavouras da lista atendidas em grande escala pela aviação agrícola (arroz, milho, trigo e banana) aparecem com zero % de contaminação.

MITO: Há um uso indiscriminado da aviação.

Não há como isso ocorrer. Trata-se de uma ferramenta complexa de operar e altamente regulada. Além de extremamente visível (ninguém consegue esconder um avião em uma lavoura). Além de todo o cenário que mencionamos acima. Mais do que isso, o próprio Sindag tem trabalhado para que a credibilidade do setor aumente cada vez mais, seja com o aumento da fiscalização (solicitada pelo próprio setor), como por programas como Aviação Agrícola 100% Legal, que por sua vez têm o suporte de ações como o Sistema de Documentação da Aviação Agrícola (Sisvag) – que indica às empresas associadas todas as regras e trâmites de licenciamento em cada órgão federal ou dos Estados. Ou pelo apoio a iniciativas como o programa Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS) e o Colmeia Viva.

Vale lembrar ainda que a aviação agrícola atua tanto na agricultura convencional quanto na orgânica e uma não é inimiga da outra. Mais do que isso, se completam: a primeira é a que tem a maior capacidade de investir na pesquisa de novas tecnologias e a segunda é o nosso melhor laboratório de práticas ambientais.

A aviação agrícola atua tanto em lavouras convencionais quanto em culturas orgânicas