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Série Semana Nacional da Aviação Agrícola – Operações

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Além do trato de lavouras com aplicação precisa e rápida de defensivos químicos ou biológicos, a aviação agrícola também é essencial para a aplicação de produtos sólidos nas lavouras. Não só no caso de fertilizantes, mas também na semeadura. E aí uma curiosidade: o setor aeroagrícola acaba sendo essencial também na criação e gado, mais especificamente na integração pecuária/lavoura. Isso porque o avião facilita a semeadura precoce de pastagem, no último estágio da lavoura, abreviando a entrada do gado na área após a colheita.

Em miúdos, funciona assim: Por exemplo, em uma lavoura de soja, as sementes do pasto são lançadas com a lavoura prestes a terminar seu ciclo. Assim, quando é feita a colheita, as plantas que vão alimentar o gado já estão crescendo e há um ganho de 30 dias ou mais na entrada dos animais na área.

Na prática, essa é mais uma das estratégias onde o avião é essencial para que se aumente a produtividade sem necessitar o avanço da fronteira agrícola. O que, em última instância, se traduz também em preservação ambiental.

Além disso, há cinquenta anos (desde o Decreto-Lei 917, de outubro de 1969) o setor aeroagrícola tem como prerrogativas também o combate a incêndios florestais, povoamento de rios ou lagos com peixes e outros empregos – no caso, inclui-se o combate a vetores, como ocorreu em 1975 no interior paulista (com êxito, aliás) e é comum hoje em países como estados Unidos e outros. No caso dos bombeiros, desde os anos 90 os aviões agrícolas são regulamente requisitados pelo governo federal ou por Estados para auxílio aos bombeiros no combate às chamas em áreas de preservação ambiental.

Avião agrícola combatendo chamas no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Foto: Bruno Dias/Ibama

Na maioria dos casos, os órgãos ambientais ou de Defesa Civil contratam as empresas aeroagrícola para garantir suporte às equipes em terra, acelerando as operações (na proporção de sete para um dia) e protegendo as equipes em campo, além de eliminar focos em áreas de difícil acesso no solo. O que é essencial para reduzir os danos à vegetação e garantir a sobrevivência da fauna terrestre.

Sem falar nas ações voluntárias de empresas se mobilizam por garantir o primeiro combate ao fogo em parques, até a chegada das equipes regulares, como já ocorreu a Estação Ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul. Ou quando uma empresa monta brigada de combate a incêndio particular contra chamas em lavouras, oferecendo contratos a produtores e destinando o lucro a entidades sociais, como ocorre atualmente em Goiás.

MOSQUITOS

No caso do combate a mosquitos, embora não em uso atualmente no País, a aplicação aérea dos mesmos produtos usados hoje nos fumacês terrestres é prevista na Lei Federal 13.301/16, das estratégias nacionais contra a dengue, chikungunya e zika. Porém, com uma ressalva: para isso ser feito, é necessário primeiro a realização de testes e a aprovação de um protocolo pelas autoridades sanitárias. Isso embora a técnica seja comum desde os anos 1920 nos Estados Unidos – onde as aplicações aéreas ocorrem anualmente em áreas como Miami e após desastres naturais como furações (para prevenir doenças), além do México, Venezuela, Cuba e na vizinha Argentina.

Ou ainda na Espanha, onde o combate a mosquito com helicópteros é feito para favorecer o turismo no Mediterrâneo – evitar que a temporada de pernilongos afugente os visitantes das cidades turísticas no litoral da Andaluzia. No Brasil, o combate a mosquitos com uso de aviões foi essencial em 1975, para eliminar focos de mosquito culex que eram responsáveis por um surto de encefalite que assolava os municípios de Mongaguá, Peruíbe e Itanhaém, na Baixada Santista.

A principal diferença da ferramenta aérea sobre o fumacê terrestre é que de cima o produto (o mesmo nos dois casos) chega a pontos hoje inatingíveis pelas equipes em solo, como fundos de terrenos baldios, áreas abandonados e pontos longe das vias públicas. Em última instância, diminuindo a necessidade de reaplicações e reduzindo as chances dos insetos se tornarem resistentes. Além disso, há a opção do uso de larvicidas biológicos em áreas úmidas e terrenos baldios. 

PEIXES

No caso do povoamento de rios e lagos, o lançamento de alevinos a partir de aviões acaba sendo vantajoso por diminuir a perda de peixes. Eles sofrem muito menos estresse pelo lançamento do que pelo transporte em terra (onde ocorrem as maiores perdas). Sem falar na maior facilidade de logística, principalmente em áreas de difícil acesso de veículos em trilhas íngremes normalmente existentes nas áreas ideais de repovoamento.

Veja abaixo:

Lake restocked by plane

WATCH: Lakes are being restocked by plane. The Utah division of wildlife resources says transporting the fish by ground takes a lot longer and is more stressful on the fish.

Publicado por WXII 12 NEWS em Quinta-feira, 23 de agosto de 2018