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Setor arrozeiro: Sindag participa de mobilização em Restinga Seca/RS

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     O presidente do Sindag, Júlio Augusto Kämpf, e o diretor-executivo da entidade, Gabriel Colle, representaram nesta quarta-feira o setor aeroagrícola durante a manifestação do setor arrozeiro ocorrida durante a manhã em Restinga Seca, no Rio Grande do Sul. A programação fez parte do movimento Te Mexe Arrozeiro e reuniu cerca de 2 mil pessoas no Parque Municipal, entre delegações de produtores gaúchos e de Santa Catarina, além de autoridades locais e políticos.

     Segundo Kämpf, “a participação das entidades de toda a cadeia ligada ao arroz é de fundamental importância para chamar a atenção da sociedade e das autoridades para essa situação”, comentou, referindo-se a questões como a importação de produtos mais baratos, de países com menor custo de produção e sem controle sanitário e outros fatores que nas últimas semanas tem feito o setor elevar o tom de protestos. Para o dirigente do Sindag, a expectativa é de que movimentação sirva também para fortalecer o setor produtivo.

     “É irônico um cenário onde se permite a entrada de arroz vindo de países vizinhos onde o arroz é mais barato porque o custo de produção é três vezes menor, mas não se pode trazer de lá os defensivos e fertilizantes que também são mais baratos – mesmo sendo produtos com uso permitido pelas autoridades sanitárias brasileiras”, exemplifica Kämpf.

ENGAJAMENTO

     O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, destacou a importância da participação do Sindag no movimento. “Foi a única entidade representativa de um setor indireto da produção citada no evento. O que também assinala a forte ligação entre ambas, já que a lavoura do arroz é dependente da aviação agrícola”, observou. No encontro, a gravidade da situação ficou clara pelo tom das participações. “Alguns bastante preocupados e outros mais exaltados”, resumiu o presidente da Federarroz. Além dos representantes de outras entidades arrozeiras, o encontro contou ainda com a presença do presidente da Aprosoja/RS, Luis Fernando Fucks.

     Segundo Dornelles, o principal encaminhamento do encontro foi de que serão feitos novos encontros para fortalecer o movimento. A próxima mobilização será em Turvo, Santa Catarina, no dia 6 de fevereiro. “A pauta é grande e extremamente difícil, mas necessária para que o setor possa trabalhar com dignidade.”

     Encontro isso, o setor segue os desdobramentos junto ao Ministério da Agricultura. Como o anúncio feito na terça (dia 30) do recurso de R$ 100 milhões para os mecanismos de Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) para 1,2 milhão de toneladas de arroz via leilões. Trata-se de uma medida legal tomada pelo governo para socorrer o mercado, quando o preço do produto fica abaixo do mínimo.

     “Vamos acompanhar ainda as fiscalizações sanitárias de fronteira, cujo reforço também foi anunciado pelo governo”, completou Dornelles, sobre uma das principais reivindicações dos arrozeiros, para barrar os produtos com resíduos químicos.

     Confira a pauta de reivindicações debatida no encontro desta quarta:

 1. Renegociação de dívidas do setor com prazo e condições reais de pagamento;

 2. Seguro de renda para a cultura;

 3. Ajuste dos preços mínimos ao real custo de produção das lavouras irrigadas (R$ 43,00);

 4. Disponibilização de mecanismos de comercialização AGFs, PEP Exportação e Pepro com base nos preços mínimos revisados pelo custo de produção;

 5. Reinserção dos arrozeiros ao crédito oficial mediante renegociação e securitização das dívidas em condições de pagamento condizentes com a realidade da lavoura;

 6. Redução dos juros e custos do crédito oficial;

 7. Liberdade de compra de insumos permitidos no Brasil (por princípio ativo) e fertilizantes no Mercosul com isenção de impostos de importação;

 8. Equalização das tarifas de ICMS entre os estados brasileiros;

 9. Aplicação da Lei Goergen que obriga fiscalização e testes fitossanitários em arroz importado para identificar a presença de resíduos, defensivos proibidos e contaminações;

10. Leis mais rigorosas para fraude na tipificação do arroz à venda com penas rigorosas para indústrias e industriais/responsáveis;

11. Redução dos juros e prazos de vencimento para o crédito privado liberado pelas indústrias;

12. Fortalecimento das entidades arrozeiras e maior representatividade dos pequenos e médios produtores da Depressão Central;

 13. Transparência na elaboração e divulgação de dados de safra pelas organizações públicas para evitar impacto negativo ao mercado;

 14. Formar uma comissão representativa;

 15. Medidas de apoio à exportação.

Júlio Kämpf, o presidente da Aprosoja, Luis Fernando Fucks, e o presidente da Federarroz, Henrique Dornelles