Colunas

Sustentabilidade na prática: Organização e Divulgação

Na minha palestra no Congresso Sindag 2017, em Canela – RS, abordei aspectos importantes para que, a meu ver, a aviação agrícola seja encarada como atividade relevante e imprescindível à sociedade. Para tanto, usei diversos argumentos e, dentre eles, o fato de não estarmos levando aos nossos clientes e à sociedade a noção de que o setor aeroagrícola respeita o ambiente. Antes de tudo, importante lembrar que, no contexto atual, é de extrema valia à conquista e manutenção de mercados, que as empresas possuam um processo de administração com ênfase na sustentabilidade. Dito de outro modo, que as empresas tenham como prevenir impactos de caráter ambiental ou minimizar possíveis consequências negativas relacionadas aos seus processos de produção. Em síntese, possuir um Sistema de Gestão Ambiental.

Entendo que, ao ler esta introdução, muitos possam dizer; “Mais um sistema? Mais um processo para aumentar custos? Estou fora, Marcelo!”. Porém, antes de abandonar a leitura permita-me afirmar que a aviação agrícola já possui muitos processos e sistemas implantados, só não estamos nos dando conta e, por pior, não estamos divulgando isso. Vamos aos fatos: Empresas que possuem Sistemas de Gestão Ambiental buscam reduzir o consumo de água e energia. A aviação agrícola por suas características (técnicas e tecnologias) já realiza pulverizações com volumes muito menores do que os empregados nos equipamentos terrestres, sendo, portanto, uma atividade que utiliza menores volumes de líquido (água). Ademais, por operar com maior velocidade, realiza o trabalho com menor
consumo de energia. Ainda, a exposição das pessoas envolvidas na operação é drasticamente
reduzida, seja em número de indivíduos quanto no tempo de exposição e, consequentemente,
minimizando impactos à saúde humana.

No desenvolvimento de um Sistema de Gestão Ambiental, as empresas adotam metodologias que visam a redução do descarte inadequado de resíduos. As empresas aeroagrícolas já possuem pátio de descontaminação que permite o tratamento e a eliminação do descarte de resíduos no ambiente. Nenhum resíduo, contendo produtos químicos, por lei, entra em contato com ambientes que não sejam a área alvo ou o sistema de descontaminação. Nos adequados sistemas de gestão ambiental, ocorrem grandes investimentos no treinamento e concepção das equipes. Pois bem, a aviação agrícola forma seus quadros com pessoas treinadas e certificadas por um sistema de sabida competência e fiscalizado por organismos federais. Para lembrar, a presença do técnico executor permite o aumento da eficiência das operações, o controle do risco ambiental e à saúde humana. A correta atuação de agrônomos coordenadores permite a execução das atividades de modo racional, com economia de recursos, energia, redução de impactos e aumento significativos na eficiência e eficácia das pulverizações. Os auxiliares de pista adquirem, em treinamentos específicos, noções para a manipulação segura de agrotóxicos e à proteção da saúde de todos os envolvidos. Acrescente-se a isso o fato de o piloto agrícola ser um profissional que, ao longo de toda sua formação, recebeu treinamento específico para os equipamentos que utiliza e tem-se uma grande parte do panorama da especialização que empresas de outros setores almejam quando implantam um Sistema de Gestão Ambiental.

A busca da ecoeficiência impõe aos empreendedores de todos os setores o desenvolvimento de rotinas que permitam o aumento da segurança operacional, pois processos seguros minimizam o potencial de acidentes e impactos. Novamente, a aviação agrícola possui um sistema de gestão da segurança operacional, completo, aprovado e fiscalizado por organismo federal que contempla politica e compromisso com segurança, auditorias, rotinas operacionais e planos de resposta a emergências.

Perceberam o que falo? Já possuímos muito daquilo que se exige das empresas que almejam o rótulo de organizações com responsabilidade ambiental. O que nos falta então? Para começo de conversa, organizar e divulgar! Em continuidade, deve-se alinhar procedimentos e desenvolver metodologias que permitam a manutenção e incremento de sistemas de controle. Isso significa custos expressivamente maiores? A princípio não, pois já possuímos tais sistemas, é só uma questão de organização.

Em Canela, conclui minha palestra afirmando que não devemos auferir clientes, mas conquistar fãs. Para tanto, devemos fortalecer os laços já consolidados por intermédio de práticas que incluem o esclarecimento do cliente e da sociedade. Devemos construir uma imagem adequada no mercado para que galguemos melhores relações comerciais e maiores possibilidades de expansão. Necessários ao desenvolvimento da agricultura sabemos que já somos, agora só nos falta provar que, de forma comparativa ou não, possuímos um bom histórico ambiental e plenas condições de tornar o setor agrícola ainda melhor e mais eficiente. Te liga!