Colunas

USO DE DRONES NA AGRICULTURA BRASILEIRA

O emprego de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs), popularmente conhecidos
por drones, terminologia que usaremos neste artigo, tem crescido no Brasil,
especialmente no segmento de agricultura de precisão, englobando áreas correlatas
como florestas de precisão e pecuária de precisão. Existe uma gama de aeronaves
que são autônomas, semi-autônomas ou remotamente operadas.
Além dos componentes de uma aeronave, o drone é composto de uma estação de
controle em solo, um sistema de posicionamento global, e diversas opções de
equipamentos acoplados com finalidades específicas.
De uma maneira geral, podemos classificar os drones em asa fixa (avião) ou rotativa,
sendo que estes podem ser do tipo helicóptero convencional ou multirotor. Quanto à
motorização, podem ser movidos por combustíveis líquidos ou por baterias elétricas.
Inúmeros tipos de câmeras para captura de imagens podem equipar os drones, entre
elas: RGB, térmicas, multiespectrais, hiperespectrais e de sensores ativos.
Os três principais usos dos drones atualmente são: topografia, imageamento e
pulverização. Hoje já existem no país diversas empresas com drones tipo avião, com
modernas câmeras acopladas, que permitem estimar a produtividade dos cultivos
anuais, identificar focos de doenças e pragas, mapear falhas de adubação e irrigação,
podendo, inclusive, gerar mapas de recomendação de ações corretivas.
Realizar o planejamento da construção de taipas (curvas de nível de alta precisão)
para a irrigação de lavouras de arroz por inundação é um processo moroso e caro,
mas os drones já chegaram neste segmento do agronegócio para auxiliar o setor
produtivo. Lavouras de arroz tiveram seu planejamento das taipas de irrigação
realizado em 2017 pelo drone Maptor, da empresa Horus, sediada em Florianópolis,
no Estado de Santa Catarina.
Drones multirotor também podem estar equipados com câmeras de precisão, para
operar em situações que se necessitem manobras menos velozes, contornar
obstáculos em vôos a baixa altura, decolagem e pouso na vertical, e imagens mais
detalhadas.

As câmeras dos drones podem prestar relevantes serviços nas culturas perenes. Na
fruticultura, é possível acompanhar o desenvolvimento de cada planta, identificando
inclusive redução de vigor em função de ataque de pragas.
Na silvicultura, falhas de plantio, perda de mudas por seca ou geada, e estimativas
valiosas para as operações de inventário florestal são ferramentas já disponíveis hoje
no Brasil.
Um grande avanço está sendo dado no setor de pulverização de produtos químicos,
notadamente inseticidas, fungicidas e herbicidas. Drones multirotor podem fazer
pulverizações em focos de doenças nos cultivos, substituindo as aplicações em área
total, com economia significativa de produtos.
Pulverizações pioneiras de agroquímicos foram conduzidas em 2017 com o drone
Pelicano, da empresa Skydrones, da cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do
Sul. A primeira aplicação real foi conduzida no município de Pelotas. Herbicida
dessecante foi aplicado em campo para plantio direto de soja e arroz. O controle da
vegetação foi rápido e muito uniforme. O drone aplicou em voo totalmente autônomo,
com altura de três metros e faixas com cinco metros de largura, uma taxa de 10 litros
de calda por hectare, em apenas 10 minutos.
Outra ação inovadora foi a primeira aplicação real de herbicidas em área florestal em
Otacílio Costa, Santa Catarina. Herbicidas dessecantes e pré-emergentes foram
aplicados em diversos talhões de pinus, sempre com excelentes controles de plantas
daninhas. Neste caso, devido à presença de restos de colheita (tocos e galhos) e à
topografia bastante acidentada, os vôos foram realizados a cinco metros de altura.
Uma vantagem relevante tem sido a substituição de trabalhadores com pulverizadores
costais por drones autônomos. Desta forma, elimina-se o risco de exposição destes
trabalhadores aos agroquímicos, passando a efetuarem outras tarefas enquanto os
drones pulverizam as lavouras. Testes neste sentido foram realizados no inicio de
2018 na cidade mineira de Camanducaia, na empresa Melhoramentos Florestal. Além
de herbicidas, foram avaliadas pulverizações de fertilizantes foliares.
Já é possível identificar oportunidades de aplicações complementares com drones.
Aviões agrícolas pulverizam lavouras com rapidez e precisão, mas ficam limitados em
locais com obstáculos como redes elétricas e árvores dentro das lavouras, Nestas
pequenas áreas, os drones podem complementar a aplicação com precisão similar ao
avião.
Similarmente, pulverizadores terrestres tratam grandes áreas com precisão, mas
alguns pontos da lavoura com solo encharcado, pedregoso ou outros obstáculos
podem comprometer a qualidade do serviço. Para evitar que nesses locais as doenças
e plantas daninhas se proliferem, os drones podem fazer aplicações pontuais,

mantendo toda a lavoura sadia e produtiva. Demonstrações desta técnica foram
realizadas em lavoura de soja na cidade de Palmeira, no Estado do Paraná e em
lavoura de arroz no município de Tubarão, Santa Catarina.
Atualmente, o órgão regulador ANAC permite o uso de drones de pulverização com
até 25 quilogramas (equipamento mais carga). Diante deste cenário, hoje é possível
utilizar um drone tipo avião para mapear uma grande lavoura (por exemplo, 1000
hectares por dia), gerar mapas com o posicionamento de focos de plantas daninhas
(por exemplo, 50 hectares de infestação), e pulverizar herbicidas com drone multirotor
nestes locais em dois ou três dias. A economia de herbicidas será de 95%, em relação
à pulverização em área total.
Podemos afirmar que existe um mundo de oportunidades de uso para os drones na
agricultura brasileira. Certamente, a grande maioria delas ainda nem foi descoberta.