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Vitória da razão: Câmara de Vereadores de Americana rejeita projeto contra a aviação agrícola

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Em sessão terminada há pouco, a Câmara de Vereadores de Americana rejeitou, por nove votos a oito, o Projeto de Lei nº 53/2017, de autoria do vereador Padre Sérgio (PT). A sessão foi acompanhada de perto por uma comitiva de empresários aeoragrícolas e trabalhadores do setor sucro-alcooleiro. Também estavam presentes representantes de grupos favoráveis à proibição, que chegaram a provocar a interrupção da sessão logo depois da votação.

O PL 53/2017 havia sido aprovado em primeiro turno no último dia 8 de junho, mas a maioria dos vereadores admitiu posteriormente que não tinha conhecimento sobre o setor aeroagrícola para considerar a possibilidade do erro. Uma mobilização do Sindag e de operadores e parceiros da região junto aos vereadores conseguiu o adiamento da segunda votação, para o tema pudesse antes ser debatido em uma audiência pública, o que acabou ocorrendo em 16 de agosto.

O Sindag, juntamente com Syngenta, também promoveu um dia de campo em 25 agosto, para esclarecer dúvidas e demonstrar na prática como funciona a aviação, sua tecnologia e segurança. A movimentação ocorreu no aeroporto da cidade.

DEFESA

Ne sessão desta quinta-feira, o secretário do Sindag, Bruno Vasconcelos, chegou a usar a tribuna para defender o setor, chamando a atenção para a falta de lógica da proposta. “O projeto fala em combater os efeitos negativos dos agrotóxicos, mas propõe justamente proibir a única ferramenta de aplicação que é regulamentada e altamente fiscalizada”.  O diretor ainda rebateu a alegação de que, na prática, os órgãos encarregados não fiscalizam as empresas.

“Se isso é verdade, então quem são as pessoas que seguidamente aparecem na minha empresa e nas pistas onde opero, exigindo documentação e avaliando as operações?”, ironizou Vasconcelos, referindo-se às fiscalizações feitas pela Anac e pelo Ministério da Agricultura. “Esse projeto é como querer combater o carrapato matando o cachorro”, completou o vereador Luiz Carlos Cezaretto, o Luiz da Rodaben (PP), um dos que votou contra a proibição.

FALTA DE INFORMAÇÃO

O presidente do sindicato aeroagrícola, Júlio Kämpf, lembrou que o projeto rejeitado hoje em Americana é, na verdade, um retrato do quanto a falta de informação sobre o setor aeroagrícola pode levar ao preconceito. “Ao invés de se discutir com profundidade as boas ou más práticas sobre o uso de produtos na agricultura, simplesmente se ‘elege’ o avião como símbolo do agronegócio, ignorando a própria lógica e misturando ainda a retórica do combate a um ‘modelo de agronegócio. Isso não tem cabimento’”, ressalta Kämpf. O presidente parabenizou a mobilização dos operadores paulistas e lembrou que o próprio Sindag tem se empenhado em participar dos debates justamente para levar clareza à questão.

Inclusive auxiliando os próprios órgãos de fiscalização. “Prova disso é a parceria alinhava nessa quarta-feira com a Secretaria Estadual de Agricultura de São Paulo, onde vamos promover workshops para agentes de fiscalização. Isso para que conheçam todos os aspectos do setor e possam atuar com mais efetividade, tanto na fiscalização quanto na orientação das empresas aeroagrícolas”, lembrou o diretor do sindicato Thiago Magalhães, que acompanhou a sessão em Americana.

“É aí que está o problema: enquanto se incute na comunidade a sensação e que eliminando a aviação se resolve a questão, não se combate as más práticas em setores que não têm o mesmo nível de exigência e tecnologias”, arrematou, repetindo a declaração que havia dado à imprensa local no início do mês.