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Aeroagrícola lança mais de 81 mil litros de água contra incêndio em campo nativo

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Itagro Aviação Agrícola atuou como a principal força contra as chamas que consumiram 600 hectares no interior de Alegrete/RS 

Onze horas de voo entre dois aviões agrícola, mais de 81 mil litros de água despejados em 62 lançamentos sobre as chamas durante a segunda-feira (20). Assim foi a operação da Itagro Aviação Agrícola para apagar o incêndio que consumiu 600 hectares de campo nativo na região de Guaçu-boi, a cerca de 50 quilômetros no interior do município gaúcho de Alegrete. “As chamas começaram no domingo, mas fomos acionados só no final do dia. Por isso, tivemos que esperar para decolar na segunda”, conta o empresário da Itagro e diretor o Sindag Marcos Antônio Camargo.

Quando a primeira aeronave decolou, ao raiar do dia, a equipe de apoio já havia chegado de madrugada em uma pista no interior, a mais próxima do incêndio com disponibilidade de água – a 14 quilômetro das chamas. “O avião (um turboélice Air Tractor 402B, com capacidade para 1,5 mil litros de água) já decolou cheio da base da Itagro e foi direto para o fogo”, conta Camargo.

Primeiro avião decolou para a operação já na primeira luz do dia

APOIO

À tarde a empresa também deslocou um segundo avião para o teatro de operações, para atacar as chamas em um ponto onde estava chegando perigosamente perto de residências em uma das fazendas atingidas. Nesse caso, um Embraer Ipanema, com capacidade para 800 litros de água, que fez 17 lançamentos contra chamas.

Operação nessa segunda-feira durou todo o dia

Os bombeiros de Alegrete não tinham como atender a ocorrência – do contrário, deixariam desguarnecida a cidade, onde já estavam fazendo outros tipos de atendimentos. Com isso, a empresa aeroagrícola foi a principal força na luta contra as chamas, junto com grupos de voluntários em terra (formados principalmente por pessoal das fazendas próximas) para as operações de rescaldo.

Camargo conta que, logo após o meio-dia, foi preciso chamar mais gente, através de grupos WhatsApp de fazendeiros da região. “Nesse tipo de operação, é fundamental ter gente eliminando o braseiro e focos menores. Como a linha era muito extensa, o pessoal da primeira leva já estava exausto.”

Há alguns dias, a Itagro já havia participado do combate a um incêndio em uma fazenda próximo à cidade. “Na ocasião, fomos o apoio. As chamas haviam sido controladas pelo pessoal em terra e, no final da tarde, recebemos um pedido de ajuda para apagar alguns focos em um ponto de difícil acesso”, recorda Camargo.

PRERROGATIVA

O Brasil tem a segunda maior frota de aviões agrícolas do mundo, com cerca de 2,3 mil aeronaves. E o Rio Grande do Sul está em segundo no ranking dos Estados, com 426 aviões atuando em lavouras. Desde 1969 o combate a incêndios florestais ou em vegetação é legalmente uma das prerrogativas da aviação agrícola no Brasil.

Desde os anos 1990 empresas aeroagrícolas trabalham em parceria com órgãos como o Ibama e secretarias estaduais de meio ambiente para proteção de reservas ambientais (caso, aqui no Estado, da Estação Ecológica do Taim). Em São Paulo, a própria Secretaria de Segurança Pública contrata empresas de avião agrícola para treinarem com os bombeiros e ficarem de sobreaviso para incêndios em reservas ambientais ou plantações.

Em 2019, empresas aeroagrícolas voaram pelo menos 350 horas contra incêndios em todo o Brasil – na Amazônia Legal e em reservas e lavouras do Centro-Oeste e Sudeste. Foram mais de 1,8 mil lançamentos de água contra as chamas. O ano passado teve empresa brasileira atuando até em apoio ao governo do Paraguai, combatendo incêndio na região do Chaco. 

Movimentação foi grande na base montada a 14 km das chamas

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