Além de responder por metade da frota aeroagrícola, levantamento da AeroMagazine coloca o modelo à frente também de famílias consagradas da aviação geral do País
No ranking histórico de registros da aviação geral brasileira, o primeiro lugar é de um avião agrícola. O Embraer/Neiva Ipanema aparece isolado no topo de um levantamento divulgado pela revista AeroMagazine, com 1.636 matrículas acumuladas no País. O estudo foi elaborado a partir do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e reforça o peso da aviação agrícola na composição da frota nacional.
A vantagem é larga. Em segundo lugar aparece a família Piper Seneca/Embraer EMB-810, com 1.257 registros — 379 a menos do que o Ipanema. Na sequência estão os derivados do Piper PA-28, com 1.224 matrículas, o Cessna 182, com 929, e o Cessna 210, com 688. Outro agrícola também aparece entre os dez primeiros: a família Air Tractor série 500, em nono lugar, com 479 registros.
A pesquisa da AeroMagazine utilizou a base do RAB atualizada em 24 de junho de 2026 e agrupou diferentes versões de um mesmo projeto. No caso do Ipanema, entram na conta os EMB-200, EMB-201, EMB-202 e EMB-203 e suas variantes. O levantamento tem caráter histórico: considera aeronaves que tiveram certificado de matrícula emitido, mesmo quando o registro posteriormente foi cancelado por exportação, acidente, retirada de serviço ou outros motivos.
METADE DA FROTA

O protagonismo apontado pela revista acompanha uma liderança que historicamente aparece também nos levantamentos do Sindag. Na análise mais recente da entidade, divulgada em fevereiro deste ano, com dados de 31 de dezembro de 2025, a família Embraer/Neiva soma 1.456 aeronaves, ou 50,8% de toda a frota aeroagrícola brasileira — em um universo de 2.866 aeronaves.
A família Ipanema responde, assim, por praticamente um em cada dois aviões agrícolas do País. Atrás dela, os modelos da norte-americana Air Tractor aparecem com 833 aeronaves, equivalentes a 29,1% da frota do setor. Uma liderança brasileira que permanece mesmo em um cenário de forte crescimento dos turboélices importados nos últimos anos.
A família Ipanema também está por trás de outra característica singular da aviação agrícola brasileira: o uso do etanol em grande escala como combustível. No último levantamento do Sindag que quantificou especificamente o biocombustível, com dados de 2021, 30% da frota aeroagrícola nacional já era movida a etanol.
A tecnologia chegou à linha com o EMB-202A, lançado em 2004 e apontado como o primeiro avião do mundo homologado de fábrica para voar com o combustível renovável — característica mantida no atual EMB-203.
Liderança reafirmada
O novo levantamento reforça ainda um resultado que já havia chamado a atenção há três anos. Em dezembro de 2023, uma pesquisa da revista Aeroflap, repercutida pelo Sindag no início de 2024, colocou igualmente o Ipanema no primeiro lugar entre os dez modelos com maior número de aeronaves voando regularmente no Brasil. Na época, a análise abrangia uma frota nacional de 10.042 aeronaves em situação regular.
Naquele estudo, o agrícola brasileiro não liderava apenas o ranking nacional. Aparecia também em primeiro lugar nas frotas gerais de São Paulo e Mato Grosso e em quinto em Minas Gerais. No Mato Grosso, outro agrícola, o Air Tractor, ocupava a segunda posição.
A metodologia era diferente da usada agora pela AeroMagazine, já que a Aeroflap considerava somente aeronaves em condições regulares de voo. Ainda assim, o resultado apontava na mesma direção: a presença incomum de um avião concebido para o campo no topo da aviação brasileira.
Produzido desde o início dos anos 1970, o Ipanema atravessou diferentes gerações acompanhando a evolução tecnológica da agricultura brasileira. No passado, aliás, a Embraer festejo a entrega do avião Ipanema nº 1.700 – adquirido por uma associada do Sindag.