Autoridades determinam pulverização aérea contra mosquitos em Indiana, nos EUA

Operações marcadas para esta terça e quarta-feira têm como objetivo eliminar transmissão de vírus que causa encefalite em cavalos e pessoas

O Departamento de Saúde do Estado norte-americano de Indiana anunciou esta semana um plano de aplicações aéreas contra mosquitos, para eliminar focos do vírus da encefalite equina oriental (EEE, na sigla em inglês). As pulverizações devem ocorrer na noite desta terça (22) e na manhã da quarta-feira, se o tempo permitir. A operação vai abranger uma área equivalente a 150 hectares, sobre os condados de Elkhart, Kosciusko, LaGrange, LaPorte, Marshall e Noble, no norte do Estado. A medida foi tomada depois exames laboratoriais confirmaram, na última sexta (18), resultado positivo para a doença em um morador do condado de LaPorte.

Além disso, o vírus da EEE foi detectado em cavalos em LaGrange, LaPorte e Kosciusko. A área de aplicação contra mosquitos foi definida considerando que o inseto contaminado pode alcançar até mais de oito quilômetros. Os mosquitos adquirem o vírus da encefalite equina ao picarem aves e daí o transmitem a cavalos e humanos.

Mapa da região norte de Indiana indica condados que detectaram a presença do vírus em uma pessoa (azul) e apenas em cavalos (azul claro), além dos condados que reforçaram a vigilância (verde claro)

Nas pessoas, os sintomas iniciais da doença se assemelham aos da dengue. Porém o mal pode evoluir para outros sintomas, como diarreia, dor na nuca, confusão mental e inchaço no cérebro (encefalite). Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), cerca de 30% das pessoas contaminadas com a EEE morrem e muitos dos sobreviventes passam a ter problemas neurológicos crônicos.

Embora humanos e outros mamíferos possam ser infectados, eles não transmitem a doença. Ou seja, cavalos doentes são o alerta de que o vírus está na área. No ano passado, o norte de Indiana registrou uma pessoa morta por encefalite, um morador contaminado e 14 cavalos doentes. O que para as autoridades de saúde locais foi considerado um surto significativo. As autoridades também iniciaram uma campanha para que as pessoas redobrem os esforços para eliminar focos de mosquitos em suas residências.

TÉCNICA

A operação desta terça e quarta-feira deve utilizar o inseticida Dibrom em pulverização de ultrabaixo volume. O produto é especialmente indicado para mosquitos e utilizado desde 1959 pelas autoridades sanitárias dos Estados Unidos – ano em que foi aprovado pela Agência de Proteção Ambiental do país (EPA). O produto é considerado de baixo risco ambiental – inclusive para pessoas, animais domésticos e abelhas.

O uso de aviões no combate a mosquitos é feito desde os anos 1920 nos Estados Unidos, tanto com uso de inseticidas específicos para vetores, quando com larvicidas biológicos. A técnica também é utilizada em países da América Latina e Europa. A técnica não é novidade nem no Brasil. Em 1975, o uso de aviões contra mosquitos foi determinante para eliminar um surto de encefalite que causou vítimas nas cidades de Mongaguá, Peruíbe e Itanhaém, no litoral paulista.

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