3 de fevereiro de 2026

Boletim Econômico | Petróleo despenca com sinalização de negociações entre Estados Unidos–Irã

Confira as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): = R$ 5,50 | Estimativa/2026

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | dezembro/2025

Juros EUA (Fed): = 3,50% – 3,75% | Estimativa/2026

PIB EUA: ↑4,4% | 3º trimestre/2025 – Estimativa atualizada

Desemprego EUA: = 4,4% | dezembro/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2026

PIB Brasil: ↑2,7% | 3º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↓-5,16% – US$ 60,83 | 02/02/2026

Petróleo Brent: ↓-4,67% – US$ 65,66 | 02/02/2026

Heating Oil: ↓-7,07% – US$ 2,34/galão | 02/02/2026

Etanol anidro (SP): ↓-1,85% R$ 3,4722/litro | média semanal encerrada em 30/01/2026

INPC dezembro/2025: ↑0,21%

INPC dos últimos 12 meses: ↑3,90%

IAVAG dezembro/2025: ↑1,58%

IAVAG dos últimos 12 meses: ↓-2,71%

 

Câmbio (Dólar/Real)

A última semana de janeiro foi marcada por uma redução significativa do dólar, que encerrou a última sexta-feira do mês cotado próximo de R$ 5,24. No acumulado de janeiro, a moeda norte-americana registrou desvalorização de aproximadamente -4,40%.

Nesta segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026, o dólar oscila próximo da estabilidade, com leve viés de alta, sendo cotado em torno de R$ 5,25.

No cenário prospectivo, o Boletim Focus apontou leve melhora nas expectativas de inflação para 2026 (IPCA de 4,00% para 3,99%) e manteve a projeção de câmbio em R$ 5,50 ao fim de 2026, sugerindo ancoragem das expectativas no horizonte anual, apesar da volatilidade no curto prazo.

Para o IAVAG, o dólar em queda tende a reduzir a pressão de repasse sobre itens com formação de preço direta ou indiretamente dolarizada (como peças e insumos com referência externa), contribuindo para maior previsibilidade no curto prazo. Ainda assim, a manutenção da projeção de câmbio em R$ 5,50 no fim de 2026 indica que o cenário-base permanece de câmbio elevado, o que reforça o dólar como um vetor relevante de risco para a trajetória do índice ao longo de 2026.

 

Inflação nos EUA (CPI)

O CPI dos EUA em dezembro/2025 reforça um quadro de desaceleração gradual, porém ainda acima da meta de 2% do Fed: o índice cheio avançou +0,3% no mês, com habitação (shelter) como principal vetor, e acumulou +2,7% em 12 meses; já o núcleo (CPI ex-alimentos e energia) ficou em +2,6% em 12 meses. Nesse contexto, o Federal Reserve reiterou que a inflação permanece “um tanto elevada” e que as decisões seguirão dependentes dos dados, com cautela até haver sinais mais consistentes de convergência, antes de iniciar cortes adicionais de juros; o que tende a sustentar o dólar e a volatilidade financeira.

Os dados do CPI de janeiro de 2026 estão programados para serem divulgados em 11 de fevereiro.

 

Taxa de Juros – EUA

Na última reunião, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos (Fed Funds) no intervalo de 3,50% a 3,75% (limite superior em 3,75%), em linha com a expectativa do mercado. A decisão confirma a permanência da política monetária em nível restritivo, enquanto o cenário prospectivo ainda embute a possibilidade de cortes ao longo de 2026, condicionados à evolução da inflação e do mercado de trabalho.

A taxa de juros dos EUA segue como referência central para a dinâmica do dólar no curto prazo. Com os juros ainda elevados, o Fed tende a manter uma comunicação cautelosa e orientada por dados, ajustando o ritmo de flexibilização conforme a trajetória do CPI e as condições do emprego. Em geral, a manutenção de juros altos por mais tempo sustenta o dólar e encarece o financiamento global; já uma sinalização mais clara de cortes adiante tende a reduzir essas pressões, favorecendo moedas emergentes e contribuindo para um ambiente mais favorável a commodities.

 

PIB – Estados Unidos

As últimas atualizações do PIB dos EUA no 3º trimestre de 2025 (estimativa atualizada do BEA) revisaram o crescimento para 4,4% (taxa anualizada), +0,1 p.p. acima da estimativa inicial (4,3%). O avanço refletiu alta de consumo, exportações, gastos do governo e investimento, enquanto as importações recuaram (o que soma ao PIB na contabilidade).

Na leitura do Federal Reserve, o dado reforça que a economia segue em ritmo sólido, mas não elimina a necessidade de cautela na política monetária: no pronunciamento mais recente, Jerome Powell destacou que o Fed segue orientado por dados e observou que, quando PIB e mercado de trabalho “divergem”, o banco central tende a dar maior peso aos sinais do emprego, reconhecendo que o PIB é mais difícil de medir e pode sofrer revisões — ainda que o crescimento forte possa estar sendo parcialmente explicado por ganhos de produtividade

 

Desemprego – EUA

A última divulgação do mercado de trabalho dos EUA (Employment Situation – dezembro/2025) mostrou ritmo fraco de geração de vagas: o payroll avançou apenas +50 mil, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,4% (cerca de 7,5 milhões de desempregados). No detalhe, o emprego seguiu crescendo em alimentação e bebidas (+27 mil) e saúde (+21 mil), mas o varejo perdeu vagas, e a massa de indicadores sugere um mercado mais “lento” do que em 2024; além disso, os salários mantiveram alta moderada (+0,3% no mês; +3,8% em 12 meses).

Na leitura do Federal Reserve, os dados indicam que as condições podem estar se estabilizando após um período de arrefecimento gradual, com criação líquida de empregos ainda baixos e desemprego relativamente estável. O Fed também apontou que parte da desaceleração do emprego reflete menor crescimento da força de trabalho (ligado a imigração e participação), embora a demanda por trabalho também tenha suavizado — reforçando uma postura cautelosa e dependente de dados na condução dos juros.

 

Selic – Brasil

No comunicado mais recente, o Banco Central do Brasil, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), manteve a taxa Selic no mesmo patamar (15,00% a.a.), em linha com o que o mercado já esperava. A decisão reforça que a política monetária segue restritiva, com o objetivo de consolidar a convergência da inflação à meta em um cenário ainda marcado por incertezas e necessidade de cautela.

Para o mercado, a manutenção no nível atual ancora expectativas no curto prazo e mantém o custo de crédito elevado, ao mesmo tempo em que o comunicado sinaliza que, se o cenário evoluir conforme o esperado, pode haver recalibração com início de cortes a partir da próxima reunião (março) — o que tende a melhorar o humor dos ativos domésticos e reduzir gradualmente a pressão financeira, mas sem eliminar a postura prudente do BC.

O Boletim Focus indica queda marginal nas expectativas de inflação para 2026 e mantém a mediana da Selic em 12,25% ao fim de 2026, sugerindo um processo de redução gradual condicionado à convergência inflacionária e ao balanço de riscos.

 

PIB – Brasil (3º Trimestre de 2025)

Segundo o IBGE, o PIB brasileiro ficou praticamente estável no 3º trimestre de 2025, com variação de +0,1% frente ao 2º trimestre (série com ajuste sazonal), indicando perda de fôlego da atividade na margem. Na comparação com o 3º trimestre de 2024, o PIB avançou +1,8%, enquanto no acumulado do ano até setembro a economia cresceu +2,4%.

Pela ótica setorial, o resultado refletiu serviços com alta modesta (próximo de estabilidade) e indústria com desempenho melhor, enquanto a agropecuária ainda contribuiu positivamente. Do lado da demanda, houve crescimento muito contido do consumo das famílias, mas investimento (FBCF) em alta e gasto do governo contribuindo para sustentar o nível de atividade; a taxa de investimento ficou em 17,3% do PIB.

As expectativas do Boletim Focus divulgadas nesta segunda – feira (02/02), a mediana manteve a mesma projeção para o crescimento do PIB de 1,80% em 2026 e 2027, e 2,00% em 2028 e 2029, reforçando um cenário de expansão moderada à frente.

 

Desemprego – Brasil

No 3º trimestre de 2025 (trimestre encerrado em setembro), o IBGE apurou taxa de desocupação de 5,6%, repetindo o menor patamar da série iniciada em 2012. Em relação ao trimestre anterior, houve recuo de 0,2 p.p. (de 5,8% para 5,6%) e, na comparação anual, queda de 0,8 p.p. (de 6,4% para 5,6%), sinalizando um mercado de trabalho mais aquecido e com menor ociosidade. Nesse contexto, a taxa de desemprego mais baixa tende a sustentar renda e demanda interna, mas também mantém o debate sobre pressões inflacionárias e o ritmo de redução de juros, pontos relevantes para custo de crédito, câmbio e planejamento do setor aeroagrícola.

 

Heating Oil

Nesta segunda-feira (02/02/2026), o preço do heating oil caiu para US$ 2,34/galão, totalizando uma queda de 7,17% em relação ao pregão anterior. A queda nos preços do heating oil acompanha o tombo do petróleo após a redução do prêmio de risco geopolítico com sinalização de negociações entre EUA e Irã.

Para o IAVAG, esse movimento sugere alívio de curto prazo no componente de energia (redução de pressão via derivados), mas o cenário segue de volatilidade elevada, já que mudanças rápidas no petróleo e no dólar podem reverter esse ganho em poucas sessões.

 

Etanol Anidro

O etanol anidro encerrou a última semana de janeiro em queda de -1,85%, recuando de R$ 3,5377/litro para R$ 3,4722/litro nas usinas de São Paulo, marcando o fim de uma sequência de seis semanas de alta.

Segundo leitura reportada com base em CEPEA/ESALQ, a correção ocorreu em um contexto de demanda spot menos firme, pois parte dos compradores (distribuidoras) manteve foco na retirada de volumes adquiridos anteriormente a preços menores, reduzindo a necessidade de novas compras no curto prazo.

Para o IAVAG, esse recuo tende a representar alívio pontual no componente relacionado ao etanol, diminuindo a pressão de custos no curtíssimo prazo — embora o mercado siga sujeito a volatilidade, especialmente em períodos de entressafra e mudanças no ritmo de compras.

 

INPC – dezembro/2025

Em dezembro/2025, o INPC avançou 0,21%, acelerando em relação a novembro (0,03%), e encerrou 2025 com alta acumulada de 3,90%. A pressão no mês ficou concentrada em itens de consumo corrente e serviços, com destaque para artigos de residência (0,70%), alimentação e bebidas (0,55%), vestuário (0,53%), saúde e cuidados pessoais (0,48%) e comunicação (0,45%), enquanto habitação (-0,50%) ajudou a conter o índice.

 

IAVAG nos últimos 12 meses

jan/25 -2,20%
fev/25 ↑ 0,43%
mar/25 -0,70%
abr/25 ↓-0,86%
mai/25 ↓-0,35%
jun/25 ↓-0,81%
jul/25 1,48%
ago/25 ↓-1,29%
set/25 ↓-0,68%
out/25 1,29%
nov/25 ↓-0,60%
dez/25 1,58%
Total: -2,71%

 

IAVAG – dezembro/2025

Em dezembro/2025, o IAVAG avançou +1,58%, revertendo a queda de novembro (-0,60%). O movimento foi puxado principalmente pela valorização do dólar (+3,16%), além do INPC (+0,21%) e do etanol (+6,97%); a queda do heating oil (-9,6%) ajudou a conter parte da pressão via energia.

Apesar do repique mensal, o índice ampliou o alívio em 12 meses, passando de -1,53% para -2,71%, em grande parte por efeito-base (a alta de dez/2024 saiu da comparação). Para o setor aeroagrícola, o resultado indica pressão de curto prazo em itens mais sensíveis ao câmbio (peças e componentes importados), mas com custo médio anual mais favorável no fechamento de 2025 — reforçando a importância de monitorar dólar/juros e ajustar contratos para reduzir exposição à volatilidade no início de 2026.

A seguir, os gráficos consolidam os principais movimentos do índice IAVAG e dos indicadores que o compõem, acompanhados ao longo do boletim. A leitura visual facilita a identificação de tendências, pontos de inflexão e períodos de maior volatilidade, complementando as análises apresentadas ao longo do texto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte da imagem de capa: Audax Renewables

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, CNN, G1, REUTERS.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia

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