Congresso Web: Produtores de algodão apostam na qualidade para ganhar mercado

Presidente da Abapa, Júlio Busato, falou na abertura do ciclo de palestras da programação e destacou a importância da aviação para a boa reputação do produto no exterior

 

Segundo o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Júlio Busato, o consumo mundial da pluma caiu de 27 milhões para 22 milhões de toneladas, por conta da pandemia do novo coronavírus. Com isso, a estimativa é de que a área plantada de algodão para a próxima safra também possa reduzir em até 20%, enquanto os produtores esperam o mercado se estabilizar. As declarações ocorreram nessa quarta-feira (27), abrindo o ciclo de palestras do Congresso Web, promovido pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). O Congresso Web segue até o dia 30 de julho e a palestra de Busato marcou também as comemorações o Dia Internacional do Piloto Agrícola.

Com a Covid-19 fazendo o mercado mundial priorizar alimentos e medicamentos, no agro, a pandemia acabou atingidos a produção de flores, algodão e etanol. “Mas é uma ponte que temos que atravessar”, explicou o dirigente apostando em retomada. Busato destacou a importância, nesse cenário, da alta qualidade do algodão brasileiro e a abertura de mercados conseguida nos últimos anos. Atualmente, o Brasil é o quarto maior produtor mundial da pluma e ocupa o posto de segundo maior exportador, atrás apenas dos Estados Unidos. “Esse é um mercado que, além de qualidade e produção responsável, exige boa reputação de entrega por parte dos fornecedores.” Segundo o presidente da Abapa, fatores que também reforçam a importância do setor aeroagrícola na retomada pós-pandemia.

Cerca de 400 pessoas acompanharam a palestra em tempo real pela internet, entre empresários, pilotos e técnicos do setor aeroagrícola em 23 Estados, além da coordenadora de Aviação Agrícola no Ministério da Agricultura, Uéllen Lisoski Duarte Colatto, e representantes de superintendências regionais do órgão. A plateia virtual teve fornecedores e parceiros do setor do Mercosul, Estados Unidos, Canadá e Europa. “O Congresso Web está sendo um marco na aviação agrícola mundial, como primeiro evento desse tipo no setor”, festejou o presidente do Sindag, Thiago Magalhães, na abertura do encontro.

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PROSPECÇÃO

Busato destacou no encontro o trabalho realizado em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Desde 2015 a entidade nacional organiza a Missão Compradores, trazendo ao País grupos de industriais têxteis oriundos de grandes mercados consumidores de plumas – China, Bangladesh, Vietnã, Turquia, Paquistão, Índia, Coreia do Sul e outros. “Quando os compradores vêm tudo o que fazemos aqui (técnicas de produzido, pesquisas de melhoria e análises de qualidade), ficam surpresos. E nós, satisfeitos.” No ano passado, em parceria com Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), as associações abriram um escritório permanente em Singapura, para promover o algodão brasileiro na Ásia. “Agora, com a pandemia, não há ninguém lá. Mas logo que essa crise passar, esse trabalho será muito importante.

O Brasil tem uma estimativa de produção de 2,86 milhões de toneladas de pluma na safra 2019/2020. Como se trata de uma commodity futura, essa produção já está vendida. Daí a expectativa dos produtores mundiais pisarem no freio para não sobrar produto e faltar compradores após a pandemia (que, na verdade, não se sabe exatamente quando acabará). “A sorte é que algodão é um produto que pode ser guardado”, comentou Busato. Além disso, o País tem o trunfo da eficiência. “No Brasil, a produtividade é de 1.780 quilos de pluma por hectare, enquanto os Estados Unidos produzem 970 quilos e os chineses 450 quilos a cada hectare”, lembrou o dirigente

Além disso, a tendência é de a diminuição de área plantada seja a mínima possível, justamente para manter a reputação de fornecimento. “Trata-se um mercado que exigiu muito esforço para ser conquistado e não pode ser perdido. Assim, mesmo que os produtores optem, por exemplo, por investir um pouco mais na soja (cultura que faz rotação com o algodão), não vão deixar o algodão de lado.”

PROGRAMAÇÃO

O Congresso Web representa a versão virtual do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil e foi criado depois da decisão do Sindag de postergar para 2021 o encontro aeroagrícola deste ano, que estava marcado para o final de julho, em Sertãozinho, São Paulo. O evento presencial segue ano que vem mesma cidade que o recebeu em 2019, quando teve um novo recorde (3,1 mil visitantes passaram pelos 143 expositores e acompanharam as 42 palestras e cinco fóruns de discussões) e se tornou o maior evento do setor no mundo.

Conforme a coordenadora de Eventos do sindag, Marília Güenther, além do Ciclo de Palestras, a programação via internet prevê a feira virtual, com três ações principais: a divulgação de notícias das expositoras e parceiras (Empresas em Movimento) e a divulgação de promoções das empresas. Além da Rodadas de Negócios, onde todas a cada terça-feira (a partir da próxima semana) cinco expositores terão espaços de 10 minutos para apresentar produtos, oferta e promoções.

Marília também anunciou o lançamento da Medalha Flapinho – Amiguinho da Aviação Agrícola, voltada para a criançada. Os participantes podem ter até 10 anos de idade e a promoção será um concurso entre vídeos falando sobre o avião. “Quem desejar participar precisa apenas enviar um vídeo de até um minuto de duração ou um texto sobre o trabalho da aviação agrícola nas lavouras ou no combate a incêndios, destaca Marília. “Os vídeos serão publicados até o dia 15 de julho nos canais do Sindag no Facebook e no Instagram. Os dois mais curtidos serão colocados em votação até o dia 30. O vencedor ganhará a medalha e todos os participantes receberão um exemplar da Revista Flapinho”.