Gafanhotos são localizados a 180 km do RS, mas sem grandes deslocamentos

Técnicos do Senasa devem continuar nesta segunda o rastreando da nuvem de insetos em uma região de Corrientes, a cerca de 180 quilômetros de Uruguaiana

Assim como na sexta-feira e no sábado, o domingo foi de caça a gafanhotos para as equipes do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) na província de Corrientes. Conforme o boletim do órgão divulgado na noite desse domingo, os técnicos do Senasa, visualizaram os gafanhotos se deslocando no sentido norte/noroeste, na região do município de Sauce. A estimativa das equipes é de que os insetos pousaram no final da tarde em uma área cerca de 20 quilômetros ao norte da localidade de Zarza Rincón e a sudoeste da localidade de Perrugoria, dentro do território de Curuzu Quatiá (a cerca de 180 quilômetros de Uruguaiana).

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Nesse domingo, os técnicos avistaram os insetos a partir das 13h30 e às 17 horas perderam contato visual com os gafanhotos nessa região. A busca havia começado pela manhã, ao norte de Sauce. Quando terminaram as estradas secundárias, o grupo começou a seguir para norte pela Ruta 23. No caminho, eles ainda cruzaram por alguns insetos que provavelmente se desgarraram da nuvem. A região é inóspita e de difícil deslocamento – pela falta de estradas e muitas regiões de vegetação fechada e banhados se revezando com campos.

Mesmo com os insetos tendo se deslocado no final de semana em direção oposta, segue o alerta na fronteira gaúcha com a Argentina. Conforme o fiscal agropecuário Juliano Ritter, da Secretaria de Agricultura do Estado, com a chegada de uma frente fria, o tempo deve esfriar no Rio Grande do Sul nesta semana – o que seria pouco convidativo para gafanhotos. Embora o vento possa mudar em direção ao Estado na quarta-feira.

 SÁBADO

Os gafanhotos voltaram a se deslocar depois de uma aplicação aérea realizada na manhã de quinta-feira (2), que eliminou cerca de 15% da nuvem. Embora o Senasa não tenha divulgado uma avaliação precisa do resultado, a estimativa foi informada pelo representante local das Confederações Rurais Argentinas (CRA) Martin Rapetti. Com o frio, os gafanhotos estão se deslocando em voos curtos desde sexta (dia 3) e sendo rastreados pelos técnicos do governo argentino.

A operação aérea do dia 2 foi a segunda contra os gafanhotos. Ela cobriu uma área de 115 hectares, no norte de Sauce, onde os insetos permaneceram pousados desde a segunda-feira, dia 29. A operação aérea anterior havia ocorrido no dia 26 de junho, quando a nuvem estava pousada em uma área de 70 hectares no interior do município de Curuzú Quatiá – mais a leste na província. A estimativa é de que, na ocasião, outros 15% dos gafanhotos haviam sido eliminados.

 PROJETO

Também no último dia 2, representantes do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul e de outras entidades brasileiras participaram de uma videoconferência com as entidades de aviação agrícola da Argentina e Uruguai, além de autoridades do ministérios da Agricultura dos dois países. O objetivo foi nivelar as informações entre os técnicos, autoridades e operadores aeroagrícolas.

Um dos destaques foi a apresentação do chefe do Programa Nacional de Gafanhotos e Ticuras da Argentina, Hector Emílio Medina. Ele relatou o histórico das ações de combate a gafanhotos em seu país desde a fundação do Programa, em 1891. E ressaltou o aumento, desde 2015, na incidência de grandes nuvens de gafanhotos na região entre o norte argentino, o Paraguai e a Bolívia. A nuvem que hoje está na província de Corrientes havia sido detectada pela primeira vez em 11 de maio, quando o Serviço de Qualidade e Sanidade Vegetal do Paraguai (Senave) alertou o governo argentino de que uma nuvem de gafanhotos estava se deslocando pela região do Chaco rumo sul.

A partir daí, os insetos seguiram por mais de 1 mil quilômetros (com as correntes de vento e temperaturas altas para essa época) até próximo à fronteira com o Rio Grande do Sul e o Uruguai. Foi a primeira vez em mais de 70 anos que uma nuvem tão grande chegava à região.  Por conta disso, o Mapa decretou emergência fitossanitária para se preparar para o combate à praga e as empresas associadas ao Sindag no Estado entraram em alerta.

Ao mesmo tempo, o sindicato aeroagrícola elaborou o texto preliminar de um plano para um programa permanente para enfretamento da praga no Brasil. Isso a partir dos protocolos do Senasa e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O documento segue sendo avaliado pelo Mapa e abrange dados sobre as características dos insetos e sua voracidade, as formas de combate em cada estágio e a tecnologia disponível no País.

O estudo reforça ainda os requisitos legais para as empresas aeroagrícolas operarem, desde registros e licenças ambientais até a formação mínima da equipe. A elaboração do plano ficou a cargo de uma equipe de agrônomos, todos com doutorados abrangendo áreas de Bioquímica, Fisiologia, Entomologia e Tecnologias de Aplicação.

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