Segue intenso o trabalho da aviação agrícola contra incêndios no Mato Grosso

Duas aeronaves que operam em Porto Jofre/MT lançaram mais de 86 mil litros de água contra chamas somente no sábado e outros três aviões seguem combatendo fogo também na Chapada dos Guimarães

Como já ocorre há quase um mês, o feriadão da Independência está sendo de combate a incêndio para a aviação agrícola no Pantanal mato-grossense. No sábado, duas aeronaves que operam a partir da base de Porto Jofre realizaram mais de 20 lançamentos de água contra as chamas cada uma, durante mais de cinco horas seguidas de operação aérea. Os aviões são dois turboélices Air Tractor – um modelo AT-502, com capacidade para cerca de 1,9 mil litros de água, e um AT-602, com capacidade para quase 2,4 mil litros. Juntos, eles lançaram juntos cerca de 86 mil litros de água sobre focos de incêndio, em apenas em um dia.

Os combates do sábado ocorreram em apoio aos brigadistas do Instituto Chico Mendes (ICMBio) a cerca de 20 minutos de voo nos arredores da base.  No domingo, os aviões não puderam decolar por causa da fumaça e tiveram que mudar de posição em solo porque as chamas se aproximaram perigosamente da pista.

No sábado os dois Air Tractors que operam em Porto Jofre lançaram cerca de 86 mil litros de água contra as chamas – Foto: Marcelo China

As equipes em terra abriram um aceiro para evitar que o fogo alcançasse a base e a esperança é de que as condições estejam melhores nessa segunda, para se retomar o combate aéreo. Além do Pantanal, a aviação agrícola segue operando também na Chapada dos Guimarães, ainda no Mato Grosso e em agosto ainda atuou na Serra da Canastra.

A temporada de incêndios florestais no País ocorre entre julho e setembro e a expectativa ainda é de bastante trabalho pelo menos até o final do mês. Conforme o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), além das áreas de reserva naturais, aviões agrícolas também estão trabalhando bastante este ano contra fogo em lavouras, principalmente em São Paulo e Goiás.

AÇÃO CONJUNTA

Nesse tipo de operação, o trabalho sempre ocorre em conjunto com os brigadistas em terra. A função dos aviões é amenizar as chamas para permitir a aproximação do pessoal em solo, além de eliminar os focos em áreas de difícil acesso. Os aviões também são importantes para proteger os brigadistas e segurar o fogo que avança sobre a fauna silvestre. Nas áreas de lavoura, eles também são a principal linha de ação para evitar que o fogo atinja instalações ou avance sobre as reservas naturais.

Camilo Freitas e Marcelo (China) Amaral seguem operando no Pantanal

Atualmente, no Brasil, além do ICMBio o governo paulista também contrata aviões agrícolas para auxiliar os bombeiros no combate a incêndios florestais. Neste caso, segundo um programa inspirado no trabalho do California Department of Forestry (Cal Fire), nos Estados Unidos.

No último mês de agosto, o Sindag se ofereceu para ajudar o governo federal para a construção de um plano nacional reforçando o apoio aéreo nas ações de combate a incêndios em reservas no País. O assunto também está sendo tema de uma série de debates via web promovido pela entidade – o primeiro encontro ocorreu no último dia 2 (veja AQUI) e outro está marcado para o próximo dia 16.

Além disso, nos próximos dias 21 a 25 será realizada a segunda edição este ano do Curso Brasileiro de Combate Aéreo a Incêndios em Campos e Florestas, em Olímpia, no interior paulista. A promoção é da Fundação Astronauta Marcos Pontes (Astropontes) e da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), de Bauru. Com apoio das empresas Pachu Aviação Agrícola e Americasul Aviação Agrícola, além do Sindag e do instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag).

Desde 1969 o combate a incêndios florestais está entre as prerrogativas da aviação agrícola brasileira. Além disso, o País possui a segunda maior frota aeroagrícola do planeta, com cerca de 2,3 mil aeronaves, boa parte delas ociosas durante a temporada de incêndios, que coincide com o período de entressafra. Desde o início dos 2000 os pilotos agrícolas brasileiros participam anualmente de ações contra chamas em reservas pelo País. Foi na mesma época também em que começaram os cursos complementares para treinar os profissionais do voo em lavouras para o combate ao fogo.

Confira abaixo cenas do trabalho no final de semana e a fala do piloto Camilo Freitas sobre o trabalho na linha de frente contra os incêndios: