Senasa segue busca por gafanhotos em Corrientes

Insetos seguem em área de difícil acesso a cerca de 180 quilômetros da fronteira gaúcha, imobilizados pelo tempo frio

Pelo segundo dia consecutivo, nessa terça-feira (7) os técnicos do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) não conseguiram chegar até o local onde eles suspeitam que esteja pousada a nuvem de gafanhotos que desde junho circula pela província de Corrientes. Desta vez, o mau tempo foi um obstáculo na região. Junto com o frio, que deu uma acentuada. As equipes da agência argentina acreditam que os insetos estão desde segunda-feira em uma área cerca de 20 quilômetros ao norte da localidade de Zarza Rincón e a sudoeste da localidade de Perrugoria, dentro do território de Curuzu Quatiá (a cerca de 180 quilômetros de Uruguaiana).

A área tem diversos pontos onde só se consegue passar com caminhonete ou jipe e outras onde só se circula a cavalo. E há pontos onde simplesmente não dá para transitar (com banhados e vegetação mais fechada). Outro fator que dificulta a localização exata é o frio: não há nenhum gafanhoto no céu para assinalar o ponto onde estão. Por outro lado, baixas temperaturas também os mantem no mesmo local (embora não morram enquanto não chegar abaixo de zero grau).

As buscas devem prosseguir na região nessa quarta-feira (8).

ALERTA SEGUE NO RS

Apesar de estarem relativamente próximos da fronteira gaúcha, a atual situação do tempo (ventos e frio) na região inibe a vinda dos gafanhotos para o Brasil. Embora prossiga o alerta do lado de cá da fronteira. A nuvem de insetos chegou a ter, em voo, 10 quilômetros de comprimento por três de largura (o que dá cerca de 400 milhões de insetos). Ela foi combatida por aviões no dia 26 de junho e 2 de julho, em momentos em que estava pousada e pôde ser mapeadas pelos técnicos do Senasa. Em cada uma das ocasiões, foram eliminados cerca de 15% dos gafanhotos.

Conforme o Programa de Controle de Gafanhotos e Ticuras do Senasa (criado em 1897), desde 2015 grandes nuvens têm se tornado mais comuns entre a Bolívia, Argentina e Uruguai. A que agora está sobre Corrientes é a primeira em 70 anos que, nessa escala, chega tão próximo à fronteira gaúcha. O que deixou em alerta tanto o Brasil quanto o Uruguai. No dia 29 de junho o Ministério da Agricultura brasileiro publicou uma portaria declarando emergência fitossanitária. O documento traçou diretrizes para o controle à praga, caso entre no País – inclusive relacionando produtos químicos ou biológicos para seu combate.

Ao mesmo tempo, o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) colocou aviões à disposição das autoridades – com as empresas da fronteira gaúcha contabilizando em torno de 50 aeronaves capazes de uma ação imediata. Além da frota do restante do Estado, que é de mais de 400 aparelhos. O sindicato aeroagrícola também promoveu encontros virtuais com entidades coirmãs da Argentina e Uruguai, além de ter reunido as entidades, em videoconferência, com autoridades brasileiras e dos dois países vizinhos.

O Sindag também elaborou o esboço de um plano permanente para controle da praga. O documento foi construído a partir dos planos da Argentina e da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O trabalho foi coordenado por quatro agrônomos com doutorados em Biologia, Fisiologia, Entomologia e Tecnologias de Aplicação. O plano foi entregue ao Ministério da Agricultura, que o está avaliando.