{"id":1520,"date":"2020-07-20T14:17:09","date_gmt":"2020-07-20T17:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/?post_type=colunas_sindag&#038;p=1520"},"modified":"2021-08-23T15:58:21","modified_gmt":"2021-08-23T18:58:21","slug":"a-malaria-do-nosso-tempo","status":"publish","type":"colunas_sindag","link":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/colunas_sindag\/a-malaria-do-nosso-tempo\/","title":{"rendered":"A mal\u00e1ria do nosso tempo"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"entry-title single-title\">A mal\u00e1ria do nosso tempo<\/h1>\n<p><strong>A mal\u00e1ria do nosso tempo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade p\u00fablica como m\u00e1xima legitimidade da avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola<\/strong><\/p>\n<p>Por Gustavo Mar\u00f3n<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria aeron\u00e1utica geralmente fornece t\u00f3picos interessantes para reflex\u00e3o. Estudando as primeiras opera\u00e7\u00f5es com helic\u00f3pteros agr\u00edcolas Bell 47 na Argentina, iniciadas em 1947 pela empresa TAYR (Trabajos A\u00e9reos y Representaciones SA), descobri que em 1948 a mesma empresa foi contratada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Brasil para combater o Mal\u00e1ria no estado de Santa Catarina. O trabalho consistiu na aplica\u00e7\u00e3o do inseticida Dicloro Difenil Tricloroetano (DDT), em p\u00f3 ou emulsionado, em mosquitos do g\u00eanero Anopheles (subg\u00eanero Kerteszia). Provavelmente o TAYR Bell 47B-3, registrado LV-AEG, foi o primeiro helic\u00f3ptero que sobrevoou o territ\u00f3rio brasileiro, desde que a Marinha do Brasil incorporou o primeiro de dois Westland Widgeon apenas em 1957, enquanto a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira apenas incorporaria seus primeiros helic\u00f3pteros (cinco Bell 47J) em 1959. A verdade \u00e9 que o uso desse pequeno helic\u00f3ptero permitiu eliminar 99,8% da popula\u00e7\u00e3o de mosquitos, de acordo com medi\u00e7\u00f5es feitas antes e ap\u00f3s o tratamento da praga. Isso foi afirmado pelo pesquisador Paulo de Tarso S\u00e3o Thiago em sua obra Hist\u00f3ria da Mal\u00e1ria, em Santa Catarina, publicada em 2003 pela Universidade Federal de Santa Catarina (https:\/\/core.ac.uk\/download\/pdf\/30367004.pdf).<\/p>\n<p>Mais de meio s\u00e9culo se passou desde a conclus\u00e3o das memor\u00e1veis ??campanhas a\u00e9reas contra a mal\u00e1ria e, desde ent\u00e3o, a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira n\u00e3o alcan\u00e7ou um n\u00edvel de aceita\u00e7\u00e3o social equivalente ao alcan\u00e7ado na luta contra esse inseto. Hoje, a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola argentina tamb\u00e9m n\u00e3o tem o reconhecimento social que teve entre 1947 e 1957, per\u00edodo em que seus avi\u00f5es lutaram (e erradicaram) as pragas de gafanhotos gigantes que antecederam sua produ\u00e7\u00e3o de cereais. Assim, em vez de receber aplausos da comunidade por seu trabalho (que \u00e9 uma garantia de produ\u00e7\u00e3o, exporta\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de bem-estar), os pilotos agr\u00edcolas s\u00e3o sistematicamente questionados hoje em ambos os pa\u00edses por grupos ambientais radicalizados cuja virul\u00eancia e fanatismo j\u00e1 J\u00e1 lidamos com notas anteriores.<\/p>\n<p>Assim, com mais recursos e mais tecnologia do que nas d\u00e9cadas de 1940 ou 1950, com mais informa\u00e7\u00f5es e capacidade operacional do que nunca, nossa comunidade do agroneg\u00f3cio vive atualmente em um estado cont\u00ednuo de inquieta\u00e7\u00e3o, em um permanente senso de controle, diante de uma sociedade que O melhor caso a ignora, geralmente a critica e nunca reconhece os m\u00e9ritos. Talvez seja a hora de construir novas pontes, talvez seja a hora de implantar a\u00e7\u00f5es de responsabilidade social corporativa que permitam recuperar a legitimidade perdida, atualizando o prest\u00edgio inquestion\u00e1vel que a atividade do agroneg\u00f3cio j\u00e1 teve.<\/p>\n<p>Nesse sentido, acredito que a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola deve produzir uma mudan\u00e7a copernicana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, para atender \u00e0s necessidades de sa\u00fade da sociedade com seus meios a\u00e9reos. Na minha opini\u00e3o, o inimigo de nosso tempo \u00e9 o mosquito Aedes, vetor da Dengue, Zyka e Chikungunya, tr\u00eas doen\u00e7as que poderiam ser perfeitamente erradicadas pela dispers\u00e3o de inseticidas biol\u00f3gicos em avi\u00f5es.<\/p>\n<p>A dengue \u00e9 uma doen\u00e7a infecciosa causada pelo v\u00edrus hom\u00f4nimo, do g\u00eanero Flavivirus, transmitida por mosquitos da esp\u00e9cie Aedes aegypti. A infec\u00e7\u00e3o causa sintomas de gripe e \u00e0s vezes evolui para uma condi\u00e7\u00e3o com risco de vida. \u00c9 uma infec\u00e7\u00e3o generalizada que ocorre em todas as regi\u00f5es do clima tropical do planeta, predominantemente nas \u00e1reas urbanas, a ponto de mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial estar em risco de contrair dengue. O n\u00famero de casos aumentou dramaticamente desde a d\u00e9cada de 1960, com 50 a 528 milh\u00f5es de pessoas infectadas anualmente em 110 pa\u00edses.<\/p>\n<p>O zika tamb\u00e9m \u00e9 um v\u00edrus do g\u00eanero Flavivirus e tamb\u00e9m \u00e9 transmitido pela picada de mosquitos Aedes aegypti. Nos seres humanos, produz febre ou doen\u00e7a conhecida desde a d\u00e9cada de 1950. O v\u00edrus come\u00e7ou na \u00e1rea tropical da \u00c1sia e da \u00c1frica e em 2014 se espalhou pelo Oceano Pac\u00edfico at\u00e9 a Polin\u00e9sia Francesa, chegando em 2015 e 2016 Am\u00e9rica Central, Caribe e Am\u00e9rica do Sul. A doen\u00e7a est\u00e1 relacionada a doen\u00e7as semelhantes, como febre amarela e febre do Nilo Ocidental, que tamb\u00e9m s\u00e3o causadas por outros flaviv\u00edrus transmitidos por mosquitos. A medicina est\u00e1 estudando a rela\u00e7\u00e3o entre o zika e a microcefalia em rec\u00e9m-nascidos de m\u00e3es infectadas.<\/p>\n<p>Chikungunya \u00e9 uma doen\u00e7a febril causada por um v\u00edrus do tipo Alphavirus transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A doen\u00e7a passa por uma fase febril aguda que dura de dois a cinco dias, seguida de um per\u00edodo de dor nas articula\u00e7\u00f5es dos membros, que pode persistir por semanas, meses ou anos. At\u00e9 o momento, n\u00e3o h\u00e1 tratamento espec\u00edfico, embora existam medicamentos para reduzir os sintomas.<\/p>\n<p>A \u00fanica maneira de prevenir e controlar as tr\u00eas doen\u00e7as mencionadas \u00e9 combater o inseto vetor, ou seja, o mosquito Aedes. Sem mosquitos, a cadeia de infec\u00e7\u00e3o \u00e9 cortada e o v\u00edrus n\u00e3o atinge o corpo humano que pode acomod\u00e1-lo.<\/p>\n<p>O Estado brasileiro (como a Argentina) gastou milh\u00f5es de d\u00f3lares em campanhas publicit\u00e1rias destinadas a conscientizar a popula\u00e7\u00e3o com medidas preventivas destinadas a privar mosquitos de reservat\u00f3rios de \u00e1gua onde depositam seus ovos e larvas. No entanto, tudo foi in\u00fatil porque o mosquito n\u00e3o s\u00f3 gera em ambientes dom\u00e9sticos, mas nas propriedades circundantes, sejam rurais ou urbanas. Consequentemente, o inseto continua a se reproduzir e se espalhar em nossa vasta geografia, aproveitando os nichos ecol\u00f3gicos que representam lagoas, zonas \u00famidas e v\u00e1rios espelhos d\u2019\u00e1gua naturais e artificiais.<\/p>\n<p>A \u00fanica maneira de conter a pandemia \u00e9 erradicar o mosquito, e a \u00fanica maneira de conseguir a erradica\u00e7\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s de uma campanha sistem\u00e1tica de aplica\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de inseticidas biol\u00f3gicos, que ocorre simultaneamente em todas as prov\u00edncias afetadas. A aplica\u00e7\u00e3o a\u00e9rea garante uma taxa de dispers\u00e3o uniforme e um alto impacto na popula\u00e7\u00e3o de insetos, principalmente quando a luta ocorre sistem\u00e1tica e simultaneamente em v\u00e1rios locais. Apenas dez avi\u00f5es de duas empresas fundidas no SINDAG seriam suficientes para que as principais cidades do Brasil e seus arredores fossem completamente cobertas contra o mosquito transmissor do zika, dengue e chikungunya.<\/p>\n<p>Para melhor, a luta contra o mosquito pode ser realizada com produtos ecol\u00f3gicos. A erradica\u00e7\u00e3o do Aedes n\u00e3o requer a dispers\u00e3o de inseticidas de s\u00edntese qu\u00edmica, capazes de gerar resist\u00eancia no inseto ou at\u00e9 de danos ambientais, mas de um inseticida ecol\u00f3gico ou natural como o Bacillus thuringiensis, bact\u00e9ria Gram-positiva que habita o solo e que comumente usado como uma alternativa biol\u00f3gica ao pesticida qu\u00edmico. Bacillus thuringiensis aparece naturalmente no intestino de lagartas de diferentes tipos de mariposas e borboletas, bem como em superf\u00edcies de plantas mal iluminadas. Durante a esporula\u00e7\u00e3o, muitas cepas de Bacillus thuringiensis produzem endotoxinas que possuem propriedades inseticidas.<\/p>\n<p>Por esse motivo, desde 1920, esporos e cristais de prote\u00ednas produzidos por Bacillus thuringiensis t\u00eam sido utilizados como inseticidas naturais no controle de pragas. Atualmente, o bacilo \u00e9 comercializado sob os nomes Bioster, Dipel e Thuricide, apenas para mencionar as marcas mais conhecidas. Esses pesticidas s\u00e3o considerados ecologicamente corretos, pois seus efeitos sobre os seres humanos, a vida selvagem e os insetos polinizadores s\u00e3o m\u00ednimos ou praticamente nulos. Quando os mosquitos Aedes ingerem os cristais de prote\u00edna do bacilo, o pH alcalino do trato digestivo ativa uma toxina que \u00e9 inserida no epit\u00e9lio intestinal, causando a ruptura da membrana celular e a morte.<\/p>\n<p>Imagine o leitor em que p\u00f3dio de gl\u00f3ria estaria localizado a Avia\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola Brasileira se, gra\u00e7as a suas aeronaves, a popula\u00e7\u00e3o de mosquitos transmissores de Dengue, Zika e Chikungunya fosse substancialmente reduzida ou completamente erradicada por meio de campanhas sucessivas, sistem\u00e1ticas e bem-sucedidas sustentado. Seria uma enorme contribui\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade p\u00fablica, uma contribui\u00e7\u00e3o substancial para o bem-estar geral e uma capitaliza\u00e7\u00e3o para todas as atividades do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Historiador aeron\u00e1utico. Advogado representante da Federa\u00e7\u00e3o Argentina de C\u00e2maras Agr\u00edcolas (FEARCA).<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_links_to":"","_links_to_target":""},"colunistas":[55],"generos":[],"class_list":["post-1520","colunas_sindag","type-colunas_sindag","status-publish","hentry","colunistas-gustavo-maron"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag\/1520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/colunas_sindag"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"colunistas","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunistas?post=1520"},{"taxonomy":"generos","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/generos?post=1520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}