{"id":1524,"date":"2020-07-20T14:21:41","date_gmt":"2020-07-20T17:21:41","guid":{"rendered":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/?post_type=colunas_sindag&#038;p=1524"},"modified":"2020-07-20T14:21:41","modified_gmt":"2020-07-20T17:21:41","slug":"os-agricultores-que-alimentarao-o-mundo","status":"publish","type":"colunas_sindag","link":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/colunas_sindag\/os-agricultores-que-alimentarao-o-mundo\/","title":{"rendered":"OS AGRICULTORES QUE ALIMENTAR\u00c3O O MUNDO"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"entry-title single-title\">OS AGRICULTORES QUE ALIMENTAR\u00c3O O MUNDO<\/h1>\n<div>Crescimento econ\u00f4mico e din\u00e2mica populacional ser\u00e3o importantes motores de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.\u00a0 A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) estima que a popula\u00e7\u00e3o mundial dever\u00e1 atingir cerca de 9,8 bilh\u00f5es at\u00e9 2050, crescimento que ser\u00e1 acompanhado por evolu\u00e7\u00e3o da renda e da demanda por alimentos. Em fun\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as demogr\u00e1ficas, teremos uma popula\u00e7\u00e3o mais urbana, mais idosa, mais rica e mais exigente, demandando mais frutas, legumes, prote\u00edna animal, al\u00e9m de alimentos mais elaborados e sofisticados. Essa realidade pressionar\u00e1 os setores agroalimentar e agroindustrial e poder\u00e1 elevar os riscos relacionados \u00e0 polui\u00e7\u00e3o, esgotamento do solo, da \u00e1gua e da biodiversidade, al\u00e9m de intensificar estresses devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Outra preocupa\u00e7\u00e3o crescente refere-se ao tipo de unidades produtivas e de agricultores que ser\u00e3o necess\u00e1rios para garantia da seguran\u00e7a alimentar e nutricional das popula\u00e7\u00f5es no futuro. Afinal, sem agricultores e sem fazendas n\u00e3o h\u00e1 sistema alimentar. Assim, uma a\u00e7\u00e3o central em qualquer estrat\u00e9gia de desenvolvimento \u00e9 a busca de condi\u00e7\u00f5es que viabilizem econ\u00f4mica, social e ambientalmente a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, proporcionando renda e condi\u00e7\u00f5es de vida dignas aos agricultores, aos trabalhadores do campo e suas fam\u00edlias, al\u00e9m de prote\u00e7\u00e3o aos recursos naturais. Esta discuss\u00e3o ocorre em meio a um grande debate, energizado por certo vi\u00e9s ideol\u00f3gico, que antagoniza pequenos produtores e a agricultura de maior escala na discuss\u00e3o dos modelos de produ\u00e7\u00e3o de alimentos mais adequados para o futuro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para melhor contextualizar esta discuss\u00e3o, \u00e9 preciso examinar os n\u00fameros levantados pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO), em 2016, sobre os agricultores no mundo. O estudo cobriu 167 pa\u00edses, que representam 96% da popula\u00e7\u00e3o mundial, 97% da popula\u00e7\u00e3o ativa na agricultura e 90% das terras agr\u00edcolas, mostrando existirem cerca de 570 milh\u00f5es de propriedades rurais em todo o globo.\u00a0 A \u00c1sia concentra 74% delas, sendo que a China responde por 35% e a \u00cdndia, por 24%. Nove por cento s\u00e3o encontrados na \u00c1frica Subsaariana, e 7% na Europa e \u00c1sia Central. Fazendas na Am\u00e9rica Latina e Caribe representam 4% e apenas 3% est\u00e3o localizadas no Oriente M\u00e9dio e no norte da \u00c1frica. Treze por cento das fazendas est\u00e3o em pa\u00edses de baixa renda e 4% nos pa\u00edses mais ricos, ficando os pa\u00edses em desenvolvimento de renda mediana com 83% de todas as propriedades rurais do globo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A FAO estudou tamb\u00e9m uma amostra de 111 pa\u00edses e territ\u00f3rios com um total de cerca de 460 milh\u00f5es de propriedades rurais e concluiu que 72% delas t\u00eam menos de um hectare, 12% t\u00eam entre 1 e 2 hectares, 10%, entre 2 e 5 hectares. Apenas 6% das fazendas do mundo s\u00e3o maiores que 5 hectares. Com o crescimento populacional, a tend\u00eancia \u00e9 de fragmenta\u00e7\u00e3o ainda maior das unidades produtivas nos pa\u00edses mais pobres. Durante a \u00faltima d\u00e9cada, na \u00c1frica, o tamanho m\u00e9dio das propriedades foi reduzido de 2,4 para 2,1 hectares, e de 2,2 para 1,1 hectares na \u00cdndia, entre 1970 e 2011. Redu\u00e7\u00f5es no tamanho das propriedades impedem os agricultores de viver de maneira digna, ampliando a migra\u00e7\u00e3o para as cidades. Some-se a isso o fato de que cresce em todo o mundo o n\u00famero de agricultores ativos com mais de 60 anos de idade, grande parte sem perspectivas de sucess\u00e3o, j\u00e1 que os filhos buscam outras profiss\u00f5es.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Estudos da FAO tamb\u00e9m revelam que o progresso e o crescimento da renda provocam a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de agricultores e o aumento no tamanho das propriedades. As maiores, com uma superf\u00edcie superior a 5 hectares, cobrem 27% das terras em pa\u00edses de baixa renda, 43% nos pa\u00edses de renda m\u00e9dia baixa, 96% nos pa\u00edses de renda m\u00e9dia alta, e 97% em pa\u00edses de alta renda. Pa\u00edses desenvolvidos, grandes produtores e exportadores de alimentos, como Estados Unidos e Holanda, por exemplo, t\u00eam menos de 1% da for\u00e7a de trabalho no campo. Ainda assim, cerca de 14% da economia holandesa e 5.5% da gigantesca economia americana resultam da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Portanto, a dura realidade que se apresenta no horizonte de 2050 n\u00e3o poder\u00e1 ser enfrentada a partir de um est\u00e9ril embate entre pequenos e grandes produtores. Ambos s\u00e3o essenciais, uma vez que dobrar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em prazo t\u00e3o curto exigir\u00e1 a modelagem de uma agricultura cada vez mais diversificada e especializada. O mundo precisar\u00e1 investir na intensifica\u00e7\u00e3o do uso das terras j\u00e1 destinadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de expans\u00e3o prudente de \u00e1rea, com rigoroso balizamento na sustentabilidade. A agricultura comercial de maior escala seguir\u00e1 se ampliando com o avan\u00e7o do progresso econ\u00f4mico, especialmente para prover produtos de grande demanda como soja, milho, carnes, a\u00e7\u00facar, fibras, dentre outros.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os pequenos produtores continuar\u00e3o sendo uma maioria muito importante para o futuro da seguran\u00e7a alimentar, mas sua viabilidade depender\u00e1 de apoio e pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas \u00e0 propriedade da terra e \u00e0 sucess\u00e3o, ao acesso a conhecimento, tecnologia e financiamento, al\u00e9m de mercados amig\u00e1veis \u00e0 l\u00f3gica da inclus\u00e3o produtiva.\u00a0 A produ\u00e7\u00e3o se tornar\u00e1 mais diversa e especializada para ganhar a prefer\u00eancia de consumidores cada vez mais exigentes. Hortali\u00e7as, frutas, caf\u00e9s e produtos especiais ligados \u00e0 moderna gastronomia j\u00e1 sustentam modelos mais sofisticados e rent\u00e1veis de pequena produ\u00e7\u00e3o em muitos pa\u00edses, e certamente se expandir\u00e3o no futuro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Brasil, neste momento, realiza um novo Censo Agropecu\u00e1rio para levantamento de informa\u00e7\u00f5es sobre o seu setor agropecu\u00e1rio. Este retrato atual do mundo rural brasileiro, a ser aprontado em 2018, nos permitir\u00e1 tra\u00e7ar um perfil detalhado da produ\u00e7\u00e3o e dos nossos agricultores, base para projetarmos o futuro que queremos para as m\u00faltiplas agriculturas que povoam nosso imenso e diverso pa\u00eds.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nesse contexto, a atividade aero agricola deve ser extenuantemente discutida, INSERIDA e DEMONSTRADA como vital para a agricultura mundial, em todas esferas de governo e setores reguladores da atividade, para que fique sim dentro da importante tarefa de alimentar o mundo.<\/div>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_links_to":"","_links_to_target":""},"colunistas":[57],"generos":[],"class_list":["post-1524","colunas_sindag","type-colunas_sindag","status-publish","hentry","colunistas-pelopidas-bernardi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag\/1524","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/colunas_sindag"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"colunistas","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunistas?post=1524"},{"taxonomy":"generos","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/generos?post=1524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}