{"id":1548,"date":"2020-07-20T17:52:06","date_gmt":"2020-07-20T20:52:06","guid":{"rendered":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/?post_type=colunas_sindag&#038;p=1548"},"modified":"2020-07-20T17:52:06","modified_gmt":"2020-07-20T20:52:06","slug":"residuos-de-produtos-fitossanitarios-em-alimentos-entendendo-o-seu-significado-primeira-parte","status":"publish","type":"colunas_sindag","link":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/colunas_sindag\/residuos-de-produtos-fitossanitarios-em-alimentos-entendendo-o-seu-significado-primeira-parte\/","title":{"rendered":"Res\u00edduos de produtos fitossanit\u00e1rios em alimentos: entendendo o seu significado-primeira parte."},"content":{"rendered":"<h1 class=\"entry-title single-title\">Res\u00edduos de produtos fitossanit\u00e1rios em alimentos: entendendo o seu significado-primeira parte.<\/h1>\n<p>Nos \u00faltimos anos a m\u00eddia em geral no Brasil e \u00e0queles que se op\u00f5em ao agroneg\u00f3cio brasileiro, tem divulgado not\u00edcias sobre a contamina\u00e7\u00e3o de alimentos com res\u00edduos de produtos fitossanit\u00e1rios, notadamente em hortali\u00e7as e frutas. Estas not\u00edcias por muito tempo levaram a um cen\u00e1rio de caos para a sociedade por se basearem em dados \u00a0divulgados pelo Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos em Alimentos (PARA) da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (ANVISA).<\/p>\n<p>O PARA \u00e9 um trabalho conduzido em conjunto entre a ANVISA e a Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria nos Estados e foi iniciado em 2001, como uma das a\u00e7\u00f5es do Sistema Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria para a garantia da qualidade dos alimentos. Todas as an\u00e1lises s\u00e3o feitas por laborat\u00f3rios qualificados que compreendem a rede LACEN e tem como objetivo monitorar os n\u00edveis de res\u00edduos de produtos fitossanit\u00e1rios em frutas e hortali\u00e7as ao n\u00edvel de varejo e a an\u00e1lise \u00e9 feita pelo M\u00e9todo Multires\u00edduo que permite analisar simultaneamente res\u00edduos de v\u00e1rios produtos diferentes. Entre 2002 e 2012 foram analisadas 19.407 amostras em mais de 20 diferentes culturas, como o alface, o abacaxi, o mam\u00e3o,morango,tomate,piment\u00e3o,banana,arroz,cebola,batata,repolho,tomate, uva, cenoura, manga, couve, pepino, beterraba e feij\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados foram repassados para a m\u00eddia na forma do percentual de amostras insatisfat\u00f3rias por cultura, entendendo-se como insatisfat\u00f3rias \u00e0quelas que apresentavam res\u00edduos de produtos fitossanit\u00e1rios de uso n\u00e3o autorizado na cultura, amostras com valor de res\u00edduo acima do seu Limite M\u00e1ximo permitido em Lei, ou ambas as situa\u00e7\u00f5es simultaneamente numa mesma amostra.<\/p>\n<p>Desta forma, criou-se uma situa\u00e7\u00e3o onde as not\u00edcias apresentavam estes dados com valores alarmantes tais como piment\u00e3o com 89% das amostras insatisfat\u00f3rias, cenoura 67%, pepino 44%,morango 59% entre tantos outros valores divulgados ao longo dos \u00faltimos anos \u00e0 medida que os Relat\u00f3rios do PARA iam sendo publicados. Como a Imprensa ajuda a criar esse desvio de informa\u00e7\u00e3o, procurando produzir mensagens negativas, que rendem Ibope e venda, o consumidor brasileiro passou a fazer uma associa\u00e7\u00e3o totalmente errada entre estes valores e a sua percep\u00e7\u00e3o de que as frutas e hortali\u00e7as, nestas condi\u00e7\u00f5es, estavam representando s\u00e9ria amea\u00e7a a sua sa\u00fade.<\/p>\n<p>Ou seja, criou-se um cen\u00e1rio de percep\u00e7\u00e3o equivocada de risco e julgamento no cidad\u00e3o comum que n\u00e3o tem conhecimentos suficientes para um entendimento e an\u00e1lise correta do mesmo, pois na verdade, n\u00e3o existe nenhuma rela\u00e7\u00e3o entre estes tipos de dados e prov\u00e1vel risco \u00e0 sa\u00fade do consumidor.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante e, independente deste conhecimento, setores oportunistas aproveitaram-se desta divulga\u00e7\u00e3o para adquirem algum tipo de vantagem ou para atacarem os produtores de frutas e hortali\u00e7as tradicionais, pois defendem por motivos ideol\u00f3gicos, outros sistemas de produ\u00e7\u00e3o que j\u00e1 \u00e9 cientificamente comprovado que n\u00e3o oferecem melhor qualidade ou seguran\u00e7a ao consumidor em rela\u00e7\u00e3o aos sistemas de produ\u00e7\u00e3o tradicionais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, podemos destacar que se gerou um desgaste injusto na imagem de diferentes cadeias produtivas que foram respons\u00e1veis em 2012, segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Com\u00e9rcio de Sementes e Mudas (ABCSM) por um valor total R$ 14 bilh\u00f5es ao n\u00edvel do produtor e de R$ 53 bilh\u00f5es ao n\u00edvel de varejo e respondendo por dois milh\u00f5es de empregos diretos, uma m\u00e9dia de 2,4 empregos\/ha. Outro aspecto importante diz respeito \u00e0 pr\u00f3pria sa\u00fade, onde de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, uma ingesta adequada de frutas e hortali\u00e7as pode evitar 19% dos c\u00e2nceres, 31 % das cardiopatias isqu\u00eamicas e 11% dos acidentes vasculares cerebrais. A ingesta de frutas e hortali\u00e7as pela popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 abaixo do valor m\u00ednimo preconizado pela OMS. Assim sendo, estamos publicando na sequ\u00eancia uma s\u00e9rie de artigos aprofundando e tratando melhor este tema de natureza complexa e que diz respeito a todos n\u00f3s consumidores, n\u00e3o se esquecendo de que o produtor tamb\u00e9m consome o que produz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Professor Titular Aposentado de Toxicologia, Ecotoxicologia e Toxicologia de Alimentos em cursos de Agronomia, Engenharia Ambiental, Farm\u00e1cia, Engenharia de Alimentos e Medicina Veterin\u00e1ria em v\u00e1rias Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior no Rio Grande do Sul. Atualmente consultor na \u00e1rea.<\/p>\n<div class=\"fb-comments fb_iframe_widget fb_iframe_widget_fluid_desktop\" data-href=\"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/residuos-de-produtos-fitossanitarios-em-alimentos-entendendo-o-seu-significado-primeira-parte\/\" data-numposts=\"5\" data-width=\"100%\" data-colorscheme=\"light\"><\/div>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_links_to":"","_links_to_target":""},"colunistas":[61],"generos":[],"class_list":["post-1548","colunas_sindag","type-colunas_sindag","status-publish","hentry","colunistas-claud-ivan-goellner"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag\/1548","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/colunas_sindag"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"colunistas","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunistas?post=1548"},{"taxonomy":"generos","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/generos?post=1548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}