{"id":1600,"date":"2020-07-20T18:57:20","date_gmt":"2020-07-20T21:57:20","guid":{"rendered":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/?post_type=colunas_sindag&#038;p=1600"},"modified":"2020-07-20T18:57:20","modified_gmt":"2020-07-20T21:57:20","slug":"o-que-esperar-na-comercializacao-da-nova-safra-gaucha-de-arroz","status":"publish","type":"colunas_sindag","link":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/colunas_sindag\/o-que-esperar-na-comercializacao-da-nova-safra-gaucha-de-arroz\/","title":{"rendered":"O que esperar na comercializa\u00e7\u00e3o da nova safra ga\u00facha de arroz"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"entry-title single-title\">O que esperar na comercializa\u00e7\u00e3o da nova safra ga\u00facha de arroz<\/h1>\n<p>Em poucas semanas, vamos iniciar a colheita de uma lavoura marcada por dificuldades. Al\u00e9m da condi\u00e7\u00e3o de descapitaliza\u00e7\u00e3o do setor produtivo, que inevitavelmente reflete na redu\u00e7\u00e3o do aporte tecnol\u00f3gico na cultura, o clima impediu que aproximadamente 250 mil hectares tivessem sido semeados dentro do per\u00edodo considerado ideal para a obten\u00e7\u00e3o dos melhores rendimentos.<\/p>\n<p>Diante disso, a expectativa \u00e9 de que sejam colhidas aproximadamente 8,3 milh\u00f5es de toneladas de arroz no Rio Grande do Sul, o que representa 450 mil toneladas a menos do que havia sido colhido na \u00faltima safra. De acordo com a Conab, a produ\u00e7\u00e3o brasileira de arroz deve ter uma redu\u00e7\u00e3o de 617 mil toneladas em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado.<\/p>\n<p>Teremos, por\u00e9m, apesar da menor produ\u00e7\u00e3o, uma maior disponibilidade de arroz no mercado neste pr\u00f3ximo ano comercial. Isso porque a posi\u00e7\u00e3o inicial do estoque \u00e9, em um milh\u00e3o de toneladas, maior do que h\u00e1 doze meses. Teoricamente, este incremento da disponibilidade de produto deve exercer press\u00e3o baixista sobre os pre\u00e7os no pr\u00f3ximo ano comercial, principalmente nos primeiros meses, quando a oferta por parte dos produtores \u00e9 maior para a liquida\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas feitas para a condu\u00e7\u00e3o da lavoura.<\/p>\n<p>Entretanto, devemos considerar que o mercado j\u00e1 inicia o ano comercial operando com pre\u00e7os em patamar bastante reduzido, estabelecendo um cen\u00e1rio j\u00e1 menos vantajoso ao arroz produzido pelos nossos parceiros do Mercosul e reativando a exporta\u00e7\u00e3o como uma \u00a0importante via de escoamento. Opera-se hoje com uma refer\u00eancia de pre\u00e7o (indicador Cepea) de 12% abaixo do valor m\u00e9dio registrado na entrada da \u00faltima safra. Em d\u00f3lares, a desvaloriza\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior, chegando a 15%. Em fun\u00e7\u00e3o disso, paraguaios devem seguir os passos de uruguaios e argentinos na busca de terceiros mercados. Ao mesmo tempo, o arroz brasileiro volta a ser uma alternativa vi\u00e1vel no abastecimento de terceiros mercado.<\/p>\n<p>Mais do que nunca, atribuo \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o a miss\u00e3o de garantir a sustenta\u00e7\u00e3o das cota\u00e7\u00f5es ao longo deste pr\u00f3ximo ano comercial. Devemos aproveitar a melhor condi\u00e7\u00e3o competitiva para escoar para o mercado externo o maior volume poss\u00edvel, buscando assim equilibrar a sistem\u00e1tica perda de participa\u00e7\u00e3o do arroz ga\u00facho no abastecimento do mercado dom\u00e9stico. Para tanto, \u00e9 fundamental buscarmos solu\u00e7\u00f5es para as limitadas condi\u00e7\u00f5es log\u00edsticas e avan\u00e7armos nas negocia\u00e7\u00f5es de abertura comercial. Em especial, com M\u00e9xico, Nig\u00e9ria e China.<\/p>\n<p>Componente fundamental na condi\u00e7\u00e3o competitiva do arroz brasileiro no mercado internacional, o fator cambial ter\u00e1 ainda maior influ\u00eancia do cen\u00e1rio pol\u00edtico no pr\u00f3ximo ano, em raz\u00e3o da elei\u00e7\u00e3o presidencial, acrescentando fortes emo\u00e7\u00f5es \u00e0 conjuntura.<\/p>\n<p>Em meio das incertezas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, temos de concreto a no\u00e7\u00e3o de que a cadeia produtiva do arroz no Rio Grande do Sul precisa passar por um processo de reformula\u00e7\u00e3o nos seus aspectos estruturais. O elevado custo de produ\u00e7\u00e3o exp\u00f5e a cadeia oriz\u00edcola ga\u00facha \u00e0 emin\u00eancia de um colapso. Motivo frequente de an\u00e1lise e discuss\u00e3o, a preocupante situa\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva de arroz do Rio Grande do Sul \u00e9 de absoluto conhecimento de todos. O diagn\u00f3stico \u00e9 bastante claro.\u00a0<strong>O arroz ga\u00facho n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o competitiva no abastecimento do mercado brasileiro e internacional com um pre\u00e7o que cubra o custo de produ\u00e7\u00e3o<\/strong>. Tendo isso claro, precisamos imediatamente partir para a ado\u00e7\u00e3o de medidas pr\u00e1ticas que tragam aos setores produtivo e industrial ga\u00facho melhores condi\u00e7\u00f5es competitivas.<\/p>\n<p>Em car\u00e1ter priorit\u00e1rio, precisamos reduzir custos de produ\u00e7\u00e3o, industrializa\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o. Tendo qualidade e efici\u00eancia como caracter\u00edsticas reconhecidas da produ\u00e7\u00e3o e industrializa\u00e7\u00e3o do arroz no Rio Grande do Sul, pouco ainda pode ser feito pelo produtor ou beneficiador para reduzir o custo unit\u00e1rio de produ\u00e7\u00e3o. Inegavelmente, est\u00e1 na m\u00e3o dos governos Federal e Estadual a sobreviv\u00eancia deste importante setor da economia. Reduzir as \u201cmordidas\u201d, que se disseminam ao longo de todo processo produtivo e comercial \u00e9 vital. Favorecer a liberdade comercial de insumos intrabloco, incentivar o investimento privado em infraestrutura log\u00edstica e uniformizar as al\u00edquotas de ICMS na comercializa\u00e7\u00e3o de produtos da cesta b\u00e1sica em todo o territ\u00f3rio nacional s\u00e3o tamb\u00e9m importantes.<\/p>\n<p>Considerando a situa\u00e7\u00e3o financeira do Estado, \u00e9 dif\u00edcil acreditar no aliviamento da carga tribut\u00e1ria no curto prazo. \u00c9 preciso ter coragem para cortar arrecada\u00e7\u00f5es, mas, acima de tudo, \u00e9 preciso ter confian\u00e7a. Confian\u00e7a no vigor e na capacidade de recupera\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva do arroz do Rio Grande do Sul.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_links_to":"","_links_to_target":""},"colunistas":[93],"generos":[],"class_list":["post-1600","colunas_sindag","type-colunas_sindag","status-publish","hentry","colunistas-tiago-sarmento-barata"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag\/1600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/colunas_sindag"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"colunistas","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunistas?post=1600"},{"taxonomy":"generos","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/generos?post=1600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}