{"id":1655,"date":"2020-07-20T22:55:37","date_gmt":"2020-07-21T01:55:37","guid":{"rendered":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/?post_type=colunas_sindag&#038;p=1655"},"modified":"2020-07-20T22:55:37","modified_gmt":"2020-07-21T01:55:37","slug":"agrotoxicos-ou-defensivos-agricolas-mitos-e-verdades","status":"publish","type":"colunas_sindag","link":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/colunas_sindag\/agrotoxicos-ou-defensivos-agricolas-mitos-e-verdades\/","title":{"rendered":"AGROT\u00d3XICOS OU DEFENSIVOS AGR\u00cdCOLAS? MITOS E VERDADES"},"content":{"rendered":"<p>F\u00e1tima Marchezan<\/p>\n<p>Bi\u00f3loga, Mestre em Agroneg\u00f3cios (UnB), Dra. em Manejo e Conserva\u00e7\u00e3o do Solo e \u00c1gua (UFPel)<\/p>\n<p>Produtora, Presidente da associa\u00e7\u00e3o dos Arrozeiros de Alegrete e do Conselho Municipal de Desenvolvimento Agropecu\u00e1rio<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com certeza, a pior praga que temos hoje no Agro \u00e9 a desinforma\u00e7\u00e3o! Isso deve-se, essencialmente, a dois fatores. Um deles \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 cada vez mais urbana e distante da realidade da produ\u00e7\u00e3o de alimentos. O outro fator \u00e9 que o agro \u00e9 um setor que tradicionalmente n\u00e3o se comunica bem. Com isso, existe muita desinforma\u00e7\u00e3o, mesmo entre as pessoas mais instru\u00eddas.<\/p>\n<p>Anualmente, s\u00e3o publicados dezenas de estudos, pesquisas e relat\u00f3rios sobre o uso desses agroqu\u00edmicos no Brasil e, mesmo assim, muita desinforma\u00e7\u00e3o e preconceito sobre a sua utiliza\u00e7\u00e3o ainda ronda a sociedade. O princ\u00edpio ativo de subst\u00e2ncias usadas na pele e nas lavouras ou hortas, em geral, \u00e9 o mesmo. Por exemplo, quando uma pessoa pega uma micose, faz um tratamento \u00e0 base de fungicidas; quando est\u00e1 na praia sendo atacada por pernilongos, usa um inseticida. Assim, o agrot\u00f3xico pode ser visto como um rem\u00e9dio para uma planta doente.<\/p>\n<p>Mas afinal de contas, s\u00e3o ou n\u00e3o indispens\u00e1veis para a agricultura no mundo? De fato, ingerimos tantas dessas mol\u00e9culas nos alimentos? Na verdade, o Brasil ocupa a 7\u00aa posi\u00e7\u00e3o mundial no uso de defensivos agr\u00edcolas por hectare no mundo, ficando atr\u00e1s do Jap\u00e3o \u2013 o pa\u00eds com maior \u00edndice de longevidade no mundo e que \u00e9 realmente o que mais utiliza agroqu\u00edmicos por hectare, da Alemanha, da Fran\u00e7a e do Reino Unido.<\/p>\n<p>Infelizmente, somado ao desconhecimento, existem muitas inverdades sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xico na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e o produtor de alimentos \u00e9 massacrado por uma grande m\u00eddia imparcial, ideol\u00f3gica e sensacionalista \u2013 o marketing do medo\u2026<\/p>\n<p>Afinal de contas, o que s\u00e3o os t\u00e3o mal falados agrot\u00f3xicos? Tamb\u00e9m conhecidos como defensivos agr\u00edcolas, agroqu\u00edmicos, pesticidas, praguicidas ou produtos fitossanit\u00e1rios, s\u00e3o mol\u00e9culas qu\u00edmicas ou biol\u00f3gicas que t\u00eam como objetivo proteger as lavouras de pragas que podem comprometer a produ\u00e7\u00e3o e a qualidade do alimento que chega \u00e0 mesa.<\/p>\n<p>A finalidade desse artigo \u00e9 desmistificar o uso desse insumo e sua presen\u00e7a nos alimentos e no ambiente.<\/p>\n<p>Mito 1: \u201c<em>O brasileiro ingere 5,2 l de agrot\u00f3xicos por ano<\/em>\u201d. Na verdade, essa conta \u00e9 falsa, porque n\u00e3o leva em conta que cerca de 60% dos agroqu\u00edmicos s\u00e3o usados em plantas invasoras antes do estabelecimento da cultura, em culturas que n\u00e3o se destinam ao consumo humano como algod\u00e3o, eucalipto, cana. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um intervalo de seguran\u00e7a entre a \u00faltima aplica\u00e7\u00e3o de defensivo at\u00e9 chegar \u00e0 mesa do consumidor. E, por fim, <strong>mais de 99% dos defensivos agr\u00edcolas se degradam no ambiente ap\u00f3s dias ou semanas<\/strong>.<\/p>\n<p>Mito 2: \u201c<em>Agrot\u00f3xicos fazem \u00e0 sa\u00fade humana<\/em>\u201d. A verdade \u00e9 que, antes de ser aprovada, uma nova mol\u00e9cula passa por diversos estudos toxicol\u00f3gicos para avaliar sua seguran\u00e7a \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente. Por fim, <strong>99% das 12 mil amostras de alimentos avaliados pela ANVISA n\u00e3o representam risco para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Mito 3: \u201c<em>A produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica alimentaria a popula\u00e7\u00e3o mundial<\/em>\u201d. A verdade \u00e9 que <strong>\u00e9 imposs\u00edvel alimentar toda a popula\u00e7\u00e3o mundial sem o uso dos defensivos agr\u00edcolas<\/strong>. A ONU estima que a incid\u00eancia de pragas provoca uma perda anual de 20% a 40% nos alimentos, portanto, a proposta de uma produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos apesar de muito bonita, n\u00e3o se sustenta diante do fato de que a demanda por alimento deve aumentar em 70% at\u00e9 2050 (FAO). Para suportar essas perdas e ainda alimentar uma popula\u00e7\u00e3o crescente, novas \u00e1reas precisariam ser desmatadas, aumentando inclusive o uso dos recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<p>Mito 4: \u201cA Lei 6299\/02 vai levar mais veneno \u00e0 mesa dos brasileiros\u201d. Na verdade, ser\u00e3o adotadas diversas medidas desburocratizantes para que a fila de registros de defensivos ande mais r\u00e1pido no Brasil, <strong>substituindo os produtos antigos e aprovando novas mol\u00e9culas, menos t\u00f3xicas \u00e0 sa\u00fade e menos persistentes no ambiente<\/strong>.<\/p>\n<p>Outros fatores positivos s\u00e3o a libera\u00e7\u00e3o de defensivos biol\u00f3gicos e as aprova\u00e7\u00f5es de novos produtos t\u00e9cnicos equivalentes \u2013 os gen\u00e9ricos. Com isso, aumenta a concorr\u00eancia no mercado e diminui o pre\u00e7o dos defensivos, o que faz cair o custo de produ\u00e7\u00e3o, permitindo que o produtor continue no campo.<\/p>\n<p>Para concluir, produtor s\u00f3 usa defensivos agr\u00edcolas quando invasoras, insetos, fungos, bact\u00e9rias e outras doen\u00e7as est\u00e3o a ponto de prejudicar de forma irrevers\u00edvel o plantio, causando preju\u00edzos \u00e0 produtividade e com comprometimento da qualidade do alimento a ser oferecido \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Nenhum produtor, em s\u00e3 consci\u00eancia, aumentaria em 20% a 30% seus custos de produ\u00e7\u00e3o com esses insumos, se n\u00e3o fosse necess\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_links_to":"","_links_to_target":""},"colunistas":[52],"generos":[],"class_list":["post-1655","colunas_sindag","type-colunas_sindag","status-publish","hentry","colunistas-fatima-marchezan"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag\/1655","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/colunas_sindag"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"colunistas","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunistas?post=1655"},{"taxonomy":"generos","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/generos?post=1655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}