{"id":1690,"date":"2020-07-20T23:27:52","date_gmt":"2020-07-21T02:27:52","guid":{"rendered":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/?post_type=colunas_sindag&#038;p=1690"},"modified":"2020-07-20T23:27:52","modified_gmt":"2020-07-21T02:27:52","slug":"repense-sobre-o-agro-brasileiro","status":"publish","type":"colunas_sindag","link":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/colunas_sindag\/repense-sobre-o-agro-brasileiro\/","title":{"rendered":"Repense sobre o AGRO Brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><em>O<\/em>\u00a0uso de defensivos agr\u00edcolas e de biotecnologia tem sido alvo de questionamentos, equ\u00edvocos<br \/>\ninterpretativos e de processos difamat\u00f3rios feitos por grande parte dos meios comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa contram\u00e3o do marketing negativo, os alimentos geneticamente modificados e a evolu\u00e7\u00e3o<br \/>\nde t\u00e9cnicas agr\u00edcolas s\u00e3o aliados nos processos de seguran\u00e7a alimentar, aumento da produ\u00e7\u00e3o<br \/>\ne atendimento da demanda.<br \/>\nA melhoria da efici\u00eancia nos sistemas produtivos brasileiros sobressaem em muito \u00e0 m\u00e9dia<br \/>\nmundial. No que tange o aproveitamento das terras e recursos naturais, nos \u00faltimos 15 anos o<br \/>\ncomplexo produtivo brasileiro de gr\u00e3os, cereais e leguminosas teve aumento em \u00e1rea de 41%,<br \/>\ne a produ\u00e7\u00e3o cresceu 223%. Mais do que isso, a agricultura brasileira tem uso de apenas 8% do<br \/>\nterrit\u00f3rio nacional \u2013 61% permanece constitu\u00eddo de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Ainda, o grande trunfo<br \/>\ndo futuro produtivo nacional \u00e9 a exist\u00eancia de 160 milh\u00f5es de hectares de pastagens<br \/>\nimplantadas, naturais ou degradadas que tem potencial de produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os \u2013 sem derrubar<br \/>\numa \u00fanica \u00e1rvore.<br \/>\nEntre os grandes pa\u00edses agr\u00edcolas, o Brasil apresenta um dos menores investimentos com<br \/>\ndefensivos por tonelada produzida e por \u00e1rea plantada. Aqui s\u00e3o utilizados US$ 7,36\/tonelada<br \/>\nde produ\u00e7\u00e3o, na Fran\u00e7a US$ 22,14, Argentina US$ 12,44, EUA US$ 9,41 e Jap\u00e3o US$ 72,87.<br \/>\nNosso trunfo \u00e9 a tecnologia e o conhecimento<br \/>\nEm todos os crit\u00e9rios e seguindo qualquer refer\u00eancia, a quantidade de ingredientes ativos de<br \/>\ndefensivos agr\u00edcolas utilizados por hectare no Brasil \u00e9 inferior \u00e0 m\u00e9dia Norte Americana,<br \/>\nArgentina, Japonesa, Francesa e da UE como um todo, bem como a quantidade de d\u00f3lares de<br \/>\ndefensivos por tonelada de produ\u00e7\u00e3o. H\u00e1 grandes vari\u00e1veis que influenciam nessa m\u00e9dia,<br \/>\ncomo a cultura e o m\u00e9todo de cultivo. Em suma, utilizamos 1\/3 dos defensivos agr\u00edcolas por<br \/>\nhectare que a Fran\u00e7a, pa\u00eds que tem a maior bandeira contra o uso de biotecnologias e<br \/>\nagricultura convencional \u2013 questiona-se o intuito da discrimina\u00e7\u00e3o das commodities brasileiras.<br \/>\nO uso de biotecnologias e sistemas produtivos mais eficientes fazem com que o produtor<br \/>\nbrasileiro se destaque. Tamb\u00e9m deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o as caracter\u00edsticas do clima<br \/>\ntropical, onde s\u00e3o comuns pontes verdes entre um cultivo e outro. No aspecto produtivo \u00e9<br \/>\numa vantagem inerente do clima brasileiro, mas se tratando de insetos e fitopat\u00f3genos, o<br \/>\nclima permite mais ciclos, estes ininterruptos das pragas e fungos \u2013 que pode ser<br \/>\nexemplificado no complexo de lagartas que atacam a cultura da soja, onde o inverno Norte<br \/>\nAmericano a neve limita a multiplica\u00e7\u00e3o e a sobreviv\u00eancia das lagartas. Assim, as<br \/>\ncaracter\u00edsticas do clima no Brasil justificam o uso de biotecnologias para supress\u00e3o e controle<br \/>\nde insetos-praga nos cultivos \u2013 notadamente as tecnologias Bt (Bacillus thuringiensis)<br \/>\nrespons\u00e1veis pelo controle e supress\u00e3o de uma amplo espectro de lagartas.<br \/>\nO melhoramento gen\u00e9tico permitiu incrementos em produtividade, maior sanidade, seguran\u00e7a<br \/>\nna produ\u00e7\u00e3o, desenvolvimento urbano em regi\u00f5es isoladas do Brasil, mas acima de tudo o<\/p>\n<p>menor uso de defensivos, economia consider\u00e1vel de combust\u00edveis f\u00f3sseis \u2013 que eram<br \/>\ndemandados nos cultivos convencionais nos processos de preparo e aplica\u00e7\u00e3o de herbicidas.<br \/>\nDentre as melhoras nas t\u00e9cnicas no uso da terra, um dos marcos foi o Plantio Direto \u2013 fazendo<br \/>\ncom que processos erosivos fossem mitigados, e diminuindo consideravelmente o uso de<br \/>\nherbicidas de solo.<br \/>\nE na economia?<br \/>\nEm meio \u00e0 perspectiva macroecon\u00f4mica desfavor\u00e1vel, em que o mercado prev\u00ea crescimentos<br \/>\np\u00edfios no PIB Brasileiro, conforme levantamento do \u00faltimo relat\u00f3rio Focus do Banco Central.<br \/>\nHoje o agro no Brasil representa 30% do PIB nacional, e correspondeu a mais de 50% das<br \/>\nexporta\u00e7\u00f5es. Outra observa\u00e7\u00e3o \u00e9 a da melhora do IDH e PIB nas cidades do interior dos<br \/>\nestados, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s regi\u00f5es metropolitanas, pela maior depend\u00eancia da agricultura e<br \/>\nem virtude da melhora na renda dos produtores.<br \/>\nDeve ser exaltada a voca\u00e7\u00e3o produtiva brasileira, sendo o maior exportador mundial de a\u00e7\u00facar,<br \/>\ncaf\u00e9, suco de laranja, soja em gr\u00e3os, carne bovina e frango. Deve ser considerado que mesmo<br \/>\nem meio aos gargalos na log\u00edsticas, armazenagem e de incentivos na forma de subs\u00eddios, a<br \/>\nprodu\u00e7\u00e3o consegue chegar no mercado mundial sendo competitiva. No montante anual, os<br \/>\npa\u00edses desenvolvidos do hemisf\u00e9rio norte aplicam mais de US$ 350 bilh\u00f5es na forma de<br \/>\nsubs\u00eddios, evidenciando baixa efici\u00eancia e o protecionismo. O or\u00e7amento da Uni\u00e3o Europeia no<br \/>\nPAC agr\u00edcola injeta 60 bilh\u00f5es de euros ao ano \u2013 correspondendo a 14% da renda do produtor<br \/>\nem subs\u00eddios naquele continente. Aprovada em fevereiro de 2016, uma nova lei norte-<br \/>\namericana prev\u00ea gastos entre US$ 12,8 e US$ 19,8 bilh\u00f5es anuais at\u00e9 2018, com programas<br \/>\ndirecionados a produtos espec\u00edficos e \u00e0 garantia de pre\u00e7o e renda aos produtores locais.<br \/>\nMesmo frente \u00e0 esse n\u00edvel de concorr\u00eancia, a nossa produ\u00e7\u00e3o bate recordes de exporta\u00e7\u00e3o<br \/>\nano a ano.<br \/>\nO que esperar?<br \/>\nDentre os desafios do agro brasileiro, um dos entraves \u00e9 a falta divulga\u00e7\u00e3o dos t\u00f3picos<br \/>\npositivos \u2013 que deveriam ser amplamente comunicados. O uso da terra mais eficiente, as<br \/>\ngrandes extens\u00f5es de \u00e1rea com aptid\u00e3o agr\u00edcola, a necessidade e potencial de prover<br \/>\nalimentos para o mundo. Com a crescente demanda, estima-se que em 2050 o mundo ter\u00e1 9<br \/>\nbilh\u00f5es de pessoas, e a oferta de alimentos dever\u00e1 crescer em torno de 70% \u2013 desta, boa parte<br \/>\nprovida pelos produtores brasileiros. Nesse passo a participa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento do agro<br \/>\nbrasileiro \u00e9 amplamente discutido em f\u00f3runs agr\u00edcolas, sempre estando atentos ao papel que o<br \/>\nBrasil desempenhar\u00e1 no cen\u00e1rio futuro mundial. Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental serem iniciadas<br \/>\ndiscuss\u00f5es t\u00e9cnicas, que devem ir al\u00e9m da limita\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica com rela\u00e7\u00e3o ao uso sustent\u00e1vel<br \/>\nde biotecnologias, que melhoram a efici\u00eancia produtiva e com menor impacto ambiental que<br \/>\nsistemas rotulados como \u2018convencionais\u2019. Temas de amplo debate deveriam ter maior<br \/>\nembasamento cient\u00edfico para discuss\u00f5es coerentes e produtivas.<\/p>\n<p>*Refer\u00eancias: FAO, IBGE, CONAB, EUROSTAT, USDA, Banco Central Brasil<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_links_to":"","_links_to_target":""},"colunistas":[80],"generos":[],"class_list":["post-1690","colunas_sindag","type-colunas_sindag","status-publish","hentry","colunistas-henrique-kleber"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag\/1690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/colunas_sindag"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"colunistas","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunistas?post=1690"},{"taxonomy":"generos","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/generos?post=1690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}