{"id":1691,"date":"2020-07-20T23:29:13","date_gmt":"2020-07-21T02:29:13","guid":{"rendered":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/?post_type=colunas_sindag&#038;p=1691"},"modified":"2020-07-20T23:29:13","modified_gmt":"2020-07-21T02:29:13","slug":"de-um-seculo-para-o-outro-esperamos-muitas-mudancas-mas","status":"publish","type":"colunas_sindag","link":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/colunas_sindag\/de-um-seculo-para-o-outro-esperamos-muitas-mudancas-mas\/","title":{"rendered":"De um s\u00e9culo para o outro esperamos muitas mudan\u00e7as, mas\u2026"},"content":{"rendered":"<div class=\"wrap\">\n<section class=\"entry-content cf tumbcolunistas2\">Est\u00e1vamos em plena d\u00e9cada de 80. Na regi\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto havia uma corrida muito<br \/>\ngrande de fazendeiros buscando mais terras por esse Brasil.<br \/>\nO alqueire na regi\u00e3o estava muito caro e para aqueles que buscavam mais terras para expandir<br \/>\nsuas atividades, a alternativa era buscar novas fronteiras, com isso, Rond\u00f4nia acabou se tornando<br \/>\no destino de muitos. O Estado era considerado o \u201cEldorado brasileiro\u201d, terras boas e pre\u00e7os muito<br \/>\nbaixos. Vendiam 100 alqueires aqui e comprovam at\u00e9 4000 l\u00e1, dependendo da localiza\u00e7\u00e3o e da<br \/>\nquantidade de pastos dispon\u00edveis. Desmatar n\u00e3o era problema, muito pelo contr\u00e1rio, o pr\u00f3prio<br \/>\nGoverno Federal incentivava.<\/p>\n<p>Abrir pastagens na \u00e9poca era uma aventura e tanto. Tudo era \u201cimportado do sul\u201d, principalmente<br \/>\nm\u00e1quinas, sementes, m\u00e3o de obra especializada e de confian\u00e7a. As m\u00e1quinas nem de longe<br \/>\npossu\u00edam a tecnologia e conforto das de hoje, as esteiras \u201cD 8\u201d, os tratores CBT eram<br \/>\npraticamente tudo que se tinha dispon\u00edvel para a derrubada das matas e implanta\u00e7\u00e3o de<br \/>\npastagens. Claro que as queimadas faziam parte do manejo e o descontrole era comum. Uma vez<br \/>\nderrubada a mata era a hora de jogar a semente de capim e o uso de avi\u00e3o era comum.<\/p>\n<p>Um fazendeiro de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto estava nessa etapa em suas terras e enviou seu filho para<br \/>\ntal empreitada. Os nomes n\u00e3o s\u00e3o importantes aqui mesmo porque, os dois infelizmente n\u00e3o<br \/>\nest\u00e3o mais entre os vivos, mas a hist\u00f3ria aqui na cidade \u00e9 muito conhecida. O jovem havia<br \/>\ndecidido parar os estudos antes de entrar para a faculdade e o pai, para \u201ccastiga-lo\u201d, resolveu dar-<br \/>\nlhe uma li\u00e7\u00e3o para que, assim quem sabe, ele voltasse aos livros. Nada feito! E l\u00e1 foi ele para a<br \/>\nnova fazenda do pai com a incumb\u00eancia de formar as \u00e1reas de pastagens. Caminh\u00e3o carregado de<br \/>\nsementes e mantimentos e tamb\u00e9m muita ansiedade para mostrar ao pai que era capaz de<br \/>\nrealizar tal empreitada, afinal a faculdade parecia muito pior. Foram v\u00e1rios dias de estradas ruins,<br \/>\nchuva que castigava a j\u00e1 p\u00e9ssima estrada. Quando n\u00e3o chovia, a poeira sufocava o jovem que,<br \/>\nnaquela altura, j\u00e1 tinha saudades do asfalto e das cidades do estado de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nFinalmente chegou \u00e0 cidade de Ariquemes. Antes de seguir para a fazenda (cerca de 100<br \/>\nquil\u00f4metros de terra) foi at\u00e9 o pequeno aer\u00f3dromo procurar um piloto que havia sido<br \/>\nrecomendado para mostrar a \u00e1rea que seria semeada. Combinaram de fazer um sobrevoo no<br \/>\nlocal, marcar as posi\u00e7\u00f5es e assim que tivessem tudo pronto come\u00e7ariam a semeadura. N\u00e3o havia<br \/>\npista na fazenda e a mais pr\u00f3xima ficava a cerca de 30 quil\u00f4metros e seria ent\u00e3o a base<br \/>\noperacional para essa empreitada.<\/p>\n<p>Quando o Cessna 180 decolou, o jovem come\u00e7ou a entender o tamanho do desafio que tinha pela<br \/>\nfrente. Tudo mata fechada e quando havia \u00e1reas limpas era imposs\u00edvel saber onde terminava uma<br \/>\npropriedade e come\u00e7ava outra. Mas tinham em m\u00e3os as coordenadas passadas pelo pai em um<br \/>\npapel que j\u00e1 estava todo amassado e marcado pelo tempo que estava no bolso. Afinal, n\u00e3o<br \/>\npoderia ser complicado, as coordenadas estavam bem claras. Quando estavam sobre a \u00e1rea o<br \/>\npiloto perguntou novamente as coordenadas e ele confirmou o que havia mostrado ainda na pista.<br \/>\nEle ent\u00e3o apontou e disse: \u00e9 l\u00e1. Terra boa n\u00e9? O piloto s\u00f3 olhou e concordou com um breve aceno.<br \/>\nQuando chegaram ao solo o jovem, cheio de confian\u00e7a, partiu para a pista que seria a base para<br \/>\ndeixar as sementes que trouxera de S\u00e3o Paulo. Sementes devidamente guardadas no galp\u00e3o cedido pelo fazendeiro, ele agora seguiria para conhecer a sede da fazenda. Depois de quase 6<br \/>\nhoras de estrada, que mais parecia uma trilha, chegaram tarde da noite. A casa n\u00e3o era bem o que<br \/>\nele esperava, mas, o cansa\u00e7o de dias na estrada na cabine de um Ford 11.000 comprado pouco<br \/>\nantes da viagem, fez parecer tudo excelente, principalmente a \u201cvelha\u201d cama.<\/p>\n<p>Amanheceu o dia e algumas coisas estavam meio que fora de lugar. A \u00e1rea derrubada que deveria<br \/>\nestar pr\u00f3xima e ao alcance dos olhos, n\u00e3o estava. Mas o caminho tinha sido feito exatamente<br \/>\ncomo o pai havia orientado e devidamente marcado num caderno que seria utilizado justamente<br \/>\npara anotar tudo que deveria levar na pr\u00f3xima viagem.<br \/>\nParecia que estava mais longe do que deveria. Mas n\u00e3o se importou com essa impress\u00e3o, foi logo<br \/>\ntomando as primeiras provid\u00eancias, vendo onde e como estavam as m\u00e1quinas que o pai havia<br \/>\nmandado para l\u00e1 j\u00e1 h\u00e1 algum tempo. Tamb\u00e9m conversou com o pessoal que estavam fazendo a<br \/>\nderrubada de novas \u00e1reas e carregando a madeira nobre que seria usada para construir os currais<br \/>\ne cercas. Havia muita madeira. Depois de tomar todas as provid\u00eancias que o pai havia<br \/>\ndeterminado e mais algumas que julgou serem necess\u00e1rias, mandou um pe\u00e3o ir at\u00e9 a fazenda<br \/>\nvizinha para passar um \u201cr\u00e1dio\u201d para a empresa que iria fazer a semeadura contratada.<\/p>\n<p>Eram muitas tarefas a serem realizadas nos 30 dias que havia programado para ficar ali e n\u00e3o<br \/>\npodia perder tempo. Dois dias depois, come\u00e7ou a ouvir o avi\u00e3o trabalhando e at\u00e9 podia v\u00ea-lo bem<br \/>\nao longe no horizonte. O combinado era realizar o plantio e assim que terminasse ele passaria um<br \/>\n\u201cr\u00e1dio\u201d para o escrit\u00f3rio de uma fazenda de propriedade de um amigo l\u00e1 na cidade de S\u00e3o Jos\u00e9 do<br \/>\nRio Preto. Esse amigo passaria o recado para o pai dele. E assim foi feito.<br \/>\nEra muita coisa para aquele jovem que enfrentava tudo aquilo pela primeira vez e falhar n\u00e3o era<br \/>\numa op\u00e7\u00e3o. O pai era conhecido por sua maneira bem rude de ser e certamente a faculdade seria<br \/>\numa alternativa que ele n\u00e3o queria de forma alguma. Com toda essa press\u00e3o ele acabou por<br \/>\n\u201cesquecer\u201d de ir at\u00e9 a \u00e1rea para ver como estava a germina\u00e7\u00e3o da semente, deixando para fazer as<br \/>\nv\u00e9speras de voltar para casa. Quando passou finalmente pela \u00e1rea viu que estava cheio de<br \/>\nbrotinhos e com sua pouca experi\u00eancia julgou estar tudo certo.<br \/>\nDe volta \u00e0 sua casa e feliz por acreditar ter cumprido a miss\u00e3o dada pelo severo pai, via a<br \/>\npossibilidade de encarar os livros ficar cada vez mais longe.<\/p>\n<p>Passado cerca de 50 dias de sua volta, pai e filho seguiram para a fazenda de Rond\u00f4nia. O filho<br \/>\nansioso para mostrar seu trabalho para o pai, de repente se lembra da sensa\u00e7\u00e3o que teve quando<br \/>\nse levantou pela manh\u00e3 na fazenda. Ser\u00e1 que havia feito alguma besteira? Ser\u00e1 que havia marcado<br \/>\ncorretamente as coordenadas passadas pelo pai? Um pavor tomou conta dele, mas n\u00e3o podia<br \/>\ndemonstrar. Parecia que o destino havia preparado uma coincid\u00eancia, fazendo-os chegar \u00e0<br \/>\nfazenda tarde da noite, assim como em sua chegada anterior. Pela manh\u00e3 a primeira providencia<br \/>\ndo pai foi perguntar ao capataz como estavam os pastos? Se o capim estava bonito. O capataz<br \/>\nbem sem jeito disse que n\u00e3o havia nascido nada. Muito pelo contr\u00e1rio. Foi a\u00ed que o pai pegou uma<br \/>\nvelha camionete e partiu junto com o filho para onde deveria estar o \u201cpasto\u201d. O filho se<br \/>\ndesesperou quando o pai tomou um caminho diferente e ao chegar ao local olhou para o filho e<br \/>\nperguntou? Cad\u00ea o capim que deveria estar aqui? O jovem em p\u00e2nico responde: mas \u00e9 para o<br \/>\noutro lado. O pai sem entender nada fala para o filho: que lado? Era para ser aqui!<br \/>\nO filho ent\u00e3o mostra o lugar que achava ser onde deveria ser semeado. O pasto estava uma<br \/>\nmaravilha e tinha at\u00e9 um pouco de gado. O pai vendo o desespero do filho logo entendeu que<br \/>\ntinha um grande erro ali. A fazenda vizinha foi semeada. As coordenadas foram marcadas com um\u00a0ligeiro erro. Erro que custou muito caro ao fazendeiro e tamb\u00e9m ao jovem que se n\u00e3o fosse a forte<br \/>\ninterfer\u00eancia do av\u00f4 teria ido direto para a faculdade.<\/p>\n<p>O tempo passou, mudamos at\u00e9 de s\u00e9culo e muitas tecnologias est\u00e3o dispon\u00edveis. Somos capazes<br \/>\nde mandar naves para outro planeta, levar pessoas comuns ao espa\u00e7o e tantas maravilhas mais\u2026<br \/>\nNa agricultura de hoje, somos capazes de colocar tratores em campo sem operadores, realizando<br \/>\natividades at\u00e9 ent\u00e3o imposs\u00edveis de serem realizadas at\u00e9 mesmo pelos mais experientes<br \/>\n\u201ctratoristas\u201d.<\/p>\n<p>A quantidade e qualidade dos equipamentos dispon\u00edveis hoje, principalmente aqueles que usam o<br \/>\n\u201cGPS \u2013 Global Position System\u201d teria proporcionado ao jovem personagem dessa hist\u00f3ria a<br \/>\nrealiza\u00e7\u00e3o de sua tarefa sem nenhum contratempo, nenhum imprevisto e nenhum preju\u00edzo.<br \/>\nMas a forma com que alguns grupos ainda insistem em comparar uma atividade t\u00e3o preparada,<br \/>\nregulamentada, eficiente e vital para nossa seguran\u00e7a alimentar, ainda \u00e9 do s\u00e9culo passado.<br \/>\nEsses grupos de pessoas que insistem em n\u00e3o evoluir, e que por motivos escusos, por motiva\u00e7\u00e3o<br \/>\npol\u00edtica e ideol\u00f3gica, tentam confundir de forma deliberada uma popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 sofre com<br \/>\ntantos outros males. Apresentam informa\u00e7\u00f5es t\u00e3o equivocadas que s\u00e3o capazes de semear<br \/>\nqualquer coisa, menos o equil\u00edbrio que tanto precisamos. Esquecem-se de que ao longo do tempo,<br \/>\njunto \u00e0s tecnologias que surgiram, investiram tamb\u00e9m no ser humano para que ele seja capaz de<br \/>\naplicar efici\u00eancia e seguran\u00e7a m\u00e1xima em sua atividade.<br \/>\nInsistem em buscar atalho na ideologia barata e distorcida de nossa realidade. Uma ideologia que<br \/>\nbusca conflito ao inv\u00e9s de harmonia, uma ideologia incapaz de ver que quanto mais conflito<br \/>\nsemearem, menos comida ter\u00e1 sobre a mesa.<\/p>\n<p>De um s\u00e9culo para o outro passamos realmente por muitas mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas, mas a<br \/>\nprincipal que esperamos \u00e9 a mudan\u00e7a do ser humano, que evolua e que se torne mais preocupado<br \/>\nem construir um futuro onde tenhamos um \u00fanico objetivo: Um mundo melhor para todos!<\/p>\n<div class=\"fb-comments\" data-href=\"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/de-um-seculo-para-o-outro-esperamos-muitas-mudancas-mas\/\" data-numposts=\"5\" data-width=\"100%\" data-colorscheme=\"light\"><\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_links_to":"","_links_to_target":""},"colunistas":[84],"generos":[],"class_list":["post-1691","colunas_sindag","type-colunas_sindag","status-publish","hentry","colunistas-claudio-correia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag\/1691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/colunas_sindag"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"colunistas","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunistas?post=1691"},{"taxonomy":"generos","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/generos?post=1691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}