{"id":1705,"date":"2020-07-20T23:38:59","date_gmt":"2020-07-21T02:38:59","guid":{"rendered":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/?post_type=colunas_sindag&#038;p=1705"},"modified":"2020-07-20T23:38:59","modified_gmt":"2020-07-21T02:38:59","slug":"desconstruindo-mitos-na-aplicacao-aerea-de-defensivos","status":"publish","type":"colunas_sindag","link":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/colunas_sindag\/desconstruindo-mitos-na-aplicacao-aerea-de-defensivos\/","title":{"rendered":"DESCONSTRUINDO MITOS NA APLICA\u00c7\u00c3O A\u00c9REA DE DEFENSIVOS"},"content":{"rendered":"<div class=\"wrap\">\n<section class=\"entry-content cf tumbcolunistas2\">\n<p class=\"selectionShareable\">A irracionalidade de argumentos invocados como \u201cdados t\u00e9cnicos\u201d ou \u201cacad\u00eamicos\u201d contra a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola foi analisada em um artigo do professor Ulisses Rocha Antuniassi, do Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Ci\u00eancias Agron\u00f4micas da UNESP (Botucatu\/SP). Com o t\u00edtulo \u201c<em>Desconstruindo mitos na aplica\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de defensivos\u201d<\/em>, o texto foi divulgado pela Universidade Estadual Paulista e repercutiu na imprensa especializada. Nele, o pesquisador aborda o quanto interpreta\u00e7\u00f5es err\u00f4neas, distor\u00e7\u00f5es de conceitos ou puro desconhecimento t\u00e9cnico geram p\u00e9rolas da falta de bom senso.<\/p>\n<div>Como o cl\u00e1ssico \u201csomente 1% do produto aplicado atinge o alvo. Os 99% restantes v\u00e3o para o ar, \u00e1gua e solo\u201d. Neste caso, algo seguidamente citado para defender propostas de leis que limitem ou pro\u00edbam a aplica\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de defensivos. Doutor e p\u00f3s-doutor em fitossanidade, Antuniassi foi atr\u00e1s da origem desse cl\u00e1ssico e ratificou o \u00f3bvio: \u201cn\u00e3o h\u00e1 qualquer pesquisa sobre isso com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O que existe \u00e9 uma cita\u00e7\u00e3o em uma pesquisa sobre qu\u00edmica anal\u00edtica, referindo-se a uma conjectura feita sem base cient\u00edfica, na d\u00e9cada de 1980, por professores americanos. \u201cO princ\u00edpio \u00e9 b\u00e1sico: se de fato houvesse uma t\u00e9cnica com perdas de 99%, a mesma dificilmente seria eficaz no controle de pragas e doen\u00e7as, e por isso nenhum agricultor se disporia a us\u00e1-la\u201d, raciocina o pesquisador em seu artigo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Antuniassi ressalta que a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e9 tida como indispens\u00e1vel por diversos setores do agroneg\u00f3cio brasileiro. Ele mesmo coordena um projeto de cerifica\u00e7\u00e3o da avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, que envolve a UNESP e mais duas universidades, al\u00e9m do Sindicato Nacional das Empresas de Avia\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (Sindag) e da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Defesa do Vegetal (Andef). O projeto\u00a0dever\u00e1 melhorar a qualidade das aplica\u00e7\u00f5es a\u00e9reas de defensivos, reduzindo os riscos de danos ao meio ambiente.<\/div>\n<div><\/div>\n<h3>Artigo:<\/h3>\n<div>\n<p class=\"selectionShareable\">Periodicamente ocorre a publica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es dando conta da potencial inefici\u00eancia da aplica\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de defensivos. Misturando interpreta\u00e7\u00f5es err\u00f4neas, distor\u00e7\u00f5es de conceitos ou puro desconhecimento t\u00e9cnico, artigos e reportagens afirmam categoricamente que a aplica\u00e7\u00e3o a\u00e9rea \u00e9 uma ferramenta extremamente ineficaz pelo fato de que \u201csomente 1% do produto aplicado atinge o alvo. Os 99% restantes v\u00e3o para o ar, \u00e1gua e solo\u201d. Um dos casos cl\u00e1ssicos desse tipo de desinforma\u00e7\u00e3o ocorreu no ano passado, quando uma reportagem de jornal que tratava do uso de defensivos no Brasil\u00a0envolveu professores e pesquisadores de universidades, os quais citavam essa \u201cinefici\u00eancia\u201d como justificativa para defender a proibi\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o a\u00e9rea no pa\u00eds. O interessante dessa reportagem era a cita\u00e7\u00e3o de uma cadeia de artigos cient\u00edficos que comprovariam a hip\u00f3tese, citando nomes de pesquisadores renomados a at\u00e9 uma tese de doutorado sobre o tema.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">\u00c9 certo que na comunidade acad\u00eamica que de fato atua neste ramo, como os professores e pesquisadores\u00a0da \u00e1rea de tecnologia de aplica\u00e7\u00e3o dos defensivos, por exemplo, esse tipo de mito n\u00e3o encontra respaldo. O princ\u00edpio \u00e9 b\u00e1sico: se de fato houvesse uma t\u00e9cnica com perdas de 99%, a mesma dificilmente seria eficaz no controle de pragas e doen\u00e7as, e por isso nenhum agricultor se disporia a us\u00e1-la. N\u00e3o \u00e9 o que ocorre atualmente com a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, que \u00e9 tratada como indispens\u00e1vel por diversos setores do agroneg\u00f3cio brasileiro.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Mas, fica a pergunta: como haveria ent\u00e3o uma tese que comprovaria o mito? Uma busca\u00a0r\u00e1pida pelas bibliotecas cient\u00edficas virtuais nos coloca rapidamente contato com a tal tese de doutorado. Na verdade, trata-se de um trabalho sobre qu\u00edmica anal\u00edtica que n\u00e3o aborda (nem de perto) as aplica\u00e7\u00f5es a\u00e9reas. Na introdu\u00e7\u00e3o do trabalho, a autora apresenta a tradu\u00e7\u00e3o literal de uma frase publicada em outro artigo, com a seguinte reda\u00e7\u00e3o: \u201cDe fato, estima-se que apenas 0,1% do agrot\u00f3xico aplicado nas planta\u00e7\u00f5es atinja realmente o alvo definido\u2026\u201d. Portanto, n\u00e3o coube \u00e0 autora da tese a afirma\u00e7\u00e3o. Ainda, enquanto a reportagem de jornal citava \u201csomente 1%\u201d, a frase da tese citada referencia \u201c0,1 %\u201d, o que refor\u00e7a ainda mais a cadeia de desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Mas \u00e9 poss\u00edvel buscar a informa\u00e7\u00e3o original. O tal artigo citado na tese tratava o assunto igualmente como uma \u201ccita\u00e7\u00e3o da cita\u00e7\u00e3o\u201d (reprodu\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o de terceiros), sem qualquer refer\u00eancia \u00e0 avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. E um pouco mais de busca nos fez encontrar finalmente a origem do mito, num artigo publicado na d\u00e9cada de 1980. Neste artigo, professores de uma universidade americana opinavam de maneira cr\u00edtica ao controle qu\u00edmico de pragas, e a tal cita\u00e7\u00e3o do valor (\u201capenas 0,1%\u201d) n\u00e3o tinha fundamenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Portanto, n\u00e3o se tratava de pesquisa. Os autores apresentavam na verdade c\u00e1lculos te\u00f3ricos da quantidade de inseticida que uma determinada lagarta poderia comer, sem qualquer refer\u00eancia direta sobre a deriva nas aplica\u00e7\u00f5es. Portanto, o mito usado para combater a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola foi originado de um artigo que nem sequer tratava do assunto.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Essa cadeia de \u201ccita\u00e7\u00f5es das cita\u00e7\u00f5es\u201d nos faz refletir sobre o uso equivocado da informa\u00e7\u00e3o dita como \u201cde base cient\u00edfica\u201d. O fato de um pesquisador citar uma fonte n\u00e3o necessariamente torna a informa\u00e7\u00e3o verdadeira. Muito menos a torna cient\u00edfica. \u00c9 esse tipo de cuidado que devem ter os formadores de opini\u00e3o, os legisladores e a imprensa em geral para evitar a propaga\u00e7\u00e3o de mitos, cujo impacto pode ser muito prejudicial ao agroneg\u00f3cio e ao pa\u00eds como um todo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"fb-comments\" data-href=\"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/desconstruindo-mitos-na-aplicacao-aerea-de-defensivos-2\/\" data-numposts=\"5\" data-width=\"100%\" data-colorscheme=\"light\"><\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_links_to":"","_links_to_target":""},"colunistas":[99],"generos":[],"class_list":["post-1705","colunas_sindag","type-colunas_sindag","status-publish","hentry","colunistas-ulisses-rocha-antuniassi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag\/1705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/colunas_sindag"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"colunistas","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunistas?post=1705"},{"taxonomy":"generos","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/generos?post=1705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}