{"id":1716,"date":"2020-07-20T23:46:00","date_gmt":"2020-07-21T02:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/?post_type=colunas_sindag&#038;p=1716"},"modified":"2020-07-20T23:46:00","modified_gmt":"2020-07-21T02:46:00","slug":"e-verdade-que-somente-1-ou-01-da-pulverizacao-aerea-e-aplicado-na-lavoura","status":"publish","type":"colunas_sindag","link":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/colunas_sindag\/e-verdade-que-somente-1-ou-01-da-pulverizacao-aerea-e-aplicado-na-lavoura\/","title":{"rendered":"\u00c9 verdade que somente 1% ou 0,1% da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea \u00e9 aplicado na lavoura?"},"content":{"rendered":"<p>Do mito de que \u201capenas 1% (ou 0,1%) do produto aplicado via a\u00e9rea atinge o alvo\u201d<\/p>\n<p>Tornou-se lugar-comum nas cr\u00edticas \u00e0s aplica\u00e7\u00f5es a\u00e9reas a afirmativa de que \u201capenas 1% (ou 0,1%) do produto aplicado por avi\u00e3o atingiria o alvo.\u201d Apesar do evidente absurdo da afirmativa ela tem prosperado e sido repetida, \u201cad infinitum\u201d.<\/p>\n<p>Ficam as perguntas : a) de onde surgiu esta afirmativa, originalmente? e b) por que se perpetua?<\/p>\n<p>Aparentemente o mito teve origem em uma constata\u00e7\u00e3o antiga (autor desconhecido) e repetida, distorcida, por diversos contempor\u00e2neos de que \u201cBASTARIA 1% (ou 0,1%) do defensivo aplicado em uma lavoura para controlar a(s) praga(s). Dito desta forma, a afirmativa pode at\u00e9 n\u00e3o estar totalmente errada, se admit\u00edssemos uma aplica\u00e7\u00e3o na qual se depositaria individualmente sobre cada inseto a dose letal necess\u00e1ria. Mas a partir da\u00ed afirmar, como afirmam autores atuais, que \u201capenas 1% (ou 0,1%) ATINGE o alvo\u201d, consiste uma grave distor\u00e7\u00e3o. Ora, isso \u2013 aplicar o produto somente sobre cada esp\u00e9cime (lagarta, percevejo) \u00e9 evidentemente imposs\u00edvel, seja por via a\u00e9rea, terrestre, manual ou por qualquer outro m\u00e9todo imagin\u00e1vel e fica portanto restrita a uma constata\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, ut\u00f3pica.<\/p>\n<p>Cabe a esta altura refletir sobre o que seja \u2018alvo da aplica\u00e7\u00e3o\u2019. Do ponto de vista daquele autor original e dos cr\u00edticos que seguiram se apropriando, de maneira distorcida, do conceito, o \u201calvo\u201d seriam os insetos ou os fungos, bact\u00e9rias, etc. Por\u00e9m, no que se refere \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos cultivos, os alvos n\u00e3o s\u00e3o apenas os \u201cindiv\u00edduos-praga\u201d, por\u00e9m principalmente as plantas onde eles se abrigam e de onde se alimentam e, por vezes, o pr\u00f3prio solo que abriga muitas esp\u00e9cies de pragas. Passa-se ent\u00e3o a conceituar como \u2018alvo\u201d toda a \u00e1rea (normalmente medida em hectares) \u2013 a lavoura \u2013 sobre a qual se assenta a cultura. \u00c9 necess\u00e1rio atingir n\u00e3o somente os insetos \/ fungos, como raciocinou aquele autor, mas atingir e cobrir todas as plantas ali presentes, protegendo-as e, incluive o solo entre plantas consecutivas. Em resumo, controlar as pragas \u00e9 o OBJETIVO e a lavoura \u00e9 o ALVO.<\/p>\n<p>Esta conceitua\u00e7\u00e3o de alvo torna-se ainda mais evidente quando se trata de combater ervas invasoras, doen\u00e7as f\u00fangicas ou bacterianas. Insetos que se movimentam sobre a planta s\u00e3o atingidos, n\u00e3o necessariamente pelo contato direto do produto, mas, sim, ao tomar contato com o produto depositado nas plantas ou no solo ou ao se alimentarem de plantas protegidas pelos produtos depositados. \u00c9 o pr\u00f3prio conceito de \u201cProte\u00e7\u00e3o da Lavoura\u201d (de onde se originou o termo \u201cDefensivo Agr\u00edcola\u201d). Ent\u00e3o o nosso alvo \u00e9, na verdade, a lavoura como um todo. A avalia\u00e7\u00e3o das perdas de produtos passa a ser feita, ent\u00e3o, comparando-se a quantidade de produto aplicado por \u00c1REA com a quantidade de produto que efetivamente \u00e9 depositado na mesma \u00e1rea (sobre as plantas, sobre o solo entre plantas e sobre as pragas ou doen\u00e7as que neles cohabitam). H\u00e1 que se acrescentar que, principalmente no controle de doen\u00e7as muitas aplica\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas de forma preventiva, ou seja, quando ainda n\u00e3o se estabeleceu uma doen\u00e7a, ou uma planta invasora, refor\u00e7ando, assim, o conceito de que o alvo s\u00e3o as plantas e, n\u00e3o, diretamente, a praga ou doen\u00e7a. Ademais, muitos produtos, como por exemplo os herbicidas pr\u00e9-emergentes, t\u00eam como alvo apenas o solo.<\/p>\n<p>Usando tal conceito de \u201calvo\u201d derruba-se o mito de que \u201capenas 1% (ou 0,1%) do produto aplicado via a\u00e9rea atinge o alvo\u201d e inverte-se a situa\u00e7\u00e3o: comumente mais de 90% atinge o alvo.<\/p>\n<p><strong>Concluindo, o mito resultou de uma distor\u00e7\u00e3o do conceito emitido originalmente: ao inv\u00e9s de dizer-se que (teoricamente) \u201cBASTARIA 1% do produto\u201d, passou-se a afirmar que \u201capenas 1% (ou 0,1% atinge o alvo\u201d. N\u00e3o h\u00e1, obviamente, nenhum trabalho de pesquisa que sustente este verdadeiro absurdo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eng. Agr. Eduardo Araujo Portal Agronautas 15\/7\/2013<\/strong><\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_links_to":"","_links_to_target":""},"colunistas":[109],"generos":[],"class_list":["post-1716","colunas_sindag","type-colunas_sindag","status-publish","hentry","colunistas-eduardo-araujo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag\/1716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunas_sindag"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/colunas_sindag"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"colunistas","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/colunistas?post=1716"},{"taxonomy":"generos","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindag.org.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/generos?post=1716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}