EUA: pulverizações áreas para prevenir surto de encefalite

Aplicações por avião abrangeram oito cidades do Estado de Massachussets na última terça-feira (27), contra mosquitos que transmitem um vírus de alta letalidade em humanos  

Os Departamentos de Saúde Pública (DPH, na sigla em inglês) e de Recursos Agrícolas (MDAR) de Massachusetts (DPH) promoveram na última semana operações de pulverização aérea e terrestre de inseticidas contra mosquitos em diversas comunidades do Estado, que fica no nordeste dos Estados Unidos. Isso para prevenir a proliferação do vírus da encefalite equina do oeste, ou oriental (EEE, na sigla internacional), detectado no último dia 16, em um paciente de 80 anos no Condado de Worcester – o segundo mais populoso e situado no centro do Estado. Assim, cinco cidades do condado tiveram aplicações de inseticidas por pulverizadores em caminhões (confira o mapa) entre a terça e a quinta-feira (dias 27 a 29): Douglas, Dudley, Oxford, Sutton e Uxbridge .

Enquanto aviões foram usados para combater mosquitos na terça-feira (27) no Condado de Plymouth (sudeste do Estado). As aplicações aéreas cobriram a cidade de Carver e bairros das cidades de Halifax, Kingston, Middleborough, Plymouth, Plympton, Rochester e Wareham (confira AQUI a área abrangida). Neste caso, locais que já haviam recebido nesta temporada aplicações feitos por caminhões – que não conseguiram reduzir as populações de mosquitos.

Aliás, a cidade de Plymouth já havia anunciado em agosto o fechamento de parques e praças municipais à noite, para ter menos pessoas correndo o risco de serem infectadas por uma doença que tem alta letalidade em humanos: entre 33% e 70%, com a maioria dos sintomas ocorrendo de dois a dez dias da transmissão.

ABRANGÊNCIA: área coberta pela aplicação aérea envolveu oito cidades do Estado onde as aplicações terrestres não surtiram efeito contra os mosquitos

TÉCNICA E PRODUTO

Tantos as aplicações aéreas quanto as terrestres foram feitas a partir do início da noite até por volta das 4h30 da manhã, em ultrabaixo volume (UBV) com aplicações. A técnica produz gotas extremamente finas, que deixam o produto no ar por mais tempo, eliminando os mosquitos pelo contato. O inseticida usado foi Anvil 10+10, aprovado pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) para esse tipo de operação em cidades. Tanto que é usado regularmente em operações antimosquitos em diversos outros Estados norte-americanos (tanto em operações áreas como terrestres).

Trata-se de um produto que não representa risco para pássaros e mamíferos, é rapidamente inativado e se decompõe na luz solar e no ar. Tampouco para peixes, já que não se dissolve facilmente na água – onde também é decomposto por microrganismos e pela luz solar.  Além disso, o fato da aplicação ser feita à noite também não representa risco para insetos diurnos, como abelhas (que nesse período estão em suas colmeias).

A DOENÇA

Os vírus de encefalite equina podem ser de três tipos (do oeste, do leste ou a venezuelana). Nos Estados Unidos e na Europa a doença é transmitida principalmente por mosquitos do gênero Culex (também conhecidos como pernilongos). Já na América do Sul seu principal vetor são os mosquitos do gênero Aedes (tanto o aegipty quanto o albopictus).

O primeiro caso conhecido da encefalite equina do oeste em Massachussets foi em 1938. Desde então, a doença tem reaparecido a cada 10 ou 20 anos, em surtos que geralmente duram dois ou três anos. No entanto, o surto mais recente de EEE naquele Estado começou em 2019 e incluiu doze casos em humanos, com seis fatalidades. E continuou em 2020, cinco casos infectadas e uma fatalidade.

Além da alta taxa de mortalidade, mesmo quem sobrevive à doença dificilmente fica ileso. Há sempre alguma sequela e pelo menos metade das pessoas que se curam da sofrem alguma incapacidade permanente.

Segundo o Sistema Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS), no começo do ano o Brasil registrou um caso de infecção em cavalo de encefalite equina do oeste, no município de Barra do Quaraí, no Rio Grande do Sul. Em maio, outro animal foi contaminado em Castelo, no Espírito Santo. Mas por aqui ainda não houve infecção registrada em seres humanos.

em nossa vizinha Argentina, entre o fim de 2023 até maio de 2024 foram notificados 530 casos humanos suspeitos de encefalite equina. Isso em 21 províncias, com 105 casos confirmados, 24 classificados como prováveis, e 88 descartados. Somando 11 mortes pela doença.